Saúde

RMVale chegou a 80 casos confirmados da doença em 2019

Sarampo: prevenção e sintomas

Gabriela Mancilha e Beatriz Plaça - RMVale 

A RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) já registrou, até o dia 20 de setembro de 2019, 80 casos de sarampo em 10 cidades. A doença viral,
que parecia erradicada, voltou, não só no Vale e Litoral, como em todo o estado de São Paulo, onde o número de casos passava de 4.000 até o dia 17 de setembro. O sarampo é uma doença infecciosa grave, causada por um vírus, e pode ser fatal. A transmissão ocorre
pela tosse, fala, espirro ou respiração e a única maneira de evitar a doença é pela vacina.

São José dos Campos é a cidade da RMVale com mais casos confirmados de sarampo. Até o dia 20 de setembro de 2019, 25 pacientes, entre crianças, jovens e adultos, receberam o
diagnóstico. Atrás de São José, está Caçapava (17), Taubaté (12), Jacareí e
Pindamonhangaba (7), Ilhabela (5), Lorena (2) e Guaratinguetá, Aparecida, Ubatuba, Campos do Jordão e Potim com um caso em cada uma delas.

Segundo o Ministério da Saúde, os principais sintomas do sarampo são a febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. Por esses sintomas serem comuns em doenças virais, muitas vezes o sarampo é confundido com gripe e dengue. Entre o terceiro e quinto dia a pessoa infectada pode apresentar outros sinais e sintomas, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo, dando sinal ao paciente e desmascarando
a doença. Tereza Cardozo é coordenadora da Vigilância Epidemiológica de São José
dos Campos e explica que o sarampo pode ser confundido, por ser uma doença viral, e a única forma de prevenção é com a vacina exigida pela Secretaria da Saúde.

“O sarampo parece muito com Dengue, Chicungunha e Zika Vírus, os sintomas iniciais são febre, tosse, coriza além do paciente poder ter conjuntivite. Após três dias da infecção, aparecem as manchas, que começam no pescoço e descem para os pés. O doente tem que beber muito líquido e tomar medicamentos para reduzir a febre. Depois de três dias, as manchas começam a desaparecer junto da doença”,afirma a coordenadora. O fato de o sarampo demorar a ser reconhecido pelo paciente ou ser confundido com outras doenças proporcionam a transmissão para outras pessoas, ainda no primeiro estágio. O joseense Cristiano Moura dos Santos tem 28 anos, é publicitário, trabalha, estuda e teve a doença no  mês de agosto deste ano porém mais branda, por ter sido vacinado, embora há quase 20 anos.

“No meu caso, eu já tinha as duas doses da vacina, só que tomei em 1992 e 1993, por isso me informaram que a doença veio mais fraca. Inicialmente, pelos sintomas, pensei que fosse dengue e, mesmo com dores no corpo, estava trabalhando normalmente. Quando, percebi as manchas, pensei tratar-se de queimaduras de sol mas isso chamou a atenção de uma amiga que me disse para procurar um médico. No dia seguinte acordei todo empipocado, cheio de manchas no corpo todo e, no hospital, fui atendido por cinco médicos, todos com máscaras e disseram que provavelmente eu estaria com sarampo ou rubéola”, conta Cristiano. Até a publicação desta reportagem, a Vigilância Epidemiológica ainda não tinha confirmado se o caso foi diagnosticado como sarampo ou rubéola.

Movimento antivacina

Uma das suspeitas pelo surto em todo o estado é a falta de vacinação. O movimento antivacina tem crescido no Brasil e representa risco para a saúde pública. Maxwell Ferreira mora em São José dos Campos e acredita que a vacina faz mal para o corpo humano. “A medicina hoje em dia está cada vez mais avançada, mas ao mesmo tempo, penso que podemos viver tranquilamente sem tomar a vacina”. Apesar da desconfiança das substâncias que compõem a dose, Maxwell afirma que prefere que seus filhos tomem a vacina e acredita que a falta de vacinação pode ter ajudado a propagar o vírus. “Vacinando ou não, as doenças vão aparecer”, conclui.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de São José diz ainda que os movimentos antivacina realmente prejudicam muito e, somados a outros fatores, como as fake news, retransmitidas pelas redes sociais, o resultado é a total desinformação da população.
Outro elemento relevante é a equivocada ideia de que o vírus estaria completamente erradicado. “Às vezes as pessoas pensam que por não verem a doença, o vírus não existe mais, o que é um equívoco e a baixa cobertura vacinal propiciou a volta da doença. Todos
devem ter o calendário vacinal em dia, pois é uma proteção não só para quem se vacina, mas para outras pessoas também”, conclui.

Tratamento

Embora considerada uma doença grave, não existe um tratamento específico para o sarampo. Alguns medicamentos são utilizados para reduzir o desconforto causado pelos sintomas, como febre, tosse e mal-estar. “É importante que no tratamento haja um acompanhamento da evolução da doença e, caso a febre persista por mais de três
dias, o médico deve ser comunicado, pois há o risco real de infecção secundária
como pneumonia ou meningite”, afirma Tereza.

“No meu caso, eu já tinha as duas doses da vacina, só que tomei em 1992 e 1993, por isso
me informaram que a doença veio mais fraca. Inicialmente, pelos sintomas, pensei que
fosse dengue e, mesmo com dores no corpo, estava trabalhando normalmente”

Cristiano Moura dos Santos,
Publicitário

O Ministério da Saúde adverte que ninguém deve fazer uso de medicamentos sem orientação médica, e em caso de suspeita de sarampo, deverá ser procurado o serviço de saúde mais próximo. Em caso de infecção, o ideal é que o doente se isole, beba muita água, cuide da alimentação e tome remédios com prescrição médica enquanto a doença
some lentamente.

Quem deve se vacinar

  • Bebês de 6 meses a 1 ano
  • Crianças de 1 ano (primeira dose tríplice viral) e 15 meses (segunda dose tetraviral)
  • Crianças de 15 meses a adultos de até 29 anos sem o registro  de duas doses (se tiver tomado uma dose, terá que tomar a segunda. Se não tomou nenhuma, deve receber
    duas no intervalo de 30 dias)
  • Adultos de 29 a 59 anos, sem registro na carteira (tomar uma dose)
  • Profissionais da área da saúde

Quem não deve se vacinar

  • Gestantes
  • Crianças menores de 6 meses
  • Imunodeprimidos
  • Idosos com mais de 60 anos não precisam se vacinar, pois já tiveram contato com o vírus em algum momento da vida

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