Saúde&

Aumento do consumo de alimentos industrializados e condimentados ampliam as chances do desenvolvimento de doenças

Doenças renais: os desafios no inverno

As doenças renais são alterações heterogêneas que afetam tanto o rim quanto a função renal, com múltiplas causas e fatores de risco. A doença tem curso prolongado, que pode parecer benigno, mas que muitas vezes torna-se grave e que na maior parte do tempo não manifesta sintomas. Os rins são órgãos fundamentais para o funcionamento do corpo, filtrando o sangue e auxiliando na eliminação de toxinas do organismo. O ‘trabalho’ dos rins também controla a produção de hormônios e a pressão arterial. A doença renal crônica perda progressiva e irreversível da função renal) é silenciosa, tem registrado alta mortalidade e altos custos para os sistemas de saúde no mundo todo. Por ser uma doença que raramente exibe sintomas, o diagnóstico, quando feito tardiamente, exige que o paciente realize o procedimento de hemodiálise, que é o principal tratamento de imediato.

Segundo o Ministério da Saúde, o tratamento de doenças renais crônicas é classificado em conservador, pré-diálise ou Terapia Renal Substitutiva (TRS), de acordo com o estágio da TFG (Taxa de Filtração Glorumelar). A TRS é uma das modalidades de substituição da função renal por meio de hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal. Para os pacientes com Doença Crônica Renal, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece a hemodiálise, que bombeia o sangue através de uma máquina e um dialisador, para
remover as toxinas do organismo, três vezes por semana, e a diálise peritoneal é feita diariamente, na casa do paciente, por meio da inserção de um catéter flexível no abdômen
do paciente, normalmente no período noturno.

De acordo com a Santa Casa de São José dos Campos foram atendidos em média 328 pacientes que realizaram hemodiálise de janeiro até junho de 2019 na unidade hospitalar, e no primeiro semestre do ano, foram realizadas 25.037 sessões. No mês de janeiro o número de pacientes foi de 325, sendo que no mês de junho, em que os dias estão mais
frios e o inverno chega no país, mais 20 pacientes realizaram o tratamento. A hemodiálise é feita três vezes na semana e o aumento no número de pacientes pode ter um fator causador: o frio.

“No inverno, em geral, as pessoas ingerem
mais alimentos. Dentre estes, há aumento do
consumo de industrializados e condimentados,
que contém mais do que 70% do sódio
consumido diariamente.”

Andrea Pio de Abreu.
Médica

A médica Andrea Pio de Abreu é secretária geral da Sociedade Brasileira de Nefrologia e nefrologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de
São Paulo). A especialista explica que no frio, dois fatores podem causar algumas doenças renais, como a redução da ingestão de água e o aumento do consumo de sal. “Como, em geral, no inverno as pessoas perdem menos água pelo suor, acabam por reduzir a
ingestão de água. No entanto, as necessidades do corpo se mantém”. Andrea diz que a diminuição da ingestão de água é prejudicial para todas as pessoas, mas principalmente
para pacientes idosos, que usam medicamentos diuréticos, crianças, pacientes com histórico de cálculo renal e infecção urinária.

“No inverno, em geral, as pessoas ingerem mais alimentos. Dentre estes, há aumento do consumo de industrializados e condimentados, que contém mais do que 70% do sódio consumido diariamente. Indivíduos predispostos a desenvolverem hipertensão e aqueles
já hipertensos, podem ter aumento dos seus níveis pressóricos”, conta Andreia.
Os principais fatores de risco para as doenças renais crônicas são a diabetes, hipertensão, obesidade, históricode doença renal crônica na família e o tabagismo, de acordo com
o Ministério da Saúde.

Eu emagreci dez quilos do nada, passei no
clínico e ele pediu muitos exames que acusaram
que meus rins não estavam funcionando.
Depois disso, fui em uma especialista que
me mandou ao pronto socorro, fui internada
e comecei a fazer hemodiálise três vezes na
semana. Normalmente venho sentindo enjoo
e muito frio.

Niceia Lucia Lorenzo

Niceia Lucia Lorenzo tem 58 anos e descobriu a doença de insuficiência renal recentemente. Seus rins funcionam com somente 7% da capacidade, cada um. Ela conta que não tinha nenhum sintoma, porém emagreceu muito de uma hora para outra.
“Eu emagreci dez quilos do nada, passei no clínico e ele pediu muitos exames que acusaram que meus rins não estavam funcionando. Depois disso, fui em uma especialista
que me mandou ao pronto socorro, fui internada e comecei a fazer hemodiálise três vezes na semana. Normalmente venho sentindo enjoo e muito frio.” conta Niceia.

De acordo com a nefrologista, a doença renal crônica age no corpo retendo água, diminuindo a filtração de elementos tóxicos no sangue, alterando o equilíbrio ácido-básico,
alterando hormônios relacionados ao sangue e aos ossos, entre outros. “O cálculo renal pode se apresentar também de forma assintomática – quando não exibe sintomas – ou
pode resultar em dores muito intensas, náuseas e vômitos durante a crise”, diz a especialista.

A mãe de Niceia recebeu o mesmo diagnóstico da filha, porém não precisou fazer a hemodiálise. Ela conta que permanece na fila de espera para um transplante.
“Minha mãe também tinha insuficiência, mas a medicação dela era de outro tipo. Eu faço o procedimento na NefroMed da Santa Casa da cidade, então a médica me disse que automaticamente já estou na fila para transplante,” conclui.

Veja dicas da especialista para se prevenir de doenças renais:

Em relação à Doença Renal Crônica, as principais formas de prevenção são o controle da
pressão arterial e dos níveis de glicose no sangue, evitar uso de medicamentos anti-inflamatórios regularmente, e ter hábitos de vida saudáveis. Para se prevenir das crises de cálculo renal, é importante ingerir bastante líquido. Caso já tenham ocorrido crises anteriores, é importante procurar um médico nefrologista para que ele possa investigar. Quanto à infecção urinária, a prevenção também envolve ingestão de líquidos,  além de higiene íntima adequada inclusive após ato sexual e evitar segurar a urina quando tiver vontade.

 

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