Saúde&

Cerca de 3.500 bolsas de sangue por mês são distribuídas em hospitais da região

O Poder de Salvar Vidas

Salvar vidas é um ‘poder’ geralmente atribuído e associado a médicos e profissionais da saúde no geral que possuem anos de estudos. Porém muitas pessoas esquecem
ou não sabem que o sangue que corre em suas veias pode salvar até quatro vidas.
O líquido, que flui pelas veias e artérias do corpo, é viscoso, avermelhado e cada porção, por menor de seja, possui milhões de hemácias, plaquetas e leucócitos responsáveis
por transporte de oxigênio, coagulação sanguínea e a defesa da máquina viva. Por ser vital e imprescindível para a sobrevivência de nós humanos é possível ajudar a salvar vidas a partir de um ato altruísta e totalmente voluntário: a doação sanguínea. De acordo com o Ministério da Saúde, em novembro de 2018, a quantidade de doadores no Brasil equivalia
a 1,6% da população. O sangue doado é utilizado em transfusões, transplantes, tratamento de câncer e cirurgias. Além de ser usado em urgências médicas, também é essencial
para pessoas que possuem doenças crônicas e necessitam sempre deste procedimento para viverem mais tempo e terem uma vida melhor.

“Eu sempre doo
sangue. A cada três
ou quatro meses
ou quando eles me
convocam”

Heliza Feitosa de Freitas
Motorista de aplicativo

Heliza Feitosa de Freitas, 50 anos, é motorista de aplicativo e doa sangue sempre que pode. Ela já conquistou o cartão de platina que é dado a pessoas que possuem mais de 21 doações acumuladas no hemocentro. “Eu sempre doo sangue. A cada três ou quatro meses ou quando eles me convocam. Eles sempre me ligam precisando do meu tipo sanguíneo que é ‘A’ negativo. Eu tenho muito orgulho, e gosto de ser doadora. Aconselho a todos fazerem parte dessa equipe que salva vidas”. Heliza conta que doa sangue junto ao filho de 29 anos. Os dois são doadores há muitos anos. Ele desde que atingiu os 18 anos decidiu ser doador. Uma das datas importantes em que os dois sempre vão ao hemocentro para
realizar o ato altruísta é no aniversário do filho. “Tenho um filho que é doador assíduo.
O Bruno sempre doa e nos costumamos a doar juntos em certas datas. O aniversário dele é uma dessas, no dia 26 de junho que iremos marcar para realizar a doação juntos”.
Ana Rodrigues, 73 anos, doou sangue desde seus 46 anos até completar a idade máxima permitida. “O ser humano é curioso e eu tinha curiosidade de como era a doação de sangue. Eu não sabia que tipo sanguíneo eu tinha e resolvi ir até lá doar”.
Ana conta que começou a doar por vontade própria e que sempre incentivou seus colegas de trabalho a doar também. Seu filho Aparício Rodrigues, 49 anos, é professor, doa sangue há 7 anos e contou que começou após ver a necessidade de uma de suas alunas que teve câncer.

“Eu me programo
para fazer a doação
quando começa a
época do inverno,
que é quando o
banco de sangue
mais precisa de
doadores.”

Aparício Rodrigues
Professor

“Eu me programo para fazer a doação quando começa a época do inverno, que é quando o banco de sangue mais precisa de doadores”, conta Aparício. O Banco de Sangue de São José dos Campos informou que no período de outono e inverno, o número de contribuições
diminui cerca de 15% devido às doenças respiratórias que impedem a doação. Para fazer a doação de sangue, é necessária a apresentação de documento com foto para que o doador faça um cadastro no banco. Após o cadastro, o doador é encaminhado para a pré-triagem
onde é feito o teste de anemia. Na triagem é feita a entrevista que investiga o  comportamento do doador, se ele toma medicamentos, verifica a pressão arterial, se houve extração recente de dentes ou se passou por um resfriado ou rinite nas últimas semanas.
Na doação são coletados 460 ml de sangue. O sangue chamado “total” é separado em três hemocomponentes, que são como medicamentos e cada um tem sua função no momento de salvar uma vida. Ao mesmo tempo em que o sangue é coletado, são retiradas
amostras para verificar se o paciente tem ou teve doenças como hepatite A e B, AIDS, Doença de Chagas e Sífilis. A bolsa de sangue só é liberada se os resultados são negativos para todas as doenças. Cerca de 3.500 bolsas são distribuídas em hospitais da região por mês. Dentre os hospitais que o Banco de Sangue de São José atende estão a Santa Casa de Pindamonhangaba, Caraguatatuba e Jacareí, e o Hospital Municipal, o Regional e o Pio XII de São José dos Campos. O sangue do tipo ‘O’ negativo é o mais necessitado no banco por ser doador universal e ter maior demanda. Em situações emergenciais, quando não há tempo de fazer o teste pré-transfusional, o paciente o recebe. O banco tem cadastro de 188 mil doadores que são convocados eventualmente para doar quando há necessidade.

“Nós recebemos em
média 100 doadores
por dia. 60% dos
doadores são o
que nós chamamos
de ‘doadores de
repetição’, que é
quem faz ao menos
duas doações no
período de um ano.”

Paulo Pontes
Responsável pela captação de doadores

Paulo Pontes, 42 anos, tem 23 anos de Serviço de Hemoterapia e é responsável pelo setor de Captação de Doadores do Banco de Sangue de São José dos Campos. “Nós recebemos em média 100 doadores por dia. 60% dos doadores são o que nós chamamos de
‘doadores de repetição’, que é quem faz ao menos duas doações no período de um ano”.
O sangue separado pelos hemocomponentes têm diferentes prazos de durabilidade. As plaquetas, que produzem as cascas de machucados, por exemplo, tem durabilidade de 5 dias e devem ser armazenadas balançando constantemente para não coagular. As hemácias duram 42 dias e é a parte vermelha do sangue, utilizadas em pacientes que sofreram acidentes. O terceiro hemocomponente é o plasma, que é mantido congelado, dura até um ano e é utilizado na produção de remédios para hemofilia, que é o problema
de coagulação do sangue. Antes de doar sangue, o interessado deve ficar atento a possíveis impedimentos temporários na doação, como gripe, resfriado ou febre (devem
aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas), período gestacional, período pós-gravidez (90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana), amamentação (até 12 meses após o parto), ingestão de bebida alcóolica nas últimas 12 horas, tatuagem
ou piercing no último ano e cirurgias. A vacina também é um impedimento temporário e o tempo varia de acordo com o tipo do medicamento. Se o doador recebeu transfusão de
sangue, deve aguardar um ano, que é o mesmo prazo quando há exposição ao risco de infecções sexualmente transmissíveis. Os impedimentos definitivos para a doação são: ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade (B e C), AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II (vírus linfotrópico da célula humana), Doença de Chagas, uso de drogas ilícitas injetáveis e malária.

Requisitos

  • Ter idade entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos
    (menores de 18 anos devem possuir consentimento formal do responsável legal)
  • Pesar no mínimo 50 kg
  • Estar alimentado.Evite alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação
  • Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas
  • Apresentar documento de identificação com foto
  • Entre 60 e 69 anos, a pessoa só poderá doar se já o tiver feito antes dos 60 anos
  • A frequência máxima é de quatro doações anuais para o homem e de três doações anuais para a mulher. O intervalo mínimo deve ser de dois meses para
    os homens e de três meses para as mulheres

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