Saúde

Média de aleitamento materno no Brasil é de 54 dias; o tempo recomendado de amamentação é até os seis meses

Amamentação: dedicação e amor em forma de leite

Na gravidez, uma série de mudanças tanto psíquicas como corporais acontecem com a mulher. Após o nascimento do bebê, uma angústia assola as mães de primeira viagem, ou até mesmo aquelas que já tiveram o primeiro filho: as dificuldades da amamentação. A  fase do aleitamento é de extrema importância para o desenvolvimento do bebê. É o leite materno que irá nutrir o novo ser para que no futuro tenha saúde e vitalidade.

Sendo uma fase de muito amor envolvido com mitos e desinformação, é necessário  entender a importância da amamentação para o bebê e para a mãe. É nessa etapa que o recém nascido recebe toda a proteção fisiológica do leite materno. Mastologista e  ginecologista há 14 anos, o especialista Romulo Victor, explica sobre a importância dos
nutrientes do aleitamento, além de firmar o laço entre mãe e filho.

“O leite materno protege a criança contra doenças e infecções. O ideal é que nos primeiros seis meses seja como única e exclusiva fonte de alimento do bebê. Na composição  encontramos água, proteínas, sais, glicose, açúcar em geral, aminoácidos e globulinas que agem na defesa imunológica. Amamentação é um momento de conhecimento, dois seres que nunca se viram antes, começam a se conhecer e a amamentação desenvolve também esse laço. A mulher que quer amamentar precisa entender a importância dessa fase e investir nisso, procurando informações com o obstetra”, diz Romulo.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 67% dos bebês mamam nas primeiras horas de vida, porém a média do aleitamento é de apenas 54 dias no Brasil. O ideal, segundo o órgão, é que cada criança consiga mamar pelo menos até o sexto mês de vida, desse modo a eficácia do leite materno estará presente para proteção da saúde da criança.

Os maiores problemas que as mães encontram para ter uma amamentação de qualidade são as incertezas e medos. Muitas mulheres carregam as informações falsas, passadas por membros da família e pessoas próximas, de que a amamentação é ‘difícil mesmo’, ‘é  complicada e vai machucar’, o que é totalmente desmistificado por quem entende do assunto.

Fabíola Alonso é consultora em amamentação. Ela fundou a empresa ‘Materna’ em 2016 quando percebeu a grande dificuldade de amigas e pessoas próximas em ter uma  informação correta sobre o assunto e conseguir alimentar corretamente os filhos.  experiente, Fabíola tem dois filhos e conta que o principal vilão das mamadas incorretas
é a desinformação.

“A maior dificuldades que as mães enfrentam é a falta de informação. Sempre existiu uma romantização da maternidade em geral e sofremos com isso. Como hoje em dia temos acesso a muita informação, tanto certa como errada, em vez de ajudar acaba deixando as mães mais perdidas. Acarreta todas as inseguranças de saber se o bebê está mamando corretamente ou não,” diz a consultora.

Gabriela Faria, de 21 anos, mãe de primeira viagem, conta que sua experiência foi bem dolorosa e pensou que não conseguiria amamentar. “Meu leite empedrou, eu passava dia e noite tentando tirando com a bombinha para ter alívio, mas não adiantava”, conta.

Média do aleitamento no Brasil é de 54 dias

Informação: Ministério da Saúde

Ela conta ainda que nos primeiros dias, sua filha não conseguia pegar o bico do peito e teve que mamar por uma sonda. Algumas das dicas que Gabriela recebeu foi tirar leite de baixo do chuveiro, por causa da água quente, e passar um pente no seio para desempedrar o leite, e nada funcionou.
A especialista aponta alguns erros na hora da amamentação que são comuns pela falta de experiência, informação e acompanhamento antes, durante e após o parto. “Temos a questão social que pode atrapalhar muito. Muita gente diz que amamentar dói mesmo, que é natural, por isso a mãe não busca apoio por que ela aprendeu que é assim mesmo, mas não é! Se o bebê está bem acompanhado no momento do nascimento e a mãe tem um auxílio de como colocar o filho corretamente para mamar nas primeiras 72h, é possível minimizar todos os problemas e dificuldades do aleitamento.” explica Fabíola.
Beatriz Evans tem 41 anos e buscou ajuda após dar à luz ao seu filho Gabriel. A mãe de segunda viagem, conta que já tinha sido mãe da pequena Giovanna que faleceu com pouco mais de dois anos e precisou tirar muitas dúvidas e reaprender muitos quesitos sobre a amamentação com o novo bebê.
“Como já tinha uma experiência anterior, que, de certa forma, me ajudou em alguns aspectos, principalmente no fato de saber que precisaria de uma ajuda profissional, o apoio da Fabíola antes do parto esclareceu várias dúvidas e me deixou mais tranquila. Com 15 dias de vida o Gabriel não tinha ganho peso e eu acreditava que estava amamentando corretamente. Foi aí que ela fez várias visitas à minha casa e respondeu todas as inúmeras mensagens de dúvidas”, conta Beatriz.

Dicas dos profissionais

Fabíola contou algumas dicas que todas as mães deveriam ser orientadas para que o bebê possa ter a alimentação correta assim como o pequeno Gabriel teve. Um exemplo e boa dica para saber se a criança está corretamente posicionada e sugando o leite é reparar que a sucção, para puxar o alimento, não faz barulho algum, segundo a especialista.
A consultora garante que, quando buscada a informação e a amamentação feita da maneira correta, não haverá complicações futuras. Como exemplo é necessário a mãe sempre observar as posições do bebê na hora da amamentação, além de barulhos e também da dor quando a criança sugar o bico do peito. Romulo também aconselha as mães a buscarem informações com seus médicos e obstetras. O especialista diz que a preparação do seio para amamentação pode começar a ser feita a partir do pré-natal com produtos para que o bico do peito fique mais resistente, além de exercícios que a mãe pode
fazer para os tecidos do mamilo criarem resistência, com uma toalha e pano por exemplo, passando levemente pelo seio. Beatriz ainda deu um conselho para as mães que estão ou ainda vão amamentar:

“Tenham paciência
e confiem no seu
instinto materno.
Além disso, não
deixem de pedir
ajuda. Vocês não
precisam dar conta
de tudo sozinhas”

Beatriz Evans

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