Saúde 2

Crescem os dados de crianças e adolescentes com a doença no Brasil. Alimentos condimentados e falta de atividade física são os grandes vilões dos dias atuais

Obesidade infantil: o grande desafio do mundo moderno

Nos tempos atuais, a soma de uma sociedade conectada à internet, que não se alimenta
corretamente e que não encontra um tempo mínimo para se exercitar fisicamente acaba resultando em obesidade. Pior: além dos adultos, crianças e adolescentes também estão se tornando obesas. De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, a prevalência
da obesidade voltou a crescer no Brasil.

No caso dos adultos, houve aumento de 67,8% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018. Já em relação às crianças e adolescentes, os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostram que 7,8% dos adolescentes das escolas entre 13 e 17 anos estão obesos, sendo maior entre os meninos (8,3%) do que nas meninas (7,3%). Entre as crianças, a Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008/2009
mostra prevalência de excesso de peso de 34,8% e de obesidade 16,6% em crianças na faixa de 5 a 9 anos. Uma em cada três crianças no Brasil é obesa.

Fazer dieta é simples,
mas mudar hábito
de vida é complicado.
Não é deixar de comer,
mas sim escolher
o que vai comer. Não é
errado comer pizza, mas
a partir do momento
que o jantar da família
é pizza, aí temos um
problema

Paula Lenfers
Pediatra

E todos esses números alarmantes podem ser explicados pelos hábitos alimentares que estão longe de ser saudáveis e que ajudam (e muito) a aumentar esses índices de obesidade. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, de 2013, 60,8% das crianças
menores de dois anos comem biscoitos ou bolachas recheadas. De acordo com a pediatra Paula Lenfers, a obesidade é uma doença multifatorial, ou seja, está atrelada
um conjunto de razões, como a falta de atividade física, ansiedade, além da alimentação desregulada. “Fazer dieta é simples, mas mudar hábito de vida é complicado. Não é deixar de comer, mas sim escolher o que vai comer. Não é errado comer pizza, mas a partir do momento que o jantar da família é pizza, aí temos um problema”, explica a médica.

Segundo Paula, a criança com obesidade tem o maior risco de ter doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e também tem maiores chances de ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou infarto na fase adulta. E uma maneira de evitar esse problema é fazer
um acompanhamento nutricional nos primeiros mil dias da criança, que correspondem ao início da gravidez até os dois primeiros anos de vida. Todo esse processo é conhecido como
“janela de oportunidade”.

“A mãe que amamenta
o fi lho exclusivo
até seis meses e depois
até dois anos está
protegendo seu fi lho.”

Paula Lenfers
Pediatra

“A programação metabólica inicia na gestação, pois os hábitos alimentares da mãe vão influenciar essa criança em relação a desenvolvimento, crescimento, peso, tudo… A oportunidade começa na gestação, bem acompanhada nos primeiros anos de vida e isso vai ser reflexo para os outros anos da criança também.”, diz a pediatra que também
reforça a importância do leite materno durante esse processo. “A mãe que amamenta até seis meses e depois até dois anos está protegendo seu filho”, completa.

A nutricionista Tabata Bortman reforça a importância da alimentação e dos hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida da criança e diz que as instituições de ensino também podem ajudar nessa missão. “Esse trabalho é feito, tanto em casa com os pais
quanto nas escolas, que têm bastante influência nessa parte de educação nutricional até porque as crianças ficam a maior parte do tempo nas escolas”, afirmou.

Brincadeira de criança

As atividades físicas, mesmo que por um período curto por dia, também são aliadas na luta contra a obesidade infantil. A Sociedade Brasileira de Pediatria adota uma cartilha com algumas sugestões de atividades para diferentes faixas-etárias, de crianças
de 0 anos a jovens de 19. Na cartilha, uma das recomendações diz que “é fundamental que as atividades sejam prazerosas e adequadas ao estado individual de crescimento da criança/adolescente.”

As recomendações são divididas em três grupos: para as crianças até dois anos de idade, é recomendado que elas sejam encorajadas a serem ativas, mesmo que por curtos períodos. Para as que já conseguem andar, devem fazer atividades leves ao ar livre por 180 minutos
diariamente. Contato com equipamentos eletrônicos como tablets ou celulares é proibido.
Já para as crianças entre três e cinco anos de idade, devem acumular pelo menos 180 minutos de atividades ao longo do dia, praticando atividades como andar de bicicleta, natação, jogos com bola e de perseguir. O tempo com atela de equipamentos eletrônicos deve ser limitado a duas horas.

O terceiro grupo, que engloba criançasde seis anos até jovens de 19, tem a recomendação de acumular pelo menos 60 minutos de atividades físicas diariamente com intensidade de moderada a vigorosa, que são aquelas que, segundo a cartilha, fazem a respiração acelerar
e o coração bater mais rápido, como nadar, correr, saltar, pedalar e, até mesmo, caminhar.

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