São José dos Campos: Belo passado, presente brilhante e futuro promissor

Uma característica marcante e forte de São José em todos os períodos históricos é a busca por acompanhar as tendências de mercado e tecnologias do seu tempo, ou seja, nunca quis ficar para trás. São José plantou café na época do café, plantou algodão na época do algodão. Contudo, ainda era uma cidade bem mais tímida do que outras da região como Taubaté, por exemplo.

A história de São José dos Campos começou com a vinda dos padres jesuítas no século XVI. Entre idas e vindas dos evangelizadores, uma população começou a se formar entorno de onde hoje é a igreja matriz. Em 27 de julho de 1767 a pequena aldeia foi elevada à categoria de vila com o nome de São José do Paraíba – naquele ano a primeira Câmara Municipal foi construída.

Mais de um século depois, em 1924, com a inauguração do sanatório Vicentina Aranha (o maior do país na época) para tratamento da tuberculose, a São José que nós conhecemos começou a ser lapidada para decolar [quase que literalmente]. O município foi transformado em estância climatérica e hidromineral em 1935 e recebeu investimentos do governo de Getúlio Vargas. Com melhora na infraestrutura, principalmente na área de saneamento básico, diversas empresas se interessaram em se instalar na cidade. Na primeira industrialização, São José teve grandes fábricas de cerâmica e tecido.

A vinda de empresas também atraiu imigrantes de outros estados – principalmente mineiros – e até mesmo de outros países, o que, segundo o historiador Carlos Tiaca, foi fundamental para o desenvolvimento da cidade.

“Na época da Tecelagem Parahyba vieram muitos – são cerca de 80 mil mineiros morando em São José hoje. Depois os mineiros vieram para trabalhar na Rhodia. Aí tem outra leva que veio para trabalhar na GM, gente de outros estados como paranaenses e baianos. Na época da industrialização veio muita gente de fora […] A colônia japonesa aqui também é muito grande. Eles começaram a vir na época da tuberculose, depois com a Kanebo e outras fábricas como a Panasonic”, explica o historiador

São José dos Campos se torna referência de tecnologia e celeiro de inovação

Assim como o Vicentina Aranha foi um marco na história da cidade, a inauguração de outra instituição transformou a história joseense em 1950: o Centro Técnico de Aeronáutica. Os precursores do projeto foram o então Coronel-Aviador Casimiro Montenegro Filho e o professor Richard H. Smith, formado no MIT (Massachusets Institute of Technology). A primeira grande construção do CTA foi o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

Outro acontecimento que colocou a cidade no mapa do desenvolvimento foi a inauguração da Rodovia Presidente Dutra em 1951, que se tornou a principal ligação do eixo Rio-São Paulo – São José ficou na rota das duas principais metrópoles do país.

Seguindo a tendência de pesquisas voltadas para o espaço, motivada pela corrida espacial entre EUA e União Soviética, em 1961 o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foi inaugurado em solo joseense.

No ano seguinte, em 1962, Ozires Silva se formou em engenharia aeronáutica no ITA e entrou na equipe (e depois se tornou

coordenador do projeto) de desenvolvimento de uma aeronave 100% brasileira que fomentasse o setor aéreo no país. Em 1968 o avião Bandeirante fez seu primeiro voo e, no ano seguinte, a Embraer foi criada para fabricá-lo em maior escala.

Hoje, a Embraer é uma das maiores empresas do mercado de jatos comerciais que também tem atuação no setor de defesa (com seu mais novo lançamento sendo o KC-390).

A vinda das instituições de pesquisa e fábricas de grande porte fomentou a criação de instituições de ensino, o que deu à cidade a característica de ter mão de obra altamente especializada.

Todo esse combo de acontecimentos transformou São José em um celeiro de inovação. As evidências são incontestáveis: de São José saíram avião que deu origem à uma das maiores empresas do país, o motor de carro movido a etanol, o primeiro satélite brasileiro, a urna eletrônica, dentre tantas outras contribuições tecnológicas.

Uma cidade do futuro

Esses acontecimentos do passado ainda têm muita influência sobre o presente da cidade e na vida dos munícipes. A empresa Visiona, instalada no Parque Tecnológico de São José dos Campos, é fruto de uma joint venture entre a Embraer e a Telebras criada em 2012 e atua no desenvolvimento de sistemas espaciais.

Atenta às necessidades da atualidade, um dos projetos mais atuais da empresa é um nanossatélite para monitoramento de desmatamento. Em entrevista ao Portal Meon em data anterior, o presidente da Visiona, João Paulo Campos, explicou que o trabalho do equipamento será observar a Terra, com foco especial em aplicações agrícolas e de combate ao desmatamento. A tecnologia do nanossatélite poderá, por exemplo, verificar se a plantação está saudável.

“Não adianta ter um satélite se ele não resolve algum problema. […] A gente acredita em alguns mercados que no Brasil são importantes: mercado do meio ambiente, mercado agrícola, que tem muita demanda e potencial, e a parte de internet das coisas. Estamos nos ancorando em três setores de alto crescimento”, explica João Paulo.

Outro grande exemplo da influência do passado de São José no presente da cidade é a criação do Método Supera. Criado pelo iteano* Antônio Carlos Perpétuo, o curso de “ginástica para o cérebro” nasceu em solo joseense, é totalmente inovador. Com foco em cuidar da saúde cognitiva das pessoas, de crianças até idosos, a criação e finalidade da instituição sintetiza o que tem de melhor em São José.

“O fundador é da cidade de Porto Feliz (SP) e veio pra cá justamente pra estudar no ITA, ele tinha sonho de construir um avião e realizou. […] Ele percebeu que o filho tinha dificuldade de se concentrar nos estudos, era um menino inteligente, mas ele não se adaptava ao método da escola. Foi então que começou a pesquisar e conheceu o ábaco, o soroban e a comunidade japonesa. Ele conheceu o método e pensou que poderia ajudar o filho. Depois de reunir o que tinha pesquisado, o Método Supera surgiu em 2006”, explica Bárbara Perpétuo, diretora da instituição.

Para que uma boa ideia surja é necessário ter um ambiente propício. Para que essa ideia seja executada é preciso persistência e apoio. Para que isso vire negócio é necessário aceitação e receptividade social. Para o fundador do Supera, a cidade de São José propiciou tudo isso.

“São José é uma cidade propícia para novos negócios, porque ela confere credibilidade, já que é um polo tecnológico, com muitas empresas de ponta, com o ITA, que também é uma referência na área do ensino, Embraer, CTA. Tem muitos fatores aqui que conferem altíssima credibilidade no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologias, seja serviços ou produtos. […] isso com certeza nos ajudou. Se a gente tivesse começado numa outra cidade qualquer, talvez tivéssemos um pouco mais de dificuldade para conquistar toda nossa aceitação e credibilidade”, disse Antônio Carlos. O empresário, que já atuou em diversos mercados além do de educação, destacou ainda que a cidade continua sendo um solo fértil para novos negócios principalmente por conta do Parque Tecnológico.

“E acredito ainda que a cidade com certeza continua um solo fértil para novos negócios, principalmente depois que foi criado o polo tecnológico, a incubadora de negócios. São José dos Campos vem se destacando nacionalmente no que tange às incubadoras, startups e desenvolvimento de novos negócios”, concluiu.

No passado, a cidade foi berço para grandes indústrias e hoje ainda tem suporte para criação de novas empresas inclusive para as que atuam no mercado digital. Como já citado nesta reportagem: para que uma boa ideia surja é necessário ter um ambiente propício. Para o coordenador do Nexus, hub de incubação e aceleração de startups do Parque Tecnológico de São José, a cidade tem esse ambiente e já pensa no futuro.

“São José é diferenciada por ter um ambiente que contempla empresas pequenas, médias e grandes, tem universidade, alunos, professores, pesquisadores, um poder público muito ativo. […] O Nexus mostra que a cidade vem se consolidando cada vez mais como ambiente de negócios”, disse Alexandre.

Fortes características continuam impulsionando São José para o desenvolvimento. Com alta densidade tecnológica, a comparação com o Vale do Silício americano é, de certa forma pretenciosa, mas com semelhanças importantes.

“A questão da geolocalização continua sendo um benefício, principalmente por São Paulo ser uma capital de negócios, essa proximidade é muito boa. São José também tem uma qualidade de vida alta, mas, além disso, temos cabeças pensantes. […] O que existe no Vale do Silício é algo único, mas temos que tirar boas práticas. O Vale do silício nasceu em uma cidade que chama San Jose, tem um grande ambiente de negócios, proximidade com uma grande capital – no caso São Francisco –, proximidade com universidades”, complementa.

Com essa bagagem histórica imensa e com ferramentas poderosas para o desenvolvimento, a expressão “para o alto e avante” continua soando forte na cidade. O secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico de São José, Alberto Marques Filho, conta que o próprio parque tecnológico é uma evidência de que a cidade está em crescimento. O secretário cita ainda a expansão de algumas empresas e vinda de novas corporações para a cidade.

“Nos últimos três anos a quantidade de pessoas que trabalham no parque dobrou. Em 2017 era algo em torno de 1.000 e hoje mais de 2.000 pessoas frequentam as empresas. Com relação aos alunos, a gente aumentou de 5.000 pra 5.500. […] A Parker em expansão, já foi finalizando a expansão da Prolind, uma empresa americana no setor de alimentos está interessada para vir pra região do Parque Tecnológico”, conta o secretário.

Alberto Marques Filho diz ainda que a cidade tem políticas de atração e de expansão para pequenos, médios e grandes empreendimentos, aprovação rápida e possibilidade de parceria tecnológica. Sobre o futuro, o secretário afirma que o objetivo é consolidar São José como uma cidade propícia para negócios e com qualidade de vida.

“Queremos que a cidade cada vez mais seja reconhecida com um ótimo ambiente de negócio, com qualidade de vida, sendo ainda muito viável para que as empresas se instalem aqui com o novo normal”, concluiu.

Algumas personalidades marcantes da nossa história

 

 

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