O Ministério da Saúde e a Cloroquina

 

Em menos de um mês, o Ministério da Saúde, perdia mais um mi­nistro. Depois da saída de Luiz Henrique Mandetta, foi a vez de Nelson Teich deixar o cargo. A discus­são sobre a liberação da Cloroquina no tratamento de pacientes voltou à tona. O recém ministro não teria concordado em autorizar o uso de um medicamento sem comprovações científicas, no tratamento e cura de pacientes com Covid-19. A pres­são por parte do presidente da república foi intensa, pois seria na visão dele uma forma de reforçar o argumento que leva­ria à retomada parcial da economia.

Com a saída de Teich, o ministro inte­rino, general Eduardo Pazuello assumiu a pasta. Mesmo sem ser médico, tem participado de decisões importantes e de grande relevância neste momento de pan­demia. Uma delas foi o anúncio da libera­ção da Cloroquina, seguindo a vontade de Jair Bolsonaro, que chegou a fazer piada dizendo que quem não quisesse tomar o medicamento poderia tomar tubaína.

A pasta orientou uso de cloroquina, associada ao antibiótico azitromicina, desde o primeiro dia de sintomas. Por não ser um protocolo, o papel não dita regras de atendimento no SUS. É ape­nas uma orientação, mas marca uma guinada no discurso do Ministério e tem força política.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou nota contrária à recomendação. A entidade questionou: “Por que estamos debatendo a cloroqui­na e não a logística de distanciamento social? Por que estamos debatendo a cloroquina ao invés de pensar um plano integrado de ampliação da capacidade de resposta do Ministério da Saúde para ajudar os Estados em emergência?”

O Ministério da Saúde tem sete secre­tarias, sendo que três estão com substi­tutos no comando. O responsável pela Secretaria de Ciência e Tecnologia (SC­TIE), área que avalia incorporação de medicamentos ao SUS, o médico Antô­nio de Carvalho não subscreveu o docu­mento e pediu exoneração.

A Associação de Medicina Intensi­va Brasileira, Sociedade Brasileira de Infectologia e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia aprovaram um documento com diretrizes para o enfren­tamento da pandemia no qual recomen­dam que as drogas não sejam usadas como tratamento de rotina.

Número de mortes passa dos 20 mil no brasil

O balanço do Ministério da Saúde di­vulgado no dia 22 de abril trazia um nú­mero assustador 21.048 mortos e 330.890 casos confirmados. O Brasil já era o se­gundo país no mundo com o maior nú­mero de casos confirmados da doença, atrás somente dos Estados Unidos. Das 20 cidades com maior mortalidade, 15 estão no Norte e cinco no Nordeste.

No estado de São Paulo os óbitos ultra­passaram de 6 mil e mais de 80 mil pes­soas estavam infectadas. Considerado o atual epicentro da pandemia no Brasil.

São José dos Campos, a maior cidade do Vale do Paraíba, tinha 30 mortes e 612 ca­sos confirmados em 132 bairros. A maio­ria no Jardim Aquarius e Urbanova.

Antecipação de feriado e isolamento social

Para evitar uma medida mais drásti­ca em São Paulo como lockdown, que é bloqueio total, foi decretada a antecipa­ção de feriados como ocorreu na capital, onde os feriados de Corpus Christi e Cons­ciência Negra foram adiantados para os dias 20 e 21 de maio. Medida que chegou a causar protestos no litoral contra turistas devido ao risco de aglomerações e barrei­ras sanitárias em rodovias do interior.

O governador João Doria, sancionou ainda o projeto de lei que autorizou a an­tecipação do feriado de 9 de julho (Revo­lução Constitucionalista) em todo estado para o dia 25 de maio. O objetivo era au­mentar o isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus.

Mas os números não sofreram mui­tas alterações. O Sistema de Moni­toramento Inteligente (SIMI-SP) do Governo de São Paulo mostrou que o percentual de isolamento social no estado oscilou entre 48% e 52%, con­tinuou longe do ideal de 70%.

A central de inteligência analisa os dados de telefonia móvel para indicar tendências de deslocamento. Com isso, é possível apontar em quais regiões a adesão à quarentena é maior e em quais as campanhas de conscientização pre­cisam ser intensificadas, inclusive com apoio das prefeituras.

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