RMVale no caminho do desenvolvimento

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte é uma das mais importantes do Estado de São Paulo. Polivalente, tem o melhor da indústria, tecnologia, agropecuária, turismo litorâneo, religioso e histórico.

A RMVale é ambiciosa e está constantemente buscando maneiras de alcançar novos patamares. E sem dúvida o caminho para o crescimento é o fortalecimento por meio da integração dos municípios.

Segundo Délcio Sato (PSD), presidente do Codivap (Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba) e prefeito de Ubatuba, as prefeituras estão em diálogo para discutir projetos que favoreçam a região como um todo, não somente um município. Segundo Sato, o plano diretor regional está sendo estudado.

“Já começamos a discutir o plano diretor regional. Tivemos uma reunião no ano passado e vamos retomar agora para dar prosseguimento junto ao estado”, afirma Sato.

O presidente do Codivap conta que há dois assuntos em evidência para serem acompanhados durante este ano. O primeiro é em relação ao novo contrato de concessão da Rodovia Presidente Dutra, o atual vence em 2021 e deve passar por nova licitação ainda em 2019.

A Presidente Dutra é a principal rodovia do país e para Sato é necessário que o novo contrato de concessão apresente melhorias para favorecer ainda mais o tráfego pela região. “A principal questão a ficarmos atentos é realmente a Dutra. É preciso melhorias em vários pontos e construção de viadutos de acesso em algumas cidades”, comenta o prefeito.

O segundo ponto é em relação a distribuição dos royalties do petróleo. Sato explica que há um projeto em andamento para que a verba da extração seja distribuída entre todas as cidades, até mesmo as que não contribuem para a produção de combustível fóssil. Isso, em sua análise, prejudicaria as cidades litorâneas que estão diretamente ligadas a esta atividade e “se apoiam” no royalties.

De fato, esses e outros projetos têm algo em comum: foco no desenvolvimento da região. Para Felício Ramuth (PSDB), prefeito de São José dos Campos, é necessário pensar no crescimento integrado para ter resultados positivos.

“O desenvolvimento legítimo é aquele que contempla não só uma cidade, mas toda a região. Nós temos projetos em comum com outras cidades. São José está consolidada como pólo do desenvolvimento regional, portanto temos obrigação em ser liderança no desenvolvimento”, comenta Felício.

Entre os projetos que fomentem o crescimento regional, Felício destaca a criação da “Cidade Tecnológica”, um “bairro” planejado especialmente para o desenvolvimento tecnológico. O loteamento é a ampliação do Parque Tecnológico e considerado o primeiro distrito de inovação planejado do Brasil.

O loteamento contará com lotes específicos para empresas industriais e tecnológicas. Haverá zonas destinadas a comércios como padarias, farmácias, hotéis, etc. E também lotes para construção de residências, até mesmo prédios.

“É um edital inovador. Vai permitir ações de desenvolvimento que podem ser replicadas em outras cidades do país. Existe uma expectativa que possamos atrair empresas e tecnologias até mesmo de outros países para a região”, diz Felício.

Para o economista José Augusto Paes Deccache, mestre em administração e coordenador do Curso de Ciências Contábeis do Unisal (Centro Universitário Salesiano) de Lorena, o caminho do desenvolvimento é o investimento e distribuição do conhecimento.

“Temos várias universidades e institutos de pesquisa importantes que com certeza contribuem para a economia. Esses órgãos podem ajudar muito mais realizando novas parcerias e distribuindo esse conhecimento para outras regiões do Vale”, comenta.

Deccache diz ainda que os municípios devem buscar cada vez mais o desenvolvimento como região. O economista explica que as microrregiões da RMVale devem se unir para analisar maneiras de investir assertivamente.

Como exemplo, aponta as cidades de Aparecida, Guaratinguetá e Cachoeira Paulista, ambas tem como principal atividade o turismo religioso. “As três deveriam pensar como região. Entender o que é o turismo, investir nos pontos fortes das cidades e distribuir o capital entre elas”, afirma Deccache.

Por conta dessas e outras questões, os municípios membros do Codivap buscam apoio dos deputados da região para intercederem junto aos governos, federal e estadual. “Já tivemos três reuniões com o estado para tratar dos recursos direcionados a região. Estamos falando com os deputados para que nos auxiliem nessas questões”, relata o prefeito de Ubatuba, Délcio Sato.

Sato diz ainda que o próximo grande passo da RMVale é fazer uma reunião com o Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. “Temos lutado para que o Vale do Paraíba e Litoral Norte sejam tratados de fato como Região Metropolitana. Queremos recursos para fomentar o turismo, indústria e tecnologia. Precisamos de recursos para colocar os projetos em prática”, afirma Sato.

A força da RMVale

Para o prefeito de Paraibuna, Victor de Cássio Miranda, o Vitão (PSDB), presidente do conselho da RMVale e Litoral Norte a viabilização do PDUI (Plano de Desenvolvimento Urbanístico Integrado), além de questões como saúde, segurança e turismo são essenciais para alavancar o desenvolvimento da região.

“O PDUI é um ponto essencial para gente poder captar recursos, investimentos em segurança reforçando o policiamento nas cidades, além da instalação de câmeras de monitoramento na entradas dos municípios e as margens das rodovias são fatores importantes para redução da criminalidade e estímulo ao crescimento. O Estado precisa também concluir as obras do hospital regional do Litoral Norte e estabelecer uma dinâmica para melhorar as condições do atendimento a saúde na região do Vale Histórico”, afirmou o presidente.

A atividade turística é uma das principais fontes de geração de emprego e renda em nosso país e tem na RMVale e Litoral Norte potencial de desenvolvimento sustentável.
“Precisamos de investimentos para melhorar a infraestrutura turística de nossas cidades. O prolongamento da Carvalho Pinto, assim com as obras da Tamoios são importantes estratégias para o crescimento da atividade em nossa região”, finalizou Vitão.

Dados da RMVale

Segundo dados do IMP (Informações dos Municípios Paulistas), em 2016 o PIB (Produto Interno Bruto) da RMVale foi de R$98 bilhões equivalente a 4,81% do PIB do estado de São Paulo. No mesmo ano, as exportações somaram mais de R$10 bilhões, o que representa cerca de 18% das exportações de todo o estado.

De acordo com o economista José Augusto Paes Deccache, a localização geográfica favorece muito a região. “Estamos praticamente no meio do caminho das duas principais cidades do país: São Paulo e Rio de Janeiro. A região do Vale teve e tem um crescimento muito grande de tecnologia justamente pela facilidade na logística da região”, aponta Deccache.

A presença de grandes instituições de pesquisa e universidades como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o Parque Tecnológico de São José, também contruibui para que a região seja um polo industrial e tecnológico. Em 2016, somente o setor industrial movimentou mais de R$30 bilhões na RMVale.

Duplicação da Tamoios

Um dos grandes investimentos no Vale do Paraíba é a ampliação da Rodovia dos Tamoios, principal estrada de acesso ao Litoral Norte. Iniciada em 2013 e com custo de R$4,5 bilhões, as obras fazem a manutenção das vias existentes e duplicam o trecho de Serra.

Segundo a concessionária Tamoios, por ano cerca de 25 milhões de veículos passam pela rodovia, grande parte por conta do turismo no litoral norte. De acordo com dados do IMP-Seade, somente o setor de serviços das quatro cidades do litoral movimentou mais de R$7,5 bilhões em 2016.

As obras nos 48,9 quilômetros de estradas no trecho de planalto foram finalizadas em 2014. Já no trecho de serra, com cerca de 21,5 quilômetros, as obras foram iniciadas em 2017 e estão a todo vapor com previsão para serem finalizadas em 2020, segundo a Dersa.

A obra de duplicação conta com cerca de 2,5 quilômetros de viadutos e mais de 12 quilômetros de túneis. Um dos túneis será o maior do Brasil com 5,55 quilômetros ininterruptos.

As obras e serviços oferecidos pela Concessionária Tamoios foram projetados para representar uma significativa mudança na mobilidade.

Setor automotivo e a RMVale

O setor automotivo tem sofrido para manter a atividade em constante crescimento no país, assim como dos demais segmentos que movimentam a economia. Desde meados de 2014, início da crise no Brasil, é recorrente a queda de produção e exportação de veículos.

Na RMVale, o cenário não é diferente, com números que refletem essa recessão. São José dos Campos, Taubaté e Jacareí diminuíram a exportação de veículos entre 2017 e 2018. Há dois anos, os três municípios exportaram aproximadamente 55% a mais do que o ano passado. Em 2017 foram exportados US$ 1,4 bilhões contra US$ 914 milhões, respectivamente.

Em todo o país, a produção de veículos também teve queda de 10% em janeiro de 2019, segundo balanço divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

De acordo com a entidade, 196.767 carros, comerciais leve, ônibus e caminhões foram produzidos no mês em comparação com o mesmo período de 2018, quando 218.717 veículos saíram das linhas de montagem.

Para o economista da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São José dos Campos, Alexandre Vander o país ainda vive descredibilidade. “Estamos vivendo um período de receio dessa possível retomada de crescimento. Você não vê por aí a pessoa trocando de carro, comprando um novo, como era comum acontecer em 2010”, disse.

Em novembro do ano passado, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a economia do país cresceu 0,8% no terceiro trimestre daquele ano, em relação ao trimestre anterior. Com isto, os economistas do Banco Central divulgaram no dia 11 de fevereiro que a projeção do PIB para 2019 era de fechar em 2,5%.

Embora haja essa expectativa, o economista da FAAP acredita que essa alta não será suficiente para impulsionar o setor automotivo no país. “Eu acredito que quando o governo falar em bater 5,5%, que era aquele período de auge no país, aí sim a gente pode ficar otimista. Mas para isto acontecer é um reflexo cadeia, com a população saindo do endividamento, o aumento do consumo. Particularmente, eu acredito que para os próximos anos o cenário continue o mesmo”, informou.

Apesar disso, a chinesa Chery, com planta em Jacareí, prevê crescimento para este ano com produção superior a 40 mil veículos (24 mil em Jacareí/ 16 mil veículos em Anápolis). Em 2018, a fábrica fechou o ano com aumento de 131,6% nas vendas e 8.640 unidades comercializadas e mais de 10 mil veículos produzidos.

A General Motors foi procurada, mas disse que não divulga números de produção. A GM tem enfrentado dificuldades para se manter no Brasil, inclusive ameaçou fechar as fábricas no país. No início de fevereiro, os metalúrgicos de São José dos Campos aprovaram a pauta de pedidos da fabricante como garantia de investimentos na planta da cidade após seis rodadas de negociações. Atualmente, a GM emprega cerca de 5 mil trabalhadores. 

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