Finanças&

Golpe bastante comum faz diversas vítimas, que são atraídas pela promessa de dinheiro fácil

Pirâmide financeira: entenda como funciona e saiba evitar

Jefferson Santos - RMVALE

A promessa de que o dinheiro investido terá rendimentos altíssimos por dia e retorno do valor garantido em curto espaço de tempo pode ser um sinal de que este seja mais um golpe de pirâmide financeira. Muito comum em todo o mundo, a prática é conhecida por muitos e mesmo assim, continua a causar prejuízos a diversas pessoas. Especialistas alertam que dinheiro nunca é gerado de forma fácil e rápida e o melhor é sempre buscar
um assessor de investimentos.

Os golpes de pirâmides ocorrem em muitos países. No Brasil, por exemplo, há inúmeros casos, sendo os mais conhecidos denomidados por suspeita da prática: “Telexfree”, “Alcateia”, “Boi Gordo” e “Avestruz Master”. Mas há registros de golpes como estes que
tiveram repercussão mundial, como o de Bernard Madoff , ex-investidor de 81 anos, acusado e condenado como pivô da maior fraude de pirâmide da historia, nos Estados Unidos, com desvio de US$ 20 bilhões (R$ 82,9 bilhões). A reportagem tentou levantar dados de boletins de ocorrência sobre o assunto na Região Metropolitana do Vale do
Paraíba e Litoral Norte (RMVale), mas as policias militar e civil não possuem os dados.

Porém, em julho deste ano um caso ganhou repercussão na região depois de um grupo de ao menos 40 pessoas procurar a Polícia Civil para denunciar uma prática um tanto quanto suspeita. Um casal é investigado suspeito de ter aplicado o golpe da pirâmide e causado prejuízo que pode superar os R$ 40 milhões.

Segundo o que as vítimas informaram à polícia, as pessoas investiam quantidade diversa de dinheiro em uma suposta fábrica de roupas que o casal mantinha em São Paulo e a mulher, que sempre estaria acompanhada de seu esposo, prometia aos investidores que
eles receberiam o valor apostado sobre os lucros de vendas feitas pela fabricante – o que nunca aconteceu. Semanas antes de o grupo procurar a polícia, o casal desapareceu e só foi encontrado dois meses depois, em Goiânia.

“As pessoas são acostumadas
a tomar chás milagrosos para
emagrecer e acabam buscando
a mágica para fazer o dinheiro render”

Breno Andrade,
sócio da WFlow Investimentos

Como identificar a pirâmide

Atualmente, o acesso à informação tem proporcionado maior conhecimento para as pessoas, seja por meio de compartilhamento de notícias em redes sociais e grupos de mensagens ou até mesmo por matérias e informações divulgadas pela imprensa.
Porém, esse acesso faz também com que as pessoas estejam mais vulneráveis e possam ser atingidas facilmente por propagandas enganosas, entre elas, investimentos fraudulentos.

De acordo com o delegado titular da delegacia de polícia de Campos do Jordão, Luis Geraldo Ferreira Junior, as pessoas precisam sempre duvidar de anúncios de dinheiro fácil.
“As pessoas precisam conhecer o negócio em que estão entrando para não cair em golpes de falsos investidores que oferecem um serviço que não tem o retorno prometido. Dinheiro fácil tem sempre que desconfi ar e saber com mais detalhes sobre a proposta.
A ganância por parte da vítima só a deixa em situação de vulnerabilidade”, alerta.

Ainda de acordo com o delegado, pessoas que fazem abordagens pessoalmente sempre vão tentar persuadir a vítima e, por isso, precisa haver ainda mais atenção.
“O perfi l desse tipo de criminoso é alguém que transmite credibilidade, que aparenta ter sucesso fi nanceiro e que passa a imagem de bom negociador. Esse é o mesmo perfil do estelionatário, que engana as vítimas”, disse.

Por que as pessoas são enganadas?

Diversos são os fatores que podem levar uma pessoa a entrar em um esquema fraudulento, desde a vítima ser enganada, a falta de informação e até mesmo a ganância de alguns para obtenção de dinheiro. E em tempos de crise, onde mais de 10 milhões de brasileiros estão desempregados, a chance de alguém se envolver em esquemas
de pirâmide financeira também pode ser maior. Segundo Breno Andrade, sócio da
WFlow Investimentos, de São José dos Campos, o comportamento social do brasileiro também é ‘porta de entrada’ para oportunistas conseguirem aplicar esses golpes em uma quantidade grande de pessoas.

“O que cresce com bastante atratividade para a atuação dessas pirâmides financeiras é o público brasileiro que é acostumado ou esperançoso demais com resultados expressivos
em curto prazo. As pessoas são acostumadas a tomar chás milagrosos para emagrecer e acabam buscando a mágica para fazer o dinheiro render. Então, isso tudo tem que ser alertado porque quando se fala em investimentos existe uma relação direta com risco
e retorno”, informa. No mercado financeiro, ambiente onde acontecem operações de investimentos, a compra de ações está associada a diversos riscos, como de liquidez,
do próprio mercado interno e externo, do crescimento da empresa e entre outros. As pirâmides financeiras prometem um alto retorno e, obviamente, existe um grande risco, seja de mercado ou de crédito, ou seja, calote.

“Existem alguns sinais de alerta que sempre alertamos. A piramide financeira é caracterizada por rentabilidade associada a uma falsa segurança fora das práticas de mercado. Por exemplo, hoje temos uma taxa conservadora de juros no Brasil de
5,5% a 6% de crescimento ao ano. Em alguns casos de pirâmides financeiras, são prometidos rentabilidades de 2% ao dia, o que é impossível”, alerta o assessor de investimentos Breno Andrade.

Por isso é importante procurar uma assessoria especializada em investimentos para fazer o seu dinheiro render de forma segura. O profissional especializado nesta área está ligado
diretamente ao acompanhamento do mercado financeiro e, com a análise de perfil de cada investidor, conseguirá indicar qual o melhor segmento para aplicar o seu dinheiro.

“Era tentador
porque prometia
rendimento de 1%
ao dia, mas hoje
não posso me dar
esse luxo”

Bruno Dias Eduardo,
engenheiro mecânico

O engenheiro mecânico Bruno Dias Eduardo, de Jacareí, quase perdeu boa parte do seu dinheiro. Em agosto de 2017, o engenheiro foi demitido da empresa onde trabalhava há alguns anos e recebeu cerca de R$ 80 mil. Desempregado, o namorado de sua cunhada sugeriu que ele entrasse em um esquema de aplicações. Bruno explica que para entrar no negócio ele podia investir o valor que quisesse, mas a rentabilidade do dinheiro variava
com a classificação que ele atingia, ou seja, quanto mais investimento, maior o lucro.
“Estava pensando em investir boa parte do dinheiro que consegui quando fui mandado embora do meu antigo emprego. A minha sorte é que antes fui procurar saber como funcionavam essas questões de investimentos e procurei alguém especializado, que desaconselhou a investir nessa oportunidade. Era tentador porque prometia
rendimento de 1% ao dia, mas hoje não posso me dar esse luxo”, relatou.

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