Esporte

Skate: da RMVale para o Mundo

Samuel Strazzer - RMVALE

O skate foi oficialmente declarado esporte olímpico durante os jogos do Rio em 2016
e sua estreia acontecerá em 2020 nas Olimpíadas de Tóquio. A menos de um ano da competição, a CBSK (Confederação Brasileira de Skate) já definiu os integrantes da seleção brasileira que disputam vagas para a primeira edição dos jogos que terá a modalidade.
Representando a RMVale, a joseense Pamela Rosa, 19 anos, é um dos grandes nomes brasileiros, se não do mundo, no skate feminino.

Em setembro deste ano, Pamela foi campeã do Street League Skateboarding World Championship que aconteceu em São Paulo – competição mais importante da primeira janela da corrida olímpica para Tóquio 2020. A atleta afirma que o país está
muito bem representado no cenário mundial do skate.

“Independentemente dos skatistas que estiverem nas Olimpíadas, o Brasil estará bem representado. Os skatistas de todo o mundo não só nos respeitam como nos admiram muito! Já ouvi de vários atletas que os brasileiros são os mais “cascudos”, muita
técnica e raça no ‘carrinho’ [skate]”, afirma Pamela.

Esses grandes atletas surgiram, pois, ao longo dos anos, o skate foi ganhando força como ‘contra cultura’ no país, crescendo no meio underground. Para Pamela, mesmo com nomes ilustres no cenário mundial, ainda é necessário muito incentivo ao esporte no Brasil.

“[…] não ser levado a sério pelo poder público, falta de interesse de patrocinadores da indústria e comércio nacional inibe e muito o surgimento de mais e mais talentos. As pistas não são feitas por especialistas, geralmente são desproporcionais, abandonadas,
sem iluminação e manutenção”, comenta Pamela.

O Skate na RMVale

O Skate é consideravelmente bem difundido na RMVale. Somente nas quatro cidades do Litoral Norte, há mais de 20 pistas. São Sebastião é a com maior número tendo nove pistas
distribuídas pela cidade. As prefeituras de Taubaté e São José dos Campos disponibilizam instrutores para os praticantes em algumas pistas. Taubaté conta com ao menos
cinco áreas destinadas a prática de skate e esportes radicais – a monitoria acontece em dois bairros: no Jardim Santa Clara e Cidade de Deus.

Já em São José dos Campos, são 20 pistas de skate e esportes radicais. A monitoria fica concentrada no Centro da Juventude, região sul – local tradicionalíssimo para o skate joseense. Renan Farias Alves, 29 anos, começou a andar de skate há cerca de 18
anos. Hoje ele é instrutor de esportes radicais no mesmo local. “Comecei a andar de skate na pista do Centro da Juventude em 2001, quando o local ainda era conhecido apenas como Pavilhão. Há seis anos, sou instrutor de esportes radicais na mesma pista”, conta o skatista.

“Comecei a andar de skate na pista do Centro
da Juventude em 2001, quando o local ainda era
conhecido apenas como Pavilhão. Há seis anos,
sou instrutor de esportes radicais na mesma  Pista”

Renan Farias Alves,
instrutor de esportes radicais

 

A monitoria na pista abrange outros esportes radicais além do skate. Renan explica a necessidade de cadastro para a prática. “Todos os atletas e simpatizantes das modalidades de skate, patins, bmx e scooter devem se cadastrar com os monitores. Esse cadastro contém os dados pessoais e contatos de emergência para o caso de algum acidente,
para que possamos acionar os familiares responsáveis”, explica. O município de Monteiro Lobato – que tem pouco mais de 4.600 habitantes (IBGE, 2019) – também abraçou a
causa e entrou de cabeça no mundo do skate. Em parceria com o Governo do Estado, a cidade inaugurou uma pista em agosto deste ano e um mês depois realizou um evento que contou, inclusive, com a participação de Pamela Rosa.

“Desde que foi inaugurada, a Pista de Skate já se tornou um ponto de encontro dos praticantes desta modalidade que cresce e se profissionaliza cada vez mais no país. […] O melhor de tudo é que as famílias também usam o entorno da Pista de Skate para
assistir os filhos durante a prática do esporte, fazem piqueniques e atividades físicas”, conta Daniela de Cássia (PSB), Prefeita de Monteiro Lobato. E não para por aí, de acordo com a Secretaria de Esportes, a prefeitura pretende contratar instrutores de skate no próximo ano para incentivar e profissionalizar cada vez mais o esporte na cidade.

Os lobatenses aderiram tão bem a modalidade que alguns munícipes criaram um grupo de esportes radicais, o ‘Radicais Livres’. Aruaí Ferreira Penina, 28 anos, é um dos fundadores da equipe e afirma que o objetivo do ‘Radicais Livres’ é incentivar o esporte em Monteiro.
“Existe um monte de gente que começou a andar agora e a repercussão é nítida na molecada. […] Se eu tivesse tido oportunidade, queria viver de esporte, mas não tive. Então quero criar essa oportunidade para quem está por vir, tanto para o meu filho,
quanto para meus amigos e até para a galera que não conheço ainda”, afirma Aruaí.

Da pista de bairro para o topo do mundo

Apesar de ter apenas 19 anos, a skatista joseense Pamela Rosa já tem cerca de 10 anos de história no skate. Pamela conta que praticava outras modalidades esportivas e conheceu o
esporte radical por acaso. “Meu Pai me tirou a bicicleta porque o trânsito onde morávamos ficou perigoso e eu ‘abusava’. Um amigo de minha irmã Maria Paula chamado Mario Gomez foi até em casa fazer trabalho escolar com um skate, eu fiquei encantada e pedi para andar, mas ele negou alegando ser perigoso demaispara uma menininha de 9 anos que
sequer havia visto um antes. Porém na primeira distração dele e para oespanto de todos,  subi no Skate e descendo a guia comecei a remar rua abaixo”, conta Pamela.

Pouco depois do primeiro contato com o “carrinho” – maneira como o ‘skate’ é chamado carinhosamente por ela – inauguraram um Centro Poliesportivo com uma pista de esportes radicais no bairro em que Pamela morava. Ela diz que “enchia o saco” dos meninos
que andavam na pista para lhe emprestarem um skate. A insistência foi tanta que sua mãe comprou um skate para ela com o dinheiro que iria usar para pagar contas de água e luz.

“Todos os dias eu ficava na pista chorando e atrapalhando o rolê dos meninos pedindo que me emprestassem seus skates, pois eu não tinha dinheiro para comprar um. Por ser a
única menina ali e já parava em cima do carrinho, Mário Gomez [amigo da irmã] me ajudou a perturbar a minha  mãe. Para não me ver chorar, ela pegou o dinheiro que meu pai deixou para pagar umas contas de água e luz e comprou um skate para mim. Virei uma mascote da molecada do bairro e não parei mais”, dia Pamela.

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Depois disso, Pamela foi se esforçando cada vez mais até se tornar uma das maiores skatistas do mundo. Além do Street League Skateboarding World Championship que venceu em setembro, a skatista já coleciona títulos internacionais importantes. “Todas as conquistas que obtive são importantíssimas para mim, porém as mais impactantes foram as seis medalhas dos X Games, duas vezes Campeã do Dew Tour, duas vezes Campeã Mundial (WCS) e agora Campeã Mundial do Super Crown da Street League”, conta a atleta.

“Todos os dias eu ficava na pista
chorando e atrapalhando o rolê
dos meninos pedindo que me emprestassem
seus skates, pois eu não
tinha dinheiro para comprar um”

Pamela Rosa,
skatista

 

 

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