Esporte&

Ainda lutando para ser profissional no País, o esporte tem cativado cada vez mais os brasileiros e é visto com futuro promissor

Rúgbi na RMVale: muito a crescer e conquistar

A lenda esportiva diz que quando Charles Miller voltou ao Brasil, em fevereiro de 1894,
após um período de estudos na Inglaterra, ele trazia duas bolas na bagagem. Uma esférica e outra oval. Quis o destino que o futebol, esporte jogado com a “redondinha”,
ganhasse mais espaço e se tornasse mais popular no país. Mas e a bola oval? Que fim levou? Ela se tornou objeto de outro esporte, não tão popular a ponto de ser chamado de “febre nacional”, mas que também arrasta um grupo considerável de pessoas. Com o passar dos anos, o rúgbi vem conquistando público e aumentando sua popularidade no Brasil e também na RMVale.

Na região, pelo menos quatro times levam o nome do Vale do Paraíba para todo o estado e país. São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba e Jacareí são sedes de clubes que disputam competições oficiais. Entre esses times, o mais conhecido é o São José Rugby Clube, que nasceu pelas mãos de um argentino. Guillermo Colins organizou um time de rúgbi treinando alunos do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) em 1982. A
paixão pelo esporte passou para o filho Matias que, ainda adolescente, dava aulas para crianças de 9 a 13 anos. A partir daí, a equipe do São José cresceu, passando a vencer competições de categorias de base até chegar à conquista do Campeonato Brasileiro. E esse foi apenas o primeiro campeonato nacional da galeria de troféus, que conta também
com títulos paulistas, femininos e até de “Beach Rugby”, com a disputa do esporte na areia.

E o sucesso do esporte em São José dos Campos fez com que a prática do rúgbi ultrapassasse barreiras. Mais que isso: fronteiras! Foi Edis Abrantes, ex-jogador de São José, que levou o esporte até a cidade vizinha, Jacareí, em 2003. Assim como Charles Miller, ele levou os conhecimentos das regras, uma bola e começou a ensinar jovens alunos
que cursavam o ensino médio em uma escola da cidade. Surgia assim, o embrião do que viria a ser o Jacareí Rugby que todos conhecem hoje. “Eu cursava faculdade em Jacareí
que ficava no mesmo campus onde funcionava o colégio. E em São José a gente já estava iniciando um projeto para levar o rúgbi para a periferia da cidade. Percebi a possibilidade de realizar um trabalho paralelo em Jacareí, formando uma equipe com os alunos desse colégio, com objetivo de participar da competição programada no projeto e inserir o rugby
no município. Com o apoio dos administradores do colégio, iniciei este trabalho que resultou na formação do 1º time de rúgbi de Jacareí” relembra.

“Eu cursava faculdade
em Jacareí que
ficava no mesmo
campus onde funcionava
o colégio. E
em São José a gente
já estava iniciando
um projeto para
levar o rúgbi para a
periferia da cidade.”

Edis Abrantes,
Ex-jogador

Três anos depois da semente plantada, nascia a Associação Esportiva Jacareí Rugby, com o objetivo de criar condições ideais para a modalidade formar uma base sólida para seu desenvolvimento no município. Com isso, a cidade ficou conhecida por ser celeiro de craques do rúgbi nacional. Muitos garotos que marcaram os primeiros pontos nos  gramados da cidade conseguiram um espaço em outros times de São Paulo e até fora do Estado. “Já teve caso de atleta nosso que foi jogar e estudar em Curitiba, por exemplo”, diz
Abrantes.

Valdir Lemes, 52 anos, gestor do Jacareí Rugby, garante que a cidade tem a categoria de base mais forte do país. Ao todo, a entidade conta com aproximadamente 600 atletas em 11 categorias, desde o infantil até o adulto, tanto no masculino quanto no feminino. “O
rúgbi é um esporte que não tem custo para participar, então não exclui ninguém. O alto, o  baixo, o gordo, o magro podem jogar. E nós damos todo o suporte”, diz. “A gente está montando uma estrutura para selecionar atletas com potencial  e exigir mais deles no esporte e também na parte social, na escola”, completa Lemes.

“Eles me explicaram,
mais ou menos,
como eram as regras,
mas no começo
eu não me interessei
muito.”

Luiz Gustavo Andreoti Junior,
Jogador

Com a categoria de base forte, o time de Jacareí cresceu e, para não perder os jogadores que não tinham mais idade para disputar jogos por categorias menores, em 2013 foi criada a equipe adulta. Muitos dos atletas que, antes, eram meninos se divertindo e aprendendo um novo esporte, se tornaram jogadores da equipe principal. É o caso do Luiz Gustavo Andreoti Junior, de 25 anos. Ele iniciou as atividades em 2005, incentivado pelos irmãos que também fizeram parte do time do Jacareí Rugby. “Eles me explicaram, mais ou menos,
como eram as regras, mas no começo eu não me interessei muito. Depois eu fui ver como era e comecei a treinar”, explica.

Profissionalismo? Ainda não…

Apesar de fazer parte da equipe adulta do Jacareí Rugby, Luiz Gustavo não tem o esporte omo profissão. Cursando faculdade de fisioterapia, escolhida por influência do esporte, ele divide seu tempo entre os estudos no período da manhã e os treinamentos nas noites de
terça e quinta. Com essa rotina, ele não esconde que gostaria de ver o esporte um pouco mais valorizado. “Infelizmente ainda não posso dizer que sou profissional de rúgbi porque eu não me mantenho exclusivamente do esporte. Atualmente estou sem emprego e concentro o esforço nos estudos. Já tive algumas contusões musculares e acabei escolhendo a fisioterapia porque é uma área que tem a ver com o esporte”, diz.

Situação semelhante vivem os jogadores do Taubaté Rugby. Segundo Rômulo Soler, 32 anos, jogador da equipe taubateana, os atletas também têm sua rotina dividida entre trabalho e treinos. “Aqui em Taubaté todos são atletas e têm sua profissão.”, diz.
A equipe, que também conta com categoria de base com jovens de 7 a 18 anos, disputa hoje o Campeonato Paulista de Desenvolvimento. “Nós chegamos a disputar o Campeonato
Paulista D, mas esse ano decidimos dar um passo atrás para pegar um campeonato mais tranquilo quanto à questão de logística”, diz Soler. A justificativa, claro, é a questão financeira. De acordo com o jogador do Taubaté Rugby, a equipe passou por dificuldades
financeiras no último ano.

“Nós chegamos
a disputar o
Campeonato Paulista
D, mas esse ano decidimos
dar um passo
atrás para pegar
um campeonato
mais tranquilo quanto
à questão
de logística.”

Rômulo Soler,
Jogador

“A gente passou um ano não muito bacana financeiramente e por isso preferimos não assumir o compromisso de jogar uma Série D por causa do orçamento”, explica o taubateano. Apesar disso, ele afirma que o clube tem parceiros que ajudam em alguns custos. “Nós temos parcerias boas com o Sesi, com a prefeitura que nos dão um apoio.

E o futuro?

Apesar de todas as dificuldades financeiras, de estrutura e logística enfrentadas pelas equipes da RMVale, ofuturo parece ser promissor na previsão  de atletas e gestores. Para Rômulo Soler, o fato de São José e Jacareí se destacarem com times fortes em vários
campeonatos faz com que as outras equipes da região fiquem no foco das atenções. “Vejo hoje o cenário aqui na RMVale muito forte com São José sendo referência nacional, Jacareí muito forte também, o que agrega e dá muita atenção pra cá. Uma modalidade em alta, crescente há alguns anos. O pessoal vem conhecendo e vem entendendo mais o rúgbi”, pontua Soler.

“O futuro é a profissionalização.
Já tem vários times que levam
nossos atletas para jogar em outros lugares.”

Valdir Lemes,
Gestor do Jacareí Rugby

Opinião semelhante tem Valdir Lemes. O gestor do Jacareí Rugby acredita, porém, que os avanços não serão tão rápidos quanto se espera. “O futuro é a profissionalização. Já tem
vários times que levam nossos atletas para jogar em outros lugares. Aqui no Vale ainda acho que vai demorar um pouquinho”, afirma.

Copa do Mundo sub-20 de Rugby

Capital do Vale também no rúgbi, São José dos Campos sediou em julho a Copa do Mundo  o esporte na categoria sub-20. O campeonato teve a participação de oito seleções e jogos realizados no estádio Martins Pereira. A Seleção Brasileira, que contou com a participação de jogadores de São José e Jacareí, venceu apenas um jogo e ficou na sétima colocação.O resultado positivo veio contra Hong Kong, pelo placar de 32 a 29. Na final, Japão e Portugal se enfrentaram e os japoneses ficaram com o troféu ao vencerem por 35 a 34.

 

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