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A RMVale também é terra do golfe

De longe, a grama verde, que mais parece um tapete, pode nos remeter aos campos de futebol mais famosos do mundo. Mas, chegando cada vez mais perto, é possível notar que não existem traves e nem linhas que demarcam o campo. Estão lá apenas buracos assinalados com bandeiras. Para muitos brasileiros, o golfe ainda é uma realidade muito distante. O país, conhecido mundialmente pelos craques de futebol que fizeram e fazem história, ainda não pode ser considerado uma potência em um esporte visto, muitas
vezes, como elitizado. No Brasil, o golfe existe desde 1958, quando Seymour G. Marvin criou a Associação Brasileira de Golfe. Marvin, aliás, foi o primeiro brasileiro a participar de uma competição mundial, realizada um ano antes nos Estados Unidos. Anos mais tarde, o
país teve outro capítulo importante na história do esporte, já que nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o golfe voltou ao calendário da competição após mais de um século de ausência. Na RMVale, o esporte ainda engatinha.

De acordo com a CBG (Confederação Brasileira de Golfe), apenas Guaratinguetá e São José dos Campos possuem campos credenciados para a prática do golfe. Em Guará, a sede do esporte é o Clube dos 500. O campo com 9 buracos existe desde 1964 e é credenciado também junto à Federação Paulista de Golfe. De acordo com André Santos, responsável pelo marketing do clube, o campo recebe cerca de 50 jogadores por mês. “Se você já é praticante, basta pagar uma taxa (green-fee) que varia de R$50 à R$160,00 para jogar. Oferecemos aluguel de equipamentos e Pro-Shop para venda de assessórios. Para quem joga com mais frequência a opção de se tornar membro custa R$ 6.000,00 divididos em 12 vezes. Com essa opção você tem green-fees ilimitados, joga quantas vezes e quando quiser”, afirma Santos. O clube oferece também clínicas de golfe com professor capacitado para transmissão dos fundamentos básicos aos iniciantes e também outros estágios do esporte para os jogadores, tudo para “desenvolver e promover a cultura e o espírito do golfe”, que é um dos projetos do clube. Já em São José dos Campos, existe o campo da Associação Esportiva, localizado no Clube de Campo Santa Rita e foi criado em 1963, com apenas três buracos. Hoje o campo conta também com nove buracos, espalhados por 19 hectares, considerado por muitos o cartão postal do clube que conta com 200 praticantes por mês em média. O valor do green fee para a prática do esporte varia de R$ 88 a R$ 220. O local também oferece aulas para crianças entre cinco e 11 anos às sextas-feiras.

“Se você já é praticante,
basta pagar uma taxa
(green-fee) que varia de
R$50 à R$160,00 para jogar.
Oferecemos aluguel de
equipamentos e Pro-Shop
para venda de assessórios.
Para quem joga com mais
frequência a opção de se
tornar membro custa R$
6.000,00 divididos em 12
vezes. Com essa opção
você tem green-fees ilimitados,
joga quantas vezes e
quando quiser.”

André Santos,
Marketing

O empresário Gilberto Cardoso, 59 anos, de São José dos Campos, conta que conheceu o golfe há 14 anos porque morou em um condomínio que tinha um campo. Até então, ele praticava tênis e automobilismo, mas o golfe acabou se tornando a sua prioridade.
“Sempre tive curiosidade, mas praticava outros esportes. Acabei migrando para o golfe e acabou se tornando o principal esporte que pratico”, relata golfista. Atualmente ele é cadastrado na Associação Esportiva São José, federado pelo Clube Santa Rita de São
José dos Campos, o qual representa em competições. Os praticantes do esporte afirmam
que ingressar no golfe é mais simples do que as pessoas pensam. O kit básico consiste em uma bolsa de 14 tacos que podem ser usados. Cada taco é usado para uma distância ou uma jogada específica. Roupas e sapatos adequados também são obrigatórios. Em relação a questão física, é necessário condicionamento, mas não força.

O mais importante, segundo Cardoso, é o equilíbrio emocional. “O interessado faz em média de 10 aulas antes de ir para campo para ter contato com regra e etiqueta. O golfe é
um esporte de muita disciplina e honestidade. O condicionamento físico é fundamental,
também é necessário total equilíbrio emocional. Já força, nenhuma”, afirma o empresário.
Justamente por essas características, o golfe é um esporte mais comum entre os mais velhos, até mesmo a nível competitivo, mas pode ser praticado por pessoas de todas as idades. O golfista explica que, além de fazer bem para a saúde e ser disputado
em espaços muito agradáveis, o golfe proporciona experiências únicas. O empresário afirma que hoje em dia muitas pessoas buscam o golfe não somente
pelo esporte, mas também para aumentar o networking e fortalecer relações. “O golfe, além de ser o esporte que melhor remunera no mundo, traz benefícios como saúde, networking, viagens, o ambiente é sempre muito bonito por ter contato direto com a natureza”, comenta Cardoso. O empresário afirma que, de modo geral, o golfe ainda não é muito difundido no Brasil, mas é um esporte crescente não só no Vale do Paraíba
como no país. “Existem dificuldades de investimento e que os golfistas da região realizam ações em conjunto para alavancar o esporte e melhorar os campos.”

O campo de golfe de São José dos Campos, que fica no Clube Santa Rita, tem um ‘mascote’: o pequeno Theo da Matta de 5 anos. O pai de Theo, Octávio da Matta, 47 anos, professor, conta que o esporte está na vida do filho desde antes do nascimento. Durante a gravidez, foi constatada em ultrassom uma calcificação no coração do pequeno Theo, popularmente chamada de “golf ball”. “Em um dos ultrassons da gestação do Theo, a médica identificou um pontinho branco no coração dele. Ela explicou que era uma pequena calcificação chamada de ‘golf ball’ e que sumiria com o tempo. O pontinho sumiu do coração e passou para o corpo inteiro, porque hoje o esporte é a paixão dele”, comenta Octávio.

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