Esporte

O esporte como agente formador de cidadãos

Escolinhas de esporte na RMVale

A prática esportiva traz diversos benefícios à saúde como melhora na circulação, prevenção
de doenças cardiovasculares, fortalecimento dos músculos, redução da ansiedade e muito mais. E no esporte, quanto mais cedo, melhor.
O Ministério da Saúde recomenda 300 minutos semanais – ou uma hora por dia de segunda a sexta-feira – de atividade física moderada para crianças e adolescentes.
Atentos a essa orientação, diversos municípios da RMVale investem em escolinhas de esporte. O objetivo não é somente fortalecer a categoria de base das modalidades, mas sim utilizar do esporte para formar uma sociedade melhor. A cidade de São José dos Campos conta com 40 práticas esportivas diferentes gratuitas disponibilizadas pela Prefeitura. Algumas modalidades são para crianças a partir dos três anos de idade.

Lucas Lima Sousa, 28 anos, coordenador
técnico do programa ‘Atleta Cidadão’ de São José dos Campos comenta que o modelo de formação esportiva na cidade é semelhante a de grandes países. “No mês passado nós fomos no Congresso Olímpico Brasileiro e conseguimos observar que o modelo de formação esportiva de São José é semelhante ao de grandes potências como Holanda e Inglaterra”, comenta Lucas. De acordo com os especialistas, a aplicação do esporte na sociedade por meio das escolinhas traz não somente mais saúde para a população, mas gera uma melhor qualidade de vida em áreas paralelas ao esporte como a segurança, por exemplo. “Quando pensamos em esporte, pensamos em inibição de epidemias e doenças, prevenção de obesidade e até diminuição de violência”, comenta Lucas.

“Comecei a jogar rugby
com 14 anos na
categoria de base. […]
O esporte foi o principal
influenciador nas
minhas ambições e
sonhos como pessoa.
Me possibilitou
até ter experiências
internacionais.”

Julio Faria

Para Adriano Uchôas Américo, 31 anos, supervisor da Divisão Atividades Esportivas e Comunitárias de São José, o esporte é um elemento chave na sociedade por conseguir relacionar educação, saúde e segurança pública. “O recurso aplicado no esporte, além de gerar qualidade de vida e outros fatores, economiza ou pelo menos otimiza o investimento em outras áreas. Não tem como mensurar até onde vai os benefícios no esporte”, afirma Adriano.

José André Bonafé, 53 anos, gestor do programa Atleta Cidadão de São José, afirma que a prática esportiva é sim uma grande ferramenta de formação de cidadãos. “Uma pessoa que entra para vida esportiva na pré-adolescência ou na infância se transforma em um cidadão, no sentido de ter valores sociais e de vida, muito mais rápido do que uma criança que não pratica esporte. Tudo isso porque o esporte exige. Exige cumprir horários, manter o comprometimento, se esforçar a cada dia e ter boas notas na escola”, afirma André.

O gestor afirma também que até mesmo o mercado de trabalho absorve muito bem atletas e ex-atletas justamente por reconhecer esses valores que o esporte cultiva. “Muitas empresas buscam pessoas que praticam ou praticaram esporte para contratar, porque o atleta em si é uma pessoa pró ativa, aguerrida, que raciocina rápido e batalhadora. O mercado de trabalho precisa de pessoas com esse perfil”, diz.

Julio Faria, 29 anos, veio das primeiras gerações do Jacareí Rugby e seguiu por este caminho. Ele começou a treinar na categoria de base com 14 anos, se graduou em educação física e atualmente é treinador da categoria principal e coordenador esportivo da equipe. “Comecei a jogar rugby com 14 anos na categoria de base. […]O esporte foi o principal influenciador nas minhas ambições e sonhos como pessoa. Me possibilitou até ter experiências internacionais”, conta Julio.

“Precisava fazer alguma
atividade física por
orientação médica. Meu
pai tinha feito judô e
disse pra eu fazer para
ver se gostava. Entrei
no judô e no futebol e
fiquei nos dois até os
14 anos. […] Acima de
tudo, o judô me ensinou
a ser disciplinado, a
respeitar os outros e a
ter determinação”

Lincoln Keiiti Kanemoto das Neves
Judoca

O Jacareí Rugby atende hoje cerca de 700 crianças até os 14 anos. O treinador explica que o foco do clube sempre foi o fomento na categoria de base. “A prática esportiva é uma ferramenta de grande influência na formação do cidadão, não só no esporte, mas no social. A gente aposta e tenta influenciar a comunidade”, afirma.

Julio diz que busca fazer com que as pessoas se apaixonem pela modalidade, pois estimula um sentimento de pertencimento e gera uma maior adesão da criança e até da família. Foi o que aconteceu com a família de Luiz Augusto Fabiano, 11 anos, e Gabriel Fabiano, 5 anos.

Isabel Fabiano, 39 anos, mãe dos pequenos atletas, conta que o filho mais velho entrou no rugby há dois com um amiguinho. Um ano depois o filho mais novo também começou a treinar e sem perceber toda a família já estava envolvida com o esporte.

“A maior contribuição do rugby para gente foi união da família. Eu ajudo como voluntária na cozinha, na organização dos ônibus e também a lavar os uniformes. Até o meu marido já entrou no embalo e ajuda no final de semana”, diz Isabel.

Luiz Augusto conta que, desde que começou a treinar por indicação do amigo, leva o treino muito a sério e gosta de jogar na defesa. “Eu prefiro defender, jogar com mais força do que agilidade. […] Treinamos para melhorar. Quero jogar rugby até quando eu conseguir”, afirma Luiz.

E essa paixão pelo esporte é a mesma no irmãozinho Gabriel. “Eu chego da escola e a gente já fica treinando em casa. […] Eu gosto de correr e fazer “try”, conta o pequeno. A mãe dos meninos afirma que o desenvolvimento dos filhos com o esporte foi nítido. “Os dois melhoraram muito com o rugby. O mais velho era muito tímido e ele começou a fazer mais amizades, abriu mais o pensamento. O pequenininho é muito levado e o esporte ajudou que ele a ter mais respeito”, conta Isabel.

Em alguns casos, a criança ou o jovem pode até mesmo descobrir um talento e fazer do esporte sua profissão. É o caso do judoca Lincoln Keiiti Kanemoto das Neves,23 anos, de São José dos Campos. Ele começou a praticar esportes aos oito anos por orientação médica e não parou mais. “Precisava fazer alguma atividade física por orientação médica. Meu pai tinha feito judô e disse pra eu fazer para ver se gostava. Entrei no judô e no futebol e fiquei nos dois até os 14 anos. […]Acima de tudo, o judô me ensinou a ser disciplinado, a respeitar os outros e a ter determinação”, afirma Neves.

Hoje Lincoln é faixa preta, atleta da Confederação Brasileira de Judô, tri-campeão pan americano além de muitos outros títulos. O judoca está terminando a faculdade de Educação Física e pretender se especializar em gestão esportiva.

 

 

 

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