Especial Educação – Ensino a Distância

Modalidade avança no Brasil nas redes privada e pública

A expansão do ensino a distância

Vanessa Menezes - RMVALE

A educação a distância (EAD) tem atraído cada vez mais estudantes e apresentou crescimento de 133% nos últimos anos, de acordo com dados da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). Reconhecido como um método eficaz nos EUA e Europa, o ensino online vem crescendo no Brasil nos últimos dez anos. A flexibilidade de horários, o menor custo e o certificado com o mesmo valor do presencial estão entre os fatores mais apontados pelos alunos que optam pelo modelo de educação a distância.

O coordenador geral de educação a distância da Rede de Educação Claretiano, Evandro Luis Ribeiro, afirma que a educação a distância já não é mais tendência, e sim uma realidade.
“Cada vez mais as instituições vão utilizar essas tecnologias. Hoje, o Brasil é o segundo país em números de startups na educação, que são as ‘edtechs’. Elas têm agregado muito valor no processo de ensino-aprendizagem. As instituições têm apostado muito em
ambientes de realidade aumentada, ambientes virtuais, no uso de inteligência artificial, análise de dados, enfim, tudo para aprimorar o ensino-aprendizagem. O aluno que ingressa no ensino superior já é uma pessoa conectada. Isso facilita muito o preparo do aluno,
que tem como característica a autonomia. Na educação a distância, o protagonismo no processo de ensino-aprendizagem é do aluno, o professor e o tutor exercem papel de suporte pedagógico”, comenta.

Evandro alerta sobre os cuidados na escolha da modalidade de ensino antes de se matricular. “No tradicional, pelo fato das aulas serem presenciais, o aluno tem uma regra
mais incisiva imposta na sua vida cotidiana. No método EAD, pelo fato de ser flexível por natureza, o aluno tem um nível maior de autonomia, o que muitas vezes é interpretado de maneira errada e alguns estudantes acabam deixando as tarefas para a semana seguinte,
acumulando conteúdos, fator que contribui para a evasão do aluno na educação a distância”.

Para o professor e coach em desenvolvimento pessoal e identidade, Jonathan Claudio da Silva, de 33 anos, que se formou em teologia na modalidade EAd, é importante conhecer a plataforma de ensino e o material didático antes de se matricular. “Eu já tinha tentado fazer um curso de graduação a distância antes e não tinha dado muito certo. Na ocasião tive muita dificuldade com a plataforma. É importante conferir antes como a faculdade
aborda o curso, seja ele de qualquer graduação. No curso que fiz e me formei me adaptei muito mais, o modo de ensino era mais prático e consegui criar uma rotina de estudo que se encaixava bem com o proposto pela faculdade. Muita gente acha que estudar a distância
é mais fácil e isso é um grande mito. Nesse formato você precisa ter mais autonomia, disciplina e facilidade de compreensão, pois não tem a vivência diária da faculdade, troca com colegas e contato direto com professores”, comenta.

“É importante conferir
antes como a faculdade
aborda o curso, seja ele
de qualquer graduação”

Jonathan Claudio da Silva,
professor e coach

Jonathan, que também já cursou uma faculdade presencial diz que no método a distância o aproveitamento foi melhor. “Quando cursei faculdade presencial,percebi que havia um desnivelamento dos professores. No ensino à distância os profissionais que fazem
as aulas online são selecionados com mais critério pelo que exige o formato de ensino. Um só professor dá aula ao mesmo tempo para alunos do Brasil todo. Percebo que os professores são mais qualificados do que no formato presencial. O rendimento do estudo é muito maior. Minha satisfação com o curso foi tão alta que pretendo fazer outros cursos na modalidade à distância”, completou. Uma das principais vantagens oferecidas pelas instituições de ensino que possuem cursos tanto a distância quanto presencial é a possibilidade de migrar de modalidade a qualquer momento, tanto em transferência interna
quanto externa.

Foi o que aconteceu com Tainá Brito dos Santos, de 20 anos, estagiária na área administrativa, aluna do 2º ano do curso de bacharel em administração. “Entrei na faculdade em 2018 num curso presencial, mas os valores da mensalidade estavam bem pesados. Pesquisei sobre a transferência para uma modalidade a distância e decidi
mudar, inclusive de faculdade, pois encontrei uma que estava melhor avaliada pelo MEC (Ministério da Educação). A transferência foi tranquila e consegui aproveitar toda a minha grade curricular. No EaD, a partir do momento que você se dedica a estudar sozinho e
tem esta disciplina no cotidiano, você aprende de verdade. Na minha faculdade, são disponibilizadas vídeo aulas e livros didáticos, assim o aluno pode até escolher com qual material tem mais facilidade no aprendizado. O ensino é ótimo, principalmente nas revisões para as provas”, conta.

Pouca gente sabe, mas em 2005, o MEC criou a Universidade Aberta do Brasil (UAB), que conta com cursos superiores em todo o país, com cerca de 95 instituições cadastradas com 646 polos oferecendo mais de mil cursos gratuitos em todo o Brasil.

Para ingressar em um dos cursos oferecidos, o estudante deve ter concluído o ensino médio, ser aprovado em um processo seletivo específico da universidade que oferece o curso e cumprir os requisitos exigidos. Através da UAB a assistente social, Rosangela Aparecida de Morais, de 38 anos, conta que viveu um divisor de águas em sua trajetória de vida pessoal e profissional. “Foi num dos piores momentos da minha vida que descobri a UAB. Eu havia passado por episódios de violência doméstica, estava recém-divorciada,
desempregada e com um quadro de depressão. Foi quando pesquisando pela internet, descobri que havia um polo de apoio da UAB em São José dos Campos e decidi me inscrever no curso de pós-graduação de Gestão Pública Municipal pela UTFPR. Isso foi em 2017,passei em primeiro lugar. Foi um pilar de motivação na minha vida”, conta.

Com dificuldades financeiras, mesmo cursando a pós-graduação numa universidade pública, Rosângela precisou de apoio para concluir os estudos. “Apesar de o curso ter sido à distância, eu precisava ir semanalmente para o polo para usar a biblioteca, tirar dúvidas
e fazer as provas. Como moro em Jacareí andava uma parte do caminho a pé e contava moedas em casa para pagar a passagem até São José, era tudo contadinho. Em tempos tão sombrios em minha vida, a oportunidade de fazer uma pós-graduação iluminou o meu caminho. Foi duro, mas consegui. Um casal de vizinhos Luciana e Henrique me passou a
senha da internet deles para que eu pudesse estudar em casa”, comenta.

Quanto ao método de ensino Rosângela conta que se adaptou bem e não teve grandes dificuldades. “O apoio que é dado no polo é suficiente para dar sequência nos estudos
em casa, mas é preciso ter disciplina. Não senti falta do contato com os colegas, pois apesar de não nos reunirmos em sala de aula, criei um grupo no celular onde trocávamos informações e nos falamos até hoje”, conta.

“Meu maior apoiador e ajudador foi meu fi lho
Daniel. Ele ficava ao meu lado para que eu
enviasse no prazo correto os arquivos
para a faculdade”

Rosangela Aparecida de Morais,
assistente social

“Meu maior apoiador e ajudador foi meu fi lho Daniel. Ele ficava ao meu lado para que eu enviasse no prazo correto os arquivos para a faculdade. Sei que não teria conseguido sem o apoio e a paciência dele. Ele sentava-se comigo na mesa enquanto eu estudava e
chegou até a me acompanhar ao polo. Sou muito grata por tudo o que ele fez por mim nessa época. Falar sobre isso me traz as memórias daquele tempo de muitas dificuldades, mas de muito amor e força de vontade. Fico até emocionada”, finaliza.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here