Especial Educação – Destravando a Segunda Língua

Com um mundo cada vez mais conectado e globalizado, a importância de saber outro idioma aumentou e, agora, é tratado como essencial para todas as idades

Está na hora de destravar a segunda língua

Bruno Castilho - RMVALE

O currículo é a apresentação do candidato a uma vaga ao empregador. É nele que estão as
experiências anteriores, formação, cursos técnicos… e também o idioma que domina. E cada vez mais a língua estrangeira mostra-se um diferencial no momento da escolha do novo funcionário de uma empresa. De acordo com pesquisas feitas pela Catho, um dos maiores sites de classificados de empregos do país, a fluência de outro idioma pode aumentar o salário. No caso do inglês, o acréscimo nos vencimentos pode chegar a 72% e, no espanhol, pode chegar a 59%. Outro levantamento diz que, atualmente, 60%
das vagas exigem conhecimentos de outra língua.

E o mercado de ensino já percebeu isso, pois levantamento feito pela Abebi (Associação Brasileira do Ensino Bilíngue) aponta um aumento entre 6% e 10% de escolas bilíngues no país nos últimos cinco anos. Matheus Borges, 27, de São José dos Campos, trabalha com
ensino de inglês para crianças há oito anos. Com os alunos que têm faixa etária entre quatro meses a seis anos, ele inclui a música para auxiliar no método de aprendizado.

“Eu incluo a música porque acredito que é a melhor ferramenta de fixação de conteúdo que a criança pode ter em uma aula de inglês. Deixa tudo mais leve, ajuda a criança a gravar o conteúdo do dia, torna a aula mais divertida e a gente transforma uma ponte afetiva
entre a criança e o professor e, dessa forma, tudo é absorvido de forma mais fácil pela criança”, afirma Borges. Para exemplificar a importância do aprendizado da segunda língua ainda nos primeiros anos de vida, o professor explica que a criança começa a aprender ou compreender diferentes padrões fonéticos a partir dos quatro meses.

“Quanto antes a criança começar a aprender uma nova língua, é mais fácil, até porque quando a gente passa pelo período de alfabetização, os fonemas do português estão muito mais enraizados no nosso cérebro e isso acaba bloqueando um pouco nosso aprendizado.
E a criança que já teve o contato com o inglês muito cedo, para ela tanto faz falar inglês ou português porque a linguagem é um eixo de comunicação. E a principal barreira para uma pessoa que está iniciando a aprender uma nova língua é o medo de errar e isso a criança não tem”, explica Borges.

“Eu incluo a música porque acredito que é
a melhor ferramenta de fixação de conteúdo que a criança pode ter em uma aula de inglês”

Matheus Borges,
professor de inglês

Grandinhos

Para os que já passaram da fase infantil, sempre é tempo de se empenhar e acrescentar novos conhecimentos no currículo. Segundo Andrea Nomura, 36 anos, proprietária de uma franquia de escola de idiomas em São José, boa parte dos alunos é formada por pessoas que estão buscando uma promoção no trabalho ou uma recolocação no mercado.
Na unidade, aula VIP, simulação de entrevista de emprego em língua estrangeira, preparatórios de exames de proficiência e aulas voltadas para business são os mais procurados por estudantes na faixa etária acima dos 18 anos.

“O inglês não é mais um diferencial e sim um item obrigatório no currículo. Até dinâmica de grupo de alguns processos seletivos tem o inglês”, diz Andrea. Além do inglês, a escola também oferece cursos de outros idiomas caso o aluno precise. “O curso de espanhol
nós começamos no início do ano. A procura ainda é bem menor do que o inglês, mas a procura vem sendo grande também”, afirma Jefferson Godoi, 37 anos, marido de Andreia e sócio na escola de idiomas. Um exemplo de aluno que recorreu à escola de idiomas para não deixar uma oportunidade de emprego escapar foi o consultor comercial Gimenez Roriz,
25 anos. Ao conseguir um estágio em uma fábrica coreana, ele percebeu que precisava ter um bom nível de inglês para conseguir se comunicar em reuniões, por exemplo. E o pensamento deu certo: ele foi promovido, trabalhou na companhia durante anos e chegou a fazer viagens como representante da fábrica. “É uma total diferença na vida. Não
mudou apenas o trabalho, mas também a forma de trabalhar. Tem gente que só vê a necessidade quando perde a oportunidade”, diz Roriz, que já está aprendendo outros idiomas. “Pretendo ter fluência em espanhol, além de aprender alemão e francês”,
revela.

Estrangeiro

Outra forma de praticar e, assim, melhorar o segundo idioma é com um intercâmbio, passando um tempo fora do país, convivendo com seus habitantes e conhecendo outras culturas. E o jeito mais efi ciente de fazer isso é por meio de agências.
De acordo com Susi Gera, 37, gerente de uma agência de intercâmbio em Taubaté, esse tipo de experiência é intenso e contribui para o crescimento pessoal, fazendo com que a melhoria no idioma seja uma “cortesia” desse pacote.

“Muita gente nos procura dizendo que estudou inglês durante anos, mas ainda não tem confi ança ou não consegue se comunicar. E a vantagem do intercâmbio é que, além de mais seguro quanto ao idioma, você volta mais tolerante quanto às diferenças”, explica Susi. Entre os países mais procurados, estão os de língua inglesa, como Canadá,
Austrália, Irlanda e Nova Zelândia. Os pacotes são os mais variados: au pair, high school (ensino médio), curso de férias e estudo e trabalho. “Hoje a gente também oferece Dubai,
que tem como língua oficial o inglês e é uma novidade. O interessante é que, com dois meses de curso, o aluno já pode trabalhar legalmente lá sem precisar de comprovação financeira, como acontece em outros países”, diz a coordenadora da agência.

Para o assessor de investimentos, Gabriel Tolesani, 23, o contato com outras culturas foi um diferencial. Aos 15 anos ele foi morar em Singapura para acompanhar o pai, que foi transferido devido ao trabalho na Embraer. Por ser um hub tecnológico, a cidade-
-Estado que fi ca ao sul da Malásia recebe pessoas de todos os cantos do mundo. Tolesani conta que a escola onde estudoutinha alunos de 60 países diferentes. “Foi uma experiência  muito rica porque é muito diferente conviver com pessoas de várias nacionalidades como
acontece lá”, explica. Aos 18 anos, ele decidiu cursar faculdade nos Estados Unidos, mais precisamente em Youngstown, em Ohio. Lá, ele se formou em Business, conciliando
com o tênis, esporte que pratica. Há um ano ele voltou a São José dos Campos e já está trabalhando na área.

“Quando você mora fora, você sai da sua zona de conforto e isso te traz uma grande vantagem porque, além da língua, você consegue se adaptar a diferentes ambientes”, analisa Tolesani.

Mundo globalizado

Para a empreendedora social e especialista em Recursos Humanos, Carla Klarinda, 36, o mundo cada vez mais globalizado se tornou mais exigente quando o assunto é idioma.
Segundo ela, conhecer uma nova língua não envolve apenas o aprendizado, mas também a possibilidade de entender as diferenças culturais e lidar de forma mais sensível com a realidade de outros países. “Vejo que as empresas estão expandindo seus negócios e ter profissionaisque tenham a dominância em outro idioma abre frentes de novos negócios
e crescimento real da receita das empresas. Caso você ainda não tenha fluência em uma segunda língua, é melhor começar a pensar nisso na hora de procurar uma posição melhor”, afirma Carla Klarinda.

 

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