Especial Dia dos Pais – Meu herói, meu amigo, meu pai!

Quando há amor e respeito, o maior presente é estar com ele

Andressa Lorenzetti
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Quem vê a família de José Nilton Cendrete sorrindo não imagi- na a angústia enfrentada nas últimas semanas. A alegria é também um alívio: o paizão de 65 anos venceu a Covid-19. Ele passou 43 dias internado, 30 deles numa UTI. O corpo ainda está fragilizado, mas o coração anda bem aquecido. A comemoração de dia dos pais não é só pela data especial de todos os anos; desta vez, o maior pre- sente é estar vivo e perto de quem ama. Emocionado, José Nilton divide o senti- mento de vencer a doença e de estar de novo em casa.

“Hoje, estou me sentindo ótimo, muito feliz, porque estou junto com a minha família, junto com os meus filhos. Isso é motivo de muita felicidade pra mim. Es- tou louvando e agradecendo a Deus por esse dia e por esse momento”, declara de forma muito amorosa.

A filha dele, Fabiana Cendrete Godoi, conta que teve a fé como o principal re- médio. Foram dias de muita oração.

“Será o melhor dia dos pais de nossas vidas. Eu e meus irmãos estamos mui- to agradecidos pelo milagre da vida dele, e com certeza será comemorado com muito amor e muita prudência, pois apesar de eu também ter sido contaminada, estou recuperada”.

Sebastião de Lima tem a mesma idade, 65 anos, também é pai, mora em São José dos Campos e tem outra coisa em comum com José Nilton: venceu a Covid-19.. Fi- cou 31 dias internado. Na UTI estava sem receber visitas ou ligações. Apenas o mé- dico avisava a família sobre o estado de saúde dele. Para a filha Patrícia Lima, fo- ram dias de muito medo. Queria passar o dia dos pais com ele e a vitória chegou pouco antes da data.

“Graças a Deus tivemos a melhor notícia, ele estava de alta, o dia é dos pais mas quem ganhou fomos nós. Meu pai, Sebastião, estava curado da Covid-19, meu guerreiro que amo muito”, comemora Patrícia, mostrando agradecimento pela superação.

Sebastião também se recupera fisica- mente dos dias difíceis que passou, e mesmo com poucas palavras resume como se sente no momento: “Estar em casa com a família foi um presente”.

Em casa e no trabalho

Muitas vezes, os filhos só dão valor quando passam por um momento semelhante ou quando perdem. Mas boa parte sabe também como valorizar essa pessoa tão importante. Nem sempre é uma relação fácil, nem sempre ele se comporta como gostaríamos. Nos surpreende com momentos felizes e até mesmo tristes, mas é uma ligação eterna.

A figura que representa segurança e amor pode ser um pai biológico ou outra pessoa que assuma esse grandioso papel em nossas vidas. Ter um protetor assim por perto é a fortaleza que nos faz crescer e enfrentar o mundo.

Assim foi para Beatriz Noronha, que trabalha com o pai, na concessionária de veículos da família. Mas isso não foi algo planejado por ela, simplesmente aconte- ceu. Conta que ao completar 18 anos foi estudar em outra cidade, dar os primeiros passos como publicitária, conseguiu um emprego e foi alimentando a vontade de fazer um intercâmbio na área. Após con- cluir a faculdade, tomou uma decisão. Assumir um novo desafio junto com o pai Paulo Noronha em Caraguatatuba.

“Meu pai sempre me deu muita auto- nomia para realizar as coisas, então eu sabia que vir trabalhar com o meu pai era uma oportunidade que eu não tinha quando eu trabalhava em Campinas. Eu sabia que ia poder aprender muito. Afinal de contas a empresa é da minha família, uma hora vai ser minha, e eu me envolvo. Aí eu consigo fazer meu intercâmbio e não vou perder meu emprego. Meu pai quer que eu me especialize.”

Disse que, com a pandemia, passou a trabalhar mais e uniu forças com outros dois irmãos que também traba- lham na empresa. Afinal, eles possuem outras unidades em São José dos Campos e Taubaté. Um verdadeiro time.

“Para mim como pai é muito gratificante ter a filha trabalhando junto, hoje a gente está com a família toda, trabalhando na empresa, que é familiar. Eu fico muito feliz, o seu profissionalismo é fantástico. Não é porque é uma família trabalhando que não existe pro- fissionalismo. Você trabalha com dedicação, trabalha com seriedade, que são também os pilares dessa empresa e com honestidade. Eu quero dizer que tem sido um diferencial muito grande. A gente não tinha ninguém em marketing, e agora a gente tem uma fera.” Disse Paulo todo orgulhoso de Beatriz.

A parceria tem sido muito importante na vida dela e a admiração pelo pai só aumenta.

“Está sendo uma escola, eu acho que não é à toa tudo que meu pai construiu, ele tem muita bagagem, tem muita coisa pra ensinar, muito sério e honesto. Tem comprometimento, trabalha muito. Ver de perto é muito diferente. É suado, mas é gratificante. Sem dúvida está sendo uma experiência incrível”, ressalta Beatriz.

Para Matheus Blanch não foi muito diferente. Ele começou a trabalhar ain- da adolescente na corretora de seguros do pai, Kako Blanch. Com o passar do tempo, virou um grupo de oito empresas, entre elas restaurante, construtora e de eventos. Juntos alcançaram o su- cesso. Uma mistura de muito trabalho privilégio por ter alguém tão especial compartilhando tudo isso.

“Trabalhar com o pai é uma honra e ao mesmo tempo um desafio, porque é família né? Só que a gente sempre teve discernimento para não levar problemas para dentro de casa, Pai e filho “brigam” mesmo não tem jeito, tem uma intimida- de maior, é diferente da relação funcionário e chefe, pois o funcionário pode não falar tudo que pensa por questão de hierarquia empresarial”.

Algo que ambos sempre concordam é a troca de aprendizado nesta relação tão intensa, como Matheus faz questão de reforçar.

“São 14 anos trabalhando ao lado dele, uma experiência incrível. Me ensina muito, eu também ensino muito para ele. Um aprende com o outro constantemente. Como qualquer empresa familiar tem seus desafios, mas a medida que a gente vai amadurecendo, vai aprendendo a lidar, tendo mais paciência.”

Perto mesmo estando longe

Há 10 anos, Jéssica Plaça deixou as casa dos pais em São José, para fazer faculdade no Rio Grande do Sul e de- pois acabou criando uma nova rotina, indo morar no exterior. Com a correria, foi ficando mais difícil fazer uma visita e encontrou outras formas de falar com o pai, Agostinho Plaça.

“Desde o início a gente sempre foi muito unido, eu acho isso muito im- portante, porque mesmo de longe meu pai sempre se fez muito presente. Conversamos sempre, enquanto estou aqui na Holanda. A gente consegue acompanhar o pensamento de cada um, qual situação que cada um tá passando. Manter esse contato diário faz com que a gente se sinta perto”.

A evolução tecnológica ajudou bas- tante, hoje podem trocar mensagens rápidas e até mesmo fazerem chamadas de vídeo. Bem diferente das limitações anteriores, que só faziam aumentar a saudade. A conversa rolava por telefone, mas não era tão fácil, não tinham tantos recursos como agora.

“Eu já morei nos Estados Unidos e nes- se período não tinha, era só conversa por telefone e aí sim era mais difícil. Eu particularmente sentia muita saudade, queria voltar para o Brasil. Mas agora que eu estou na Holanda a gente se vê sempre virtualmente, apesar de morar longe, é diferente né? A gente está numa cultura e situações diferentes na vida e esse contato que a gente mantém é muito importante para eu me sentir acolhida e acompanhada por ele”, relatou com muito carinho.

Agostinho também se sente muito amado pela filha mesmo à distância, ele que é pai de quatro filhos, tenta administrar esse laço da melhor forma, mesmo depois de terem ficado adultos, como tem sido no caso da Jéssica.

“Para ela não me deixar sozinho e ela não ficar lá sozinha, nós nos comunicamos pelo WhtasApp e falamos todos os dias. Para ela ter também sempre a referência do pai. Pede sugestões, orientações, esse é o nosso procedimento há anos. Ela volta em dezembro para o Brasil e espero que fique dessa vez, porque sempre está fora nessa época. Viaja muito a trabalho, por causa do estudo. Desejo um feliz dia dos pais a todos.”, finaliza.

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