Entrevista – Bianca Colepicolo: O Sol Volta a Brilhar em Ilhabela

Andressa Lorenzetti
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Uma das cidades mais conhe­cidas do Brasil quando o as­sunto é turismo e belezas naturais tem enfrentado bra­vamente a crise da pandemia do novo Coronavírus. A união dos setores eco­nômicos e a gestão do poder público têm feito a diferença e proporcionado uma retomada mais segura e otimista das atividades, de forma gradativa.

Com um orçamento estimado em R$ 1 bilhão para o próximo ano, 350 mi­lhões a mais do que estava previsto pela Lei Orçamentária do Município, provenientes de uma reserva feita pela prefeitura, a cidade restabelece o presente com um olhar promissor para o futuro.

Durante a inauguração do novo escri­tório do Grupo Meon de Comunica­ção, uma sucursal do litoral em Ilha­bela, a nossa equipe conversou com a secretária de Desenvolvimento Eco­nômico e Turismo, Bianca Colepicolo. Confira o que ela disse sobre esta nova fase que a cidade vem passando.

Metrópole- Como tem sido o desafio de gerir o turismo durante a pandemia, em uma cidade como Ilhabela, onde o setor é extremamente importante economi­camente falando?

Bianca– Ficamos quatro meses com­pletamente fechados, isso foi muito bom para preservar a saúde da popu­lação e, por incrível que pareça, tam­bém para preservar o turismo, porque o produto turístico é um destino e você precisa vender bem esse produto. Nesse período de pandemia, vender segurança sanitária é uma qualidade importante, então nós ficamos com esta imagem perante o público, de que somos um destino seguro, que segui­mos todos os protocolos, que estamos com baixa letalidade e com uma boa gestão dos serviços de saúde. A gente está reabrindo com uma boa ocupação da rede hoteleira, dentro do limite de 50%, e o público está valorizando a cidade. O que temos visto nos hotéis, restaurantes, é um público familiar, qualificado e que consome mais. A gestão da pandemia fez, de uma certa forma, a gente se posicionar bem como um destino turístico e esperamos se­guir assim. As tendências mundiais são que as pessoas procurem contato com a natureza, atividades ao ar livre, então esse tem sido o nosso foco de reconexão. Já era a nossa assinatura a vida natural, mas tem sido o foco de todos os nossos investimentos ago­ra. Estamos fortalecendo a estrutura náutica, cada barco gira em torno de 8 empregos diretos e indiretos, estamos reformulando e reestruturando todas as trilhas, deixando-as organizadas e com segurança também, valorizando o parque estadual, fortalecendo o turis­mo de base comunitária, além dos seg­mentos que são muito específicos, por exemplo, observação de pássaros, de baleias e roteiros históricos. São coisas que a gente tem além do sol e praia.

Metrópole- Como vocês têm trabalhado para desenvolver e acompanhar toda a in­fraestrutura do setor?

Bianca– O trading de Ilhabela é muito qualificado. A gente tem, na área gas­tronômica, a questão dos chefs: come-se muito bem em Ilhabela, temos trabalha­do para valorizar isso. É uma qualidade que já existe, mas que talvez não estives­se tão à vista. No último ano, através dos festivais gastronômicos, através de par­ceria com mídias segmentadas, a gente tem colocado em evidência a qualidade gastronômica de Ilhabela.

Na questão da hotelaria, nesse período de pandemia aconteceu uma união en­tre os segmentos, muito bonita de ver, era uma preocupação imaginar quais seriam os investimentos e os proce­dimentos sanitários necessários. Dá orgulho de ver o cuidado da hotelaria com o cliente. A gente recebe as fotos de como estão servindo os cafés da ma­nhã, como estão preparando os quar­tos, como está o procedimento de cada estabelecimento, e isso se reflete na qualidade e no profissionalismo do se­tor. Dá para ver que todos estão prepa­rados para lidar com a nova realidade, com o “novo normal” que tanto falam.

Ilhabela tem 7 mil e 500 leitos oficiais de hospedagem, fora o que você tem de casa de aluguel, casa de tempora­da. É um número bem alto, se você pensar que Santos, que é uma cidade bem maior, tem 4 mil. Mas é um tra­balho extra, porque quando você tem uma grande oferta, para qualificar a demanda é mais difícil. Eu vejo que, no contexto da pandemia, essa união entre os empresários foi importante. Precisamos atrair ocupação para os leitos, mas também pessoas que gos­tem de Ilhabela, que gostem do que ela tem para oferecer. Não somos só um destino de praia, temos muitas outras características especiais. Você tem que gostar de atravessar a balsa, de ter a mata por perto, gostar da par­te de conservação ambiental.

Metrópole- Como tem sido essa retomada após a reabertura da balsa e de atividades econômicas? Os turistas já estão retornan­do, estão vindo para a cidade?

Bianca– A gente veio de uma temporada muito boa. De novembro de 2018 para 2019, houve um aumento de 60% de arrecadação de ISS e todos os meses se­guintes estavam vindo nessa faixa, de 60 ou 40%. Foi a melhor temporada finan­ceiramente que já se teve na Ilhabela. Depois de ficar quatro meses fechados, por mais que as pessoas pensem que a prefeitura tinha dinheiro guardado, não é bem verdade. A gente tem vantagens quanto aos destinos de inverno, como Campos do Jordão, em que é muito mais difícil a recuperação econômica. Está todo mundo triste porque quer voltar a trabalhar, temos conversado com todos os segmentos, como os ambulantes. São mais de cem famílias que trabalham nas praias e a gente fica num equilíbrio en­tre o Plano SP, a realidade de Ilhabela, como proteger as pessoas e não deixar faltar nada para ninguém. Falar que é fácil, não é, a gente tá numa “guerra” de negociações e articulações. Mas no mu­nicípio conseguimos fazer uma boa ges­tão disso tudo. Conseguimos manter as pessoas em isolamento durante um perí­odo, porque demos condição financeira para as pessoas ficarem em casa por pelo menos 3 meses. Para as empresas, bate­mos o recorde de empréstimos pelo Ban­co do Povo e demos assistência para as crianças das escolas para poder estudar em casa, assim como na cultura tivemos projetos, enfim, tudo foi trabalhado para manter as pessoas em segurança. Com essa reabertura, nós temos equipe todos os dias nas ruas, passando em todos os comércios, verificando se está todo mun­do de máscara, se tem álcool em gel, se estão respeitando o distanciamento, ofe­recemos ainda cursos online para seg­mentos diferentes, para atenderem os protocolos e com certificado por isso. Dá segurança para o comércio e para quem vai consumir. Tem dois resultados positi­vos que são bem claros, um é econômico e o outro é a saúde. O número de casos é alto porque tem muitos diagnosticados precocemente, muitos testes são feitos e a nossa letalidade por Covid é muito baixa.

Metrópole- Apesar do número de casos confirmados, que hoje está em 1.063, exis­te uma boa recuperação de pacientes, cerca de 748, pode-se dizer que a situação é con­siderada controlada?

Bianca– A gente tem três, dos vinte e dois leitos ocupados por Covid, e tivemos oito óbitos de pessoas bem idosas, perto do número de casos é bem baixo. Mun­dialmente, a taxa de letalidade é de 1% do número de contaminados. Em lugares onde esse número é alto, muitas vezes não é feito o teste e a pessoa morre sem o tratamento precoce. A Ilhabela, para manter esse bom número, tem o trabalho técnico dos infectologistas. É um traba­lho de triagem. Aqui, se você não está se sentindo bem, vai até o gripário. Lá, se necessário, vão fazer o teste e, se der positivo, farão a testagem de todas as pessoas que estiveram com você e vão manter todo mundo em isolamento.

Metrópole- Qual a orientação ao turis­ta, para entender como tem sido a re­cepção dessas pessoas de fora? O que está funcionando, o que pode e o que não pode fazer na cidade?

Bianca– Os hotéis estão com a metade dos leitos livres, os restaurantes e ba­res estão abertos até às 18h, as praias estão livres para você caminhar, dar mergulho, não para aglomerações na areia. As trilhas vão abrir agora no dia 10 de agosto, e as pessoas têm que usar a máscara o tempo todo ao circular pela cidade. O certo era a gente estar fazendo o isolamento, mas tanto tempo ninguém aguenta mais, a economia também não aguenta, o que a gente tem para oferecer na Ilhabela hoje é o acolhimento e você saber que está tranquilo. Estar orientado sobre as normas de segurança e ver essa vista maravilhosa, estar em Ilhabela é o nosso principal convite.

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