Entrevista

Patrícia Ellen da Silva, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, apresenta um balanço de sua gestão à frente da pasta propulsora do crescimento de São Paulo

Ciência, tecnologia e inovação gerando emprego e renda para os cidadãos paulistas 

Fabrício Correia - Da Redação

A companhar o dia a dia da secretária de Desenvolvimento Econômico do estado de São
Paulo não é tarefa fácil. Mãe de gêmeas, administradora da área de saúde e inovação, formada pela USP – Universidade de São Paulo e mestre em administração pública pela
Harvard Kennedy School, Patrícia Ellen da Silva tem uma agenda de quase 20 horas por dia. Nascida e criada no Campo Limpo, periferia de São Paulo, superou todas as dificuldades impostas e na trajetória de sua juventude humilde até o campus de Harvard, posicionou-se como militante na luta contra a desigualdade em nosso país. Professora de Liderança e Inovação Digital no Mestrado em Liderança e Gestão do Centro de
Liderança Pública, Patrícia Ellen, tem grande carinho pela RMVale, “As freiras de Caçapava criaram a minha mãe”, confidenciou ela à Metrópole Magazine. Em uma entrevista exclusiva a secretária expõe as políticas públicas do governo Doria para gerar mais empregos e renda para os cidadãos paulistas e divisas para o Estado condutor da  economia do país.

Como a senhora avalia esse quase um ano de governo. Qual o maior desafio e alegria nesta caminhada inicial?

Sabemos que temos muito trabalho pela frente. No entanto, tivemos ótimos resultados neste primeiro ano de governo. São Paulo foi o Estado que mais gerou empregos em 2019, com 251 mil postos de trabalho entre janeiro e setembro deste ano. Além disso,
o PIB paulista tipicamente varia mais que o PIB nacional, mas em 2019 apresentará um dos maiores descolamentos da história. Enquanto a projeção de crescimento do PIB para o País em 2019 é de 0,7%, São Paulo deverá crescer 1,9%. Segundo a Pesquisa de Investimentos do Estado de São Paulo, o total de investimento anunciado no Estado também aumentou: foram mais de R$ 100 bilhões no acumulado em quatro trimestres. Estamos acima do histórico. O segundo maior recorde da série histórica, apurou neste
primeiro semestre de 2019, R$ 67,7 bilhões de investimentos. É o segundo melhor semestre desde 1998. O crescimento de investimentos anunciados em 2019 foi cinco vezes maior ante ao mesmo período em 2018. Temos muito a comemorar.

A decisão do governador na criação de uma política de polos de desenvolvimento no estado influiu diretamente neste crescimento?

Com certeza. É hoje nossa maior política de desenvolvimento econômico, a otimização de 12 polos de desenvolvimento. Em verdade, não criamos, reconhecemos setores de maior concentração que já temos hoje no nosso Estado. Nos Estados Unidos, por exemplo, todo mundo que pensa no cluster médico sabe que ele está na região de Boston. Você sabe a vocação da sua região, a RMVale, por conta da EMBRAER, do ITA, é a capital nacional da indústria aeorespacial brasileira. As coisas não acontecem de forma totalmente aleatória, existe um incentivo direto.

“Sabemos que temos muito trabalho pela
frente. No entanto, tivemos ótimos resultados neste primeiro ano de
governo. São Paulo foi o Estado que mais gerou empregos em 2019, com 251 mil postos
de trabalho entre janeiro e setembro
deste ano”

Quais estratégias a senhora tem utilizado para atrair investimentos para nosso estado no atual momento da economia?

▸ É um momento de crise econômica, a qual estamos tentando sair, e o investidor está a procura de oportunidades. No cenário internacional, nossa missão não é simplesmente trazer, ou melhor, ter acesso a recursos, mas a bons projetos. Em nosso Estado, a
essência de nosso trabalho é mostrar profissionalismo de gestão, o potencial do possível investimento a ser realizado e organizar esta estratégia. Temos um excelente portfólio de investimentos que deram certo, PPPs (parcerias público/privadas) e concessões. O governador João Doria tem fortalecido nossa atuação internacional, buscando acessar capital estrangeiro. No desenvolvimento econômico, estamos trabalhando em três frentes; ampliando os investimentos no Estado, fomentando ciência, tecnologia e inovação,
ações fundamentais para a melhoria da produtividade e eficiência, conectando São Paulo às cadeias produtivas globais e fundamentalmente qualificando nossa mão de obra.

Em sua avaliação, qualificar a mão de obra é a ação mais importante?

Sem dúvida. Para se ter uma ideia, mesmo com tanto desemprego no país, dos 461 mil empregos gerados de janeiro a julho no Brasil, 37% foram ocupados por qualificação. Há
muitas vagas ociosas por falta de qualificação. Estamos fazendo um esforço para formar essa mão de obra em função das demandas locais para que esta população possa ter uma chance maior de empregabilidade e que os investidores tenham melhor produtividade
e invistam mais em nosso Estado.

“Todo nosso trabalho tem como
objetivo gerar oportunidades de
emprego, renda e empreendedorismo
para todos os paulistas”

Como o programa Minha Chance pode auxiliar os jovens a ingressar no mercado de trabalho e construir uma carreira?

Lançado em maio, ou seja a menos de seis meses, o programa Minha Chance já é um sucesso. Surgiu com o objetivo de aumentar a empregabilidade dos alunos, oferecendo e customizando cursos de qualificação profissional do Centro Paula Souza e Via Rápida, de acordo com as demandas de empresas parceiras. As empresas cadastram no portal do programa suas vagas de emprego com as habilidades e conhecimentos exigidos para
o preenchimento do cargo. O grande diferencial é que, ao final das aulas, com o certificado já em mãos, o aluno é encaminhado diretamente para o processo seletivo das empresas parceiras, aumentando sua chance de ser empregado. Conseguimos na primeira
rodada deste programa cadastrar empresas com potencial de abertura de quase 22 mil novas vagas de empregos para estes jovens. Empresas como a Grow, Amazon, Totvs, GM e SAP, em parceria conosco, customizaram cursos para, por exemplo, mecânica de patinetes, no caso da Grow, computação em nuvem para Amazon, ou seja é uma grande oportunidade que estamos oferecendo para a juventude.

O programa Meu Emprego – Trabalho Inclusivo, tem como objetivo promover o desenvolvimento profissional, a inclusão e a permanência de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Há muito preconceito ainda ou falta apenas qualificação profissional para a população deficiente em nosso estado?

Todo nosso trabalho tem como objetivo gerar oportunidades de emprego, renda e empreendedorismo para todos os paulistas. O Meu Emprego – Trabalho Inclusivo segue essa linha de ação, promovendo a inclusão, permanência e desenvolvimento
profissional de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A lei de cotas estabelece a obrigatoriedade de empresas com cem ou mais empregados tenham vagas para pessoas com deficiência. No entanto, muitas das vagas abertas para PCDs não são preenchidas
por falta de qualificação profissional, e as empresas acabam optando pelo pagamento da multa prevista em lei. Queremos mudar este quadro, ao todo, estamos oferecendo
17 mil vagas de cursos de qualificação profissional e empreendedora gratuitos para pessoas com deficiênciaem todo estado, ministrados pelo Centro Paula Souza em 2019. Os cursos foram cuidadosamente pensados de acordo com cada tipo de deficiência. São 61 modalidades nas áreas de Ambiente e Saúde; Gestão e Negócios;Informação e  Comunicação; Produção Alimentícia; Produção Cultural e Design e Turismo, Hospitalidade e
Lazer. Além de apoiar o cidadão o programa também apoia os empregadores na busca ativa na captação de candidatos com deficiência. Vamos avançar também nesta área.

O que será o centro de inovação anunciado pelo governador João Doria dedicado à indústria 4.0?

Nossa meta é transformar São Paulo em modelo global em ciência, tecnologia e inovação, reunindo tudo o que há de melhor para criar o Vale do Silício brasileiro, que é o Projeto CITI (Centro Internacional de Tecnologia e Inovação). Precisamos de tecnologia
para fazer gestão pública baseada em dados e evidências. A primeira fase do projeto CITI, que já está em andamento, foi a criação do IPT Open Experience. A meta do programa é gerar novos produtos e soluções inovadoras por meio da conexão entre todos os elos da jornada da inovação em um único local. Neste sentido, o Centro da Quarta Revolução Industrial terá sede no IPT, com o objetivo de desenvolver regulações e políticas públicas
de tecnologias emergentes voltadas à indústria 4.0. A criação do Centro da Quarta Revolução Industrial foi realizada em agosto, em parceria com o Fórum Econômico Mundial e com Governo Federal. A inauguração deve ocorrer no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro de 2020. A abertura do espaço na capital paulista será realizada durante o Fórum Econômico Mundial para a América Latina, em maio de 2020. A Bracell foi a primeira patrocinadora do projeto, e a farmacêutica
AstraZeneca está em fase final de negociação. Inicialmente, o Centro da Quarta Revolução Industrial no Brasil atuará com políticas de dados, Indústria 4.0, Internet das Coisas, cidades inteligentes, robótica, inteligência artificial e blockchain. O programa piloto oferecerá diagnóstico de maturidade tecnológica, identificação de soluções simples e acessíveis para a Internet das Coisas, consultoria financeira e de gestão de pessoas e
suporte financeiro realizado por entidades parceiras. Cento e trinta pequenas e médias empresas deverão participar do projeto em sua fase inicial. Até 2021, a expectativa do programa é atender 2.000 empresas.

Como tem sido o relacionamento institucional com o governo Bolsonaro?

Tivemos um impacto grande, por conta dos cortes do Governo Federal em ciência e tecnologia, nas bolsas, e por conta disso precisamos repactuar nosso orçamento previsto para outros programas, mas o Estado de São Paulo, a pedido do Governador Doria não retirou nenhum real do investimento em ciência e tecnologia. O que é recurso nosso, não só mantivemos como estamos ampliando, trabalhando em um modelo de captação  privada para complementar com investimentos privados internacionais. É muito claro, precisamos continuar com os investimentos em ciência e tecnologia. As missões internacionais têm sido muito importantes até para atrair investimentos para as PPPs e concessões. São Paulo é um estado gigante e todo corte orçamentário do Governo Federal reflete com mais
profundidade aqui, tivemos impacto na área de pesquisa.

Finalizando, secretária, até pouco tempo, os municípios, e os próprios estados, se digladiavam promovendo guerra fiscal para atrair novas indústrias e investimentos. Na realidade do agora, continua sendo um instrumento válido? 

O governador João Doria já afirmou que não fazemos e não admitimos guerra fiscal. Não apoio, e também acredito que, incentivar a guerra fiscal é uma ação nociva para a sociedade como um todo. A reforma tributária precisa ser realizada e estamos em um
momento muito importante para esse debate. Acredito que nos próximos anos vamos acabar conseguindo estabelecer uma padronização dos tributos e a guerra fiscal tenderá a acabar. O problema é o enfrentamento do agora, às vezes pode parecer o caminho mais curto, a curto prazo, o que é um equívoco. Existem incentivos para regiões específicas, mas, na medida do possível, eles têm de ser cada vez menos focados na empresa especificamente. Esses incentivos precisam ser transversais. A atuação dos polos
é justamente para identificar falhas de mercado e atuar nas falhas de governo. O nosso trabalho aqui é alavancar a produtividade do setor privado impulsionando e melhorando
as políticas públicas nas regiões onde as cadeias produtivas estão.

“A minha missão na Secretaria de
Desenvolvimento Econômico se
traduz em gerar oportunidades.
Emprego, empreendedorismo
e renda tem sido o nosso mantra em
São Paulo”

Qual o legado a senhora gostaria de deixar ao estado de São Paulo após concluir sua gestão à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico?

A minha missão na Secretaria de Desenvolvimento Econômico se traduz em gerar oportunidades. Emprego, empreendedorismo e renda tem sido o nosso mantra em São
Paulo. Nossa ideia é alavancar o DNA empreendedor dos brasileiros que vivem em São Paulo para transformar São Paulo na maior referência de empreendedorismo do
Brasil e do mundo. O governador João Doria sempre nos diz para pensarmos grande. Em números, temos como meta triplicar o acesso ao ensino técnico com o Novotec. Fomentar
o empreendedorismo com o programa Empreenda Rápido, realizado em parceria com o Sebrae, qualificar 1 milhão de pessoas em gestão empreendedora por ano e conceder R$1 bilhão em crédito em até 2022, por meio do Banco do Povo.

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