Entrevista – 100 dias de Doria

O governador de São Paulo faz um balanço dos primeiros cem
dias de sua administração e aponta caminhos para a RMVale

João Doria | Divulgação

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), completou em abril cem dias à frente do Palácio dos Bandeirantes deixando evidente sua decisão em priorizar a segurança pública e enxugar a máquina no estado de São Paulo, atendendo desta forma duas de suas máximas na campanha eleitoral de 2018. De forma incisiva tem se movimentado no cenário político participando dos debates nacionais, quase sempre na condição de protagonista, como condutor do estado máximo da nação.

Nestes primeiros cem dias, endureceu a linha no enfrentamento à violência e a criminalidade, pessoalmente negociou para levar os líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para presídios federais, além de investir em ações ostensivas e reconhecimento as forças policiais. No que tange a melhora do serviço público iniciou processos de concessão e privatização de bens do governo do estado.

Defensor da reforma da Previdência, Doria concedeu entrevista exclusiva para a Metrópole Magazine, onde além de um cirúrgico balanço dos primeiros dias da administração estadual aponta o futuro de sua gestão para a RMVale.

Nos 100 primeiros dias de gestão, o senhor investiu em ações de projeção nacional, com destaque para áreas de segurança pública e economia. O cuidado em imprimir essa marca a seu governo acompanha a construção da imagem como político atuante e ciente que São Paulo move o país. Está satisfeito com o trabalho até aqui?

Posso assegurar que nossa gestão está no caminho certo, de crescer com responsabilidade fiscal, com medidas que garantam ainda mais desenvolvimento, emprego, renda e benefícios com a arrecadação de impostos, permitindo ao Governo de São Paulo investir nas áreas mais sensíveis da administração, como Segurança Pública, Saúde, Educação, Habitação e Assistência Social. Analisamos o balanço orçamentário do Estado e detectamos que as receitas incertas e superestimadas pela administração anterior causariam um déficit orçamentário de R$ 10,5 bilhões em 2019. Assim, além do contingenciamento de R$ 5,7 bilhões anunciado em janeiro, tomamos três medidas para minimizar o déficit e possibilitar investimentos da ordem de R$ 4 bilhões: a securitização de royalties do petróleo; operações do Fundo Imobiliário e concessões de rodovias estaduais.

Nosso governo, por meio da Secretaria da Fazenda e Planejamento e da Secretaria de Governo, também elencou 22 projetos prioritários na área de estradas, aeroportos regionais, metrô, parques, presídios e saúde. Estamos avaliando os contratos vigentes e vencimentos para estabelecer cronogramas de novas concessões. Também está em discussão o envio do Projeto de Lei para autorizar a extinção ou fusão de seis empresas estatais: Dersa, Codasp, Emplasa, Prodesp, Imesp e CPOS. Paralelamente, o governo faz levantamento do quadro dessas empresas para fechar a proposta final de enxugamento.

“O Vale do Paraíba é nosso foco, por isso Taubaté receberá uma Companhia
de Ações Especiais da Polícia (Caep)”

Uma importante iniciativa no radar da nossa gestão é a privatização ou capitalização da Sabesp. Seja qual for a medida possível, trarão recursos para os cofres do Estado, permitindo com que sejam feitos investimentos em diversas áreas. Com o anúncio, incentivos dados pelos programas IncentivAuto e Pró-Ferramentaria, o setor automotivo passa a ter importante estímulo do Estado. Já para os produtores e distribuidores rurais, a isenção de ICMS dos produtos hortifrutigranjeiros estendeu o benefício às frutas e hortaliças embaladas ou resfriadas, cortadas ou descascadas, o que significou uma desburocratização e fomento à atividade econômica. Da mesma forma, a mediação do Governo entre a indústria paulista e a Comgás foi determinante para a redução do reajuste do gás industrial, de 37% para 23%.

No setor aéreo, criamos o Programa São Paulo Pra Todos, estimulando 490 decolagens semanais em 70 novos voos, aumentando a oferta de destinos para todo o país e para todo interior. Isso só foi possível após revermos a redução do ICMS que incide sobre o combustível de aviação, permitindo assim redução no
custo operacional das empresas aéreas. Essa medida beneficia não apenas a população paulista, mas de todo o país.

Ações como sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos e abertura de um escritório comercial em Xangai, para negociações bilaterais entre São Paulo e China, são intervenções que merecem ser adotadas pelos demais líderes estaduais em nosso país? Há sintonia do Governo de São Paulo com as políticas implementadas no setor pelo Governo Federal?

Claro. Aumentar o número de empregos está diretamente ligado a capacidade de atrair investimentos. Estamos em um mundo globalizado, cercado de empresas estrangeiras que podem e querem investir em São Paulo e no Brasil. Nossa ida a Davos, no começo do ano, foi acertada na medida em que pude apresentar oportunidades de negócios para uma plateia que estava lá justamente para esse intercâmbio, ávida por conhecer novos mercados.

Não só fui a Davos, como entendo que trazer o Fórum para São Paulo nos aproxima de lideranças governamentais, empresariais e científicas. Um mix perfeito para que novos recursos cheguem ao Estado. Em maio de 2020, o Fórum Econômico Mundial para a América Latina volta a ser sediado em São Paulo, em função de uma solicitação que fiz diretamente ao presidente do Fórum, Klaus Schwab.

A abertura do escritório comercial de Xangai, iniciativa da nossa Secretaria de Relações Internacionais e que anunciamos recentemente, segue essa mesma lógica. A pauta econômica hoje é uma prioridade absoluta. É impossível virar as costas para esse gigante chamado China, principal parceiro comercial de São Paulo e do Brasil. Somos uma equipe de governo incansável no trabalho, com foco em melhorar a qualidade de vida da população e estarmos alinhados nesse objetivo com o Governo Federal pode fazer muita diferença.

Na largada, o senhor endureceu o discurso de combate ao crime, realizando uma megaoperação que retirou do Estado 22 lideranças do Primeiro Comando do Capital. Este mês, em Guararema, uma operação policial matou 11 criminosos. Nos três primeiros meses de gestão o senhor tem priorizado o cumprimento de promessas eleitorais ligadas a segurança, como o lançamento de novas delegacias da mulher 24 horas e novos Batalhões Especiais da Polícia Militar no Estado. Para a RMVale podemos contar com o mesmo rigor na condução da segurança? A BAEP será implantada em Taubaté?

O combate à criminalidade e o reforço no policiamento são uns dos nossos principais compromissos com a população. Desde janeiro, operações como Rodovia Mais Segura e São Paulo Mais Seguro, intensificaram as atividades policiais nas estradas e nas cidades com 15 aeronaves, 21.933 viaturas e 28.413 policiais a serviço da população. Abordaram mais de 750 mil pessoas, mais de 3 mil presos resultando em 357 armas apreendidas e 3,4 toneladas de drogas. O Vale do Paraíba é nosso foco, por isso Taubaté receberá uma Companhia de Ações Especiais da Polícia (Caep), subordinada ao 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), de São José dos Campos, com previsão para implantação no início do próximo semestre. Sobre o funcionamento do Caep as ações estão sendo analisadas pela Polícia Militar. Há também um concurso em andamento no Estado de São Paulo para a contratação de 5.670 novos policiais militares.

Apesar dos avanços na área econômica, o governo tem demonstrado que enfrentará dificuldade em manter todos os programas oferecidos. A decisão de continuar com os recursos previstos para programas culturais foi bastante celebrada. Como garantir novos investimentos para o setor e o que esperar do Estado no fomento à cultura?

A cultura é uma marca de São Paulo e será valorizada ao longo dos quatro anos da minha gestão. Assim como na Saúde, Segurança e Educação, na Cultura também não haverá corte no orçamento nos quatro anos do nosso governo. Além de manter, vamos ampliar o investimento na área, com mais eficiência e eficácia. Os programas e ações culturais impactam positivamente a educação, a segurança, a saúde, o turismo e o desenvolvimento econômico e humano. Há um potencial imenso de crescimento. Como exemplo, estamos conseguindo apoio da iniciativa privada para restaurar e reformar o Museu do Ipiranga, em São Paulo. Já temos garantido R$ 36 milhões. Temos que obter R$ 160 milhões, esse é o nosso objetivo e confio que vamos alcançar. O Museu e os jardins do Museu estarão totalmente recuperados, para, em setembro de 2022, fazermos uma grande celebração dos 200 anos da Independência do Brasil.

“A cultura é uma marca de São Paulo
e será valorizada ao longo dos
quatro anos da minha gestão.”

Das sete promessas de sua campanha na área da educação, o senhor já implementou duas com o lançamento de um novo programa de ensino técnico profissionalizante e a entrega de unidades de creche escola. O senhor também tem cobrado progressos na prometida reforma do ensino médio paulista, com um currículo mais flexibilizado, além da alteração no sistema de avaliação dos alunos. O que esperar da educação durante o Governo Doria?

A Secretaria da Educação já está implementando o Novo Ensino Médio. Em 2019, está sendo conduzido um piloto em parceria com o Centro Paula Souza em 10 escolas.
Ao mesmo tempo, a reelaboração do currículo será iniciada e serão realizadas diversas consultas públicas, através de questionários e seminários regionais, para identificar as demandas dos estudantes e profissionais da rede.

O objetivo dessas consultas é garantir que a construção do modelo seja democrática, ouvindo a todos os atores envolvidos. A equipe da secretaria também está realizando estudos e análises para fortalecer a implementação em 2020. Esses estudos são sobre diversos temas: sistema de matrícula, atribuição de aulas, infraestrutura das escolas, etc. Estes também serão alimentados pelas consultas públicas, a fim de garantir que toda a arquitetura do ensino médio, e não apenas o currículo, esteja alinhada com as expectativas da rede. Sobre o programa de creche, a pasta já entregou 20 unidades desde o início da nova gestão. Média de um prédio por semana.

Na saúde, nestes 100 dias São Paulo ganhou duas novas unidades básicas de saúde e a estadualização de seu programa como prefeito da capital paulista, Corujão da Saúde. No entanto, novos hospitais regionais e um prontuário eletrônico para consultas ainda não tiveram avanços. Essas ações terão por sua parte celeridade?

No primeiro trimestre de 2019, lançamos o Corujão da Saúde, que já está em curso em sete regiões – Grande São Paulo, Campinas, Vale do Paraíba, Bauru, Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Baixada Santista -, onde pretendemos fazer mais de 292 mil exames de endoscopia, mamografia e ultrassonografia nesta primeira etapa. Inclusive, na Grande São Paulo, a demanda reprimida por mamografias foi zerada em 44 dias.

O SUS paulista ganhou 26 serviços de saúde, incluindo 18 Clínicas do tipo UBS e quatro clínicas do tipo CAPS nas regiões do Vale do Ribeira, Itapeva e Campinas, além da reforma da UTI neonatal e Centro Obstétrico da Santa Casa de Itapeva, por meio do programa “Saúde em Ação”; o novo Ambulatório de Especialidades do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB); e a ampliação e modernização da fábrica de vacina contra a gripe do Instituto Butantan, que passou a ser a maior do Hemisfério Sul. Além disso, o novo Hospital Regional de Serrana entrou em funcionamento no último dia 11 de abril.

Compramos também 50 novas viaturas para reforçar a frota do Sistema de Resgate Estadual, distribuídas em bases do Corpo de Bombeiros por todo o Estado. Criamos neste ano uma área inédita na Secretaria da Saúde, a nova Coordenadoria de Inovação Digital, que está trabalhando no desenvolvimento de uma plataforma para reunir a história clínica digital de cada paciente, numa espécie de “prontuário médico” completo do usuário do SUS. Também estão em andamento novos projetos, como aplicativos, telemedicina e outras iniciativas que aliam tecnologia à assistência.

Durante a campanha eleitoral, o senhor prometeu expandir linhas de metrô e melhorar o padrão dos trens da CPTM. Por enquanto, a estação Campo Belo, na linha 5-Lilás do Metrô foi inaugurada, além da ampliação do Expresso Leste-Mogi. No entanto, obras nas linhas 17-Ouro e 15-Prata do monotrilho permanecem paralisadas. O caminho é a ampliação do transporte coletivo? A RMVale poderá ser contemplada com transporte ferroviário entre as cidades?

Nosso objetivo é promover melhoria significativa do transporte de massa para a população do Estado de São Paulo, seja com recursos próprios ou em parceria com a iniciativa privada. Por isso, minha determinação é que o Metrô e a CPTM deem celeridade a todos os projetos e que nenhuma obra fique paralisada. Na linha 15-Prata foi assinado neste mês o contrato de retomada das obras de quatro estações e os trabalhos recomeçarão em alguns dias.

A previsão é que as estações Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus sejam entregues até dezembro. Também foi assinado contrato para construção da Estação Jardim Colonial, programada para ser aberta em 2021. Já na linha 17-Ouro, apenas um dos contratos está em processo de rescisão, o que abrange obra civil da via principal, sistema de sinalização e fornecimento de trens. Os contratos para a construção de oito estações e do pátio de manutenção dos trens estão ativos e as obras, em andamento. Quanto à possibilidade de transporte ferroviário no Vale do Paraíba, há estudos para que no futuro o Trem Intercidades (TIC) chegue à região.

O senhor mantém uma casa em Campos do Jordão, é frequentador do Litoral Norte e conhece os circuitos de fé que a RMVale dispõe. Recentemente, impulsionou o transporte aéreo regional, abaixando os impostos sobre o combustível da aviação. Como desenvolver ainda mais o turismo em nossa região?

A proximidade com a capital favorece a região e facilita o modelo Stopover que, a exemplo de outras capitais do mundo, possibilitam que o turista fique mais tempo na cidade de conexão, fomentando e fortalecendo o turismo regional. A região é privilegiada, pois contempla importantes segmentos do turismo, como o Religioso, com Aparecida, Guaratinguetá e Cachoeira paulista, que juntos, recebem cerca de 15 milhões de fiéis ao ano.

O turismo gastronômico e cultural, a exemplo de Monteiro Lobato, Cunha e Campos do Jordão, além do turismo rural, com suas importantes fazendas de café, tudo isso soma-se ao campo tecnológico de São José dos Campos. Essa região tem tudo para dar certo para crescer em consequência dos seus destinos turísticos consolidados. A região é detentora do maior número de Estâncias (Aparecida, Bananal, Campos do Jordão, Caraguatatuba, Guaratinguetá, Ilhabela, Cunha, Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São José do Barreiro, São Luiz do Paraitinga, São Sebastião, Tremembé, Ubatuba) e MIT’s – Municípios de Interesse Turístico (Areias, Cachoeira Paulista, Cruzeiro, Igaratá, Jacareí, Lavrinhas, Monteiro Lobato, Paraibuna, Queluz, Santa Branca) do Estado de São Paulo.

Finalizando, qual a mensagem que nosso governador gostaria de imprimir ao coração dos cidadãos paulistas após os primeiros 100 dias a frente de nosso Estado?

São Paulo tem um ritmo diferente, um ritmo acelerado e continuará a ser pelos 100, 200, 300 dias. Todos os dias de quatro anos de governo serão realizados no mesmo ritmo, na mesma intensidade, com o mesmo objetivo, diminuir a máquina pública para investir no que realmente importa. Já fizemos mais de 155 mil exames pelo Corujão da Saúde, queremos acabar com as filas.

Criamos 10 Delegacias de Defesa da Mulher 24h, para que nunca estejam de portas fechadas para as vítimas de crimes que que não tem hora para acontecer. Quatro novos Baeps, mega operações policiais, educação profissionalizante para que os alunos já saiam do ensino médio com uma profissão e aulas em parceria com universidades. Incentivos fiscais e parceria com a iniciativa privada para atração de novos investimentos e vagas de trabalho. Expandir programas sociais como o Bom Prato para que mais pessoas tenham café da manhã, almoço e jantar a R$ 1 real são algumas das nossas realizações. O Governo de São Paulo, desde o dia 1 de janeiro, trabalha sem parar e não tem mais indecisão, tem proposta, tem decisão. É sim ou não, fazer ou não fazer.

 

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