Educação&

Segundo especialistas, o tema influencia no comportamento dos alunos, mas também na economia de um país

Educação Financeira investimento além da mesada

A crise econômica no Brasil, iniciada em meados de 2014, tem despertado ainda mais
o interesse do poder público para o incentivo ao consumo consciente. Em um cenário onde o desemprego assola 13,2 milhões de pessoas e o endividamento atinge 62,8 milhões
de consumidores, as escolas têm implementado na grade curricular dos alunos o tema Educação Financeira. Desde 2017, o MEC (Ministério da Educação) instituiu Educação
Financeira, assim como outros temas, assuntos que deverão ser trabalhados de forma transversal entre estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.

“A educação financeira
precisa estar cada vez
mais presente nas disciplinas
aplicadas na educação
básica. O comportamento
ruim dos pais
tem refletido nas crianças
e por isso temos vivido
em uma sociedade onde
é mais importante ter do
que planejar. ”

Claudia Forte,
Superintendente da Associação de
Educação Financeira do Brasil

A ideia é que essas discussões gerem nas crianças e nos jovens a transformação de seus comportamentos na tomada de decisões que possam acarretar, em longo prazo, mudanças significativas na cultura econômica brasileira. A superintendente da Associação
de Educação Financeira do Brasil, Claudia Forte, explica que a educação financeira é trabalhada em disciplinas diferentes, mas que se complementam, ou seja, de forma transversal. Para ela, essa abordagem deve gerar frutos no futuro, como pessoas com maior planejamento financeiro, sobretudo cidadãos conscientes no uso do dinheiro.

“A educação financeira precisa estar cada vez mais presente nas disciplinas aplicadas na educação básica. O comportamento ruim dos pais tem refletido nas crianças e por isso temos vivido em uma sociedade onde é mais importante ter do que planejar”, afirma.
Em São José dos Campos, trabalhar o uso consciente do dinheiro já é uma realidade nas escolas municipais. As aulas de educação financeira são desenvolvidas duas vezes por semana para os alunos do sexto e sétimo ano, durante todo o ano letivo.

“Antes de falar sobre consumo, primeiro trabalhamos a questão do que é necessidade, o que é desejo, porque consumimos e quais os produtos consumidos e depois inserimos a educação financeira de forma a mostrar aos alunos como eles podem poupar, como o
consumo consciente contribui para que ele lide melhor com o dinheiro”, informa Carmen Lúcia de Paula Ferreira Silvério Alves, coordenadora do Programa de Educação Empreendedora.

A proposta de consumo consciente é trabalhada também no Colégio Poliedro de São José dos Campos. Na unidade, o tema envolve alunos do 6º ano no contexto do empreendedorismo para montagem de uma Eco Papelaria. Nascido da parceria entre o Colégio Poliedro e o Sebrae, em 2017, o projeto tem se mostrado sustentável e vem
ganhando visibilidade e importância dentro da escola, tendo em vista seu caráter multidisciplinar. Ele conta com professores de aritmética, geometria, educação para a cidadania, ciências, artes, laboratório e do grupo Ação Jovem.

“Os alunos além de passar a ter um consumo
mais consciente, adquirem habilidades e
comportamentos tais como estabelecer metas,
planejar ações, organizar o trabalho, ter
comprometimento e persistência”

Rosemeire Scudeler Cigagna de Godoy,
Professora do Poliedro

“Na prática são estimuladas atitudes empreendedoras nos alunos através da criação e da gestão de uma pequena empresa. Outra finalidade do projeto é fazer com que o aluno
reflita sobre a nossa interferência no meio ambiente, reconhecendo a importância de adotar práticas sustentáveis: eduzir, reutilizar e reciclar. Há ainda o apelo social, uma vez que a moeda de troca para adquirir produtos da papelaria são alimentos não perecíveis,
os quais posteriormente são doados para instituições de caridade. Portanto, os alunos são estimulados a implantar uma Eco Papelaria, como uma oportunidade de negócio, com consciência ecológica e social. Assim, o consumo consciente é um produto implícito no desenvolvimento do projeto como um todo.”, explica a professora de aritmética e responsável pelo projeto Rosemeire Scudeler Cigagna de Godoy.

“Antes de falar sobre
consumo, primeiro
trabalhamos
a questão do que é
necessidade, o que
é desejo, porque
consumimos e quais
os produtos consumidos
e depois inserimos
a educação
financeira de forma
a mostrar aos alunos
como eles podem
poupar, como o
consumo consciente
contribui para que
ele lide melhor com
o dinheiro.”

Carmen Lúcia de Paula Ferreira Silvério Alves,
Coordenadora do Programa de Educação
Empreendedora.

A professora do Poliedro diz ainda que “ao criarem um empreendimento sustentável e cuidarem do mesmo por pelo menos um ano, os alunos além de passar a ter um consumo mais consciente, adquirem habilidades e comportamentos tais como estabelecer
metas, planejar ações, organizar o trabalho, ter comprometimento e persistência que os nortearão durante oda sua vida adulta e profissional”. Silvye Ane Massaini é doutora
em administração pela USP (Universidade de São Paulo) e professora das disciplinas de finanças na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Massani acredita que
trabalhar o consumo consciente dos alunos pode influenciar diretamente na economia do país, como diminuir índices de inadimplência.

“Eu tenho visto que o ensino das finanças têm, sim, trazido bons frutos. Tive a oportunidade de acompanhar alguns alunos depois do colégio e a visão de mundo deles acaba mudando. A inteligência econômico-financeira é um processo que vai se desenvolvendo a ponto de construirmos uma nova concepção do que é e para o que pode
servir o dinheiro”, afirma. “Poupar é importante porque envolve a questão individual e depois o investimento em títulos, que é muito importante para a economia ajudando até mesmo as empresas a conseguirem capital. Então, gastar de forma consciente tem um
impacto enorme, é mais do que pensar no próprio bolso, é um movimento econômico”, conclui.

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