Educação

Em São Paulo, nos últimos 20 anos, o número de escolas Waldorf aumentou de 9 para 40

Método pouco tradicional, pedagogia Waldorf valoriza potencial de cada aluno

A pedagogia Waldorf existe no Brasil há 66 anos, mas apenas agora o seu nome tem sido
mais notório entre os educadores e pais de alunos. O método, pouco convencional, pensa no aluno enquanto ser humano e quem ele será no futuro. Antes de proporcionar o ensino
de qualidade, a pedagogia trabalha a imagem que se deseja reproduzir do estudante
enquanto pessoa.

No país, nos últimos 10 anos o número de unidades que segue o método cresceu 200%. Atualmente, o Brasil tem 88 escolas afiliadas, com mais de 16 mil alunos e 1,7 mil professores. Há ainda outros 170 colégios em processo de filiação. No estado de São Paulo, são 40 escolas.

Esta filosofia de ensino trabalha três aspectos, sendo eles, o agir, sentir e o pensar. Portanto, as atividades em salas de aula são executadas de forma a
haver harmonia entre este pilar. As aulas de artes e música, por exemplo, são tão importantes quanto as matérias de língua portuguesa e matemática.

Em sala de aula, os estudantes não têm acesso à tecnologia ou aparelhos eletrônicos, não possuem boletins com notas ou utilizam livros didáticos até chegarem no ensino médio. Segundo Cristina Veslaquez, articuladora pedagógica da Federação das Escolas Waldorf no Brasil, o método contribui para o desenvolvimento de uma personalidade de forma equilibrada tanto da criança em fase de desenvolvimento quanto do jovem.

Assim, busca-se estimular a capacidade imaginativa e criativa como ferramentas para atuar no mundo, sem estar focada apenas no desenvolvimento da inteligência e na qualidade de conteúdos. “Ha uma profunda preocupação com as transições, como, por exemplo, da criança que sai do jardim de infância e segue para o ensino fundamental e, posteriormente, no ensino médio. A relação entre desenvolvimento do ser humano e da humanidade forma a base
para o ensino, que é ministrado em épocas, possibilitando o dormir/acordar de cada assunto”, explica.

“A Pedagogia Waldorf
transcende a mera
transmissão de conhecimento
e se converte
em sustentação do desenvolvimento
integral
da criança ou jovem,
cuidando que tudo o
que se faça tenha como
meta a transformação
de sua vontade e o cultivo
de sua sensibilidade
e intelecto.”

Cristina Veslaquez ,
articuladora pedagógica

 

 

Dessa maneira, conforme informa a articuladora pedagógica, a filosofia Waldorf concebe o homem como uma unidade harmônica físico-anímico-espiritual e, sobre esse princípio, fundamenta toda a prática educativa, sendo que seus benefícios estão voltados a ter um olhar integral para o ser humano.

“A Pedagogia Waldorf transcende a mera transmissão de conhecimento e se converte em sustentação do desenvolvimento integral da criança ou jovem, cuidando que tudo o que se faça tenha como meta a transformação de sua vontade e o cultivo de sua sensibilidade e intelecto”, afirma Cristina Veslaquez articuladora pedagógica.

Ao contrário do que é determinado pelo Ministério da Educação, que defende que a criança esteja alfabetizada aos 7 anos e seja introduzida à educação o quanto antes, o ensino Waldorf se diferencia da pedagogia tradicional em uma série de aspectos, a começar pela alfabetização que só deve ter início aos 7 anos, quando se entende que as crianças já adquiriram maturidade.

“A Pedagogia Waldorf transcende a mera transmissão de conhecimento e se converte em sustentação do desenvolvimento integral da criança ou jovem, cuidando que tudo o que se faça tenha como meta a transformação de sua vontade e o cultivo de sua sensibilidade
e intelecto. Desse modo, procura-se estabelecer uma relação harmônica entre desenvolvimento e aprendizagem, fazendo confluir a dinâmica interna da pessoa com a ação pedagógica direta, integrando os processos de desenvolvimento individual com a aprendizagem da experiência humana culturalmente organizada”, complementa a articuladora pedagógica Cristina Veslaquez.

Para a pedagoga Samanta Machado, os métodos de ensino são variados e que cada criança aprende de uma forma diferente e, por isto, o profissional não deve se prender a apenas o que é ensinado na faculdade. “Acredito que a pedagogia de forma geral vai muito além do B-A-BA. Os métodos de ensino são vários e o que prepara o profissional para uma sala de aula é ele mesmo, não o método utilizado. Cada criança é uma e não podemos acreditar que um único método vai ajudar todas as crianças. Cada uma tem facilidade para aprender de uma forma. A faculdade é uma base, mas não te ensina a lidar com as dificuldades encontradas em cada aluno, por isso é importante o profissional de ensino conhecer de tudo um pouco para se adaptar a cada criança que lhe aparece”, contesta.

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