Comportamento& – Vida online

Os prós e contras da realidade virtual

A internet está cada vez mais presente na vida das pessoas. Um estudo feito pela plataforma Hootsuite e a agência We Are Social revela que os brasileiros passam em média 9 horas e 29 minutos online por dia, sendo que os internautas gastam um terço desse tempo acessando as redes sociais. Atualmente o Brasil tem 149,1 milhões de usuários ativos na internet, o que representa 70% da população.

Sendo assim, o meio virtual tem tomado conta de boa parte do tempo e da vida das pessoas, e inclusive, algumas têm direcionado suas atividades profissionais para a internet.
Com isso, surgiram os influenciadores digitais, que fazem das suas postagens uma forma de ganhar dinheiro através de ações de publicidade. Mas manter um público engajado não é tarefa fácil e exige dedicação e exposição.

Para a psicóloga, Renata Miranda, a alta exposição nas redes sociais pode causar impactos na vida de qualquer indivíduo.

“Transmitir apenas alegria é uma interpretação errônea da realidade e com o tempo tem seus impactos negativos, afinal a vida não é perfeita”

Renata Miranda,
psicóloga

“Os criadores de conteúdo digital carregam a responsabilidade de influenciar o seu público ou seus seguidores. Porém, não podemos nos esquecer que esses influenciadores são personagens, e é justamente nesse ponto que alguns se perdem e passam a sofrer as consequências de tamanha exposição. É a vida real versus vida virtual. Tais consequências podem implicar na saúde física e mental desses profissionais, visto que quanto maior a exposição, maior a cobrança social”, explica.

A empresária, Vanessa Carvalho, de 36 anos, conta que se tornou uma influenciadora digital aos poucos.
“Tudo começou no ano de 2011, quando criei o ‘Blog da Van’. Ele funcionava como um diário virtual, onde eu compartilhava o ‘look’ do dia, as próximas tendências de moda e dicas de beleza.

Comecei com um aplicativo de fotos há 9 anos, quando no Brasil era muito pouco conhecido, mas como eu fazia parte do mundo de blogues, já percebia que aquela seria uma forte rede social para os blogueiros. Essa visão vinha por conta de acompanhar os blogues internacionais da época. Aos poucos percebi que gostavam do meu conteúdo através do retorno dos seguidores e de marcas parceiras”, comenta.

Com a exposição provocada pela internet, a influenciadora conta que já passou por situações negativas e positivas.
“Tive um episódio no início em que recebi uma mensagem me chamando de gorda. Ler aquilo me trouxe na hora um sentimento muito ruim. Hoje entendo que a crítica faz parte e respeito todas as opiniões desde que não seja nada ofensivo. Recebo também muitas mensagens carinhosas de pessoas que me acompanham e me causam um sentimento de gratidão. Isso dá sentido a essa entrega, motiva muito saber que de alguma forma você inspira uma pessoa, que você faz diferença no dia dela. Muitos se abrem, contam inseguranças, pedem conselhos. Já teve até segredos que nem a própria família imagina e compartilharam comigo”, conta.

“Hoje entendo que a crítica faz parte e respeito todas as opiniões desde que não seja nada ofensivo”

Vanessa Carvalho,
empresária

Para a psicóloga o mundo contemporâneo exige das pessoas uma cobrança para serem notadas e estar nas redes sociais é uma das formas mais utilizadas para expressar conquistas e para ter a sensação de ser aceito pelos outros.
“Transmitir apenas alegria é uma interpretação errônea da realidade e com o tempo tem seus impactos negativos, afinal a vida não é perfeita. Na condição de seres humanos buscamos felicidade e aceitação, talvez por isso as redes sociais sejam tão atrativas, promovem interação social e uma falsa sensação de pertencer. Esses impactos podem desencadear transtornos de ansiedade, estresse, depressão, entre outros, afinal é como se o indivíduo estivesse interpretando o tempo todo, o que pode levar a uma estafa mental”, destaca a especialista.
As redes sociais se tornaram uma vitrine de sucesso, determinando um padrão de vida e de beleza, muitas vezes inalcançável.
“Tudo é perfeito, porém nem tudo é real! Assim como a vida não é os corpos também não são. Você pode seguir qualquer página nas redes sociais, desde que tenha consciência de que a vida virtual é diferente da vida real. No virtual tudo é líquido, muito frágil, sobretudo, as relações interpessoais. A falta de discernimento no mundo virtual versus mundo real pode causar comparações, que por sua vez levam o indivíduo a frustrações que quando não compreendidas podem impactar negativamente a saúde emocional”, alerta a psicóloga.

A maquiadora, Isabela Fernandes Trucco, de 19 anos, conta que começou a chamar a atenção nas redes sociais quando ainda era menor de idade.
“Eu tinha apenas 15 anos e percebi que minhas fotos tinham muito engajamento. Hoje sou bem resolvida em relação a minha imagem, mas já tive minhas crises. Nas fotos tudo é ângulo, luz e um bom fotógrafo. Ninguém sai lindo em todas as fotos. Por trás de uma boa fotografia sempre tem várias que não foram postadas e isso é normal. Ver boas fotos de outras mulheres me motiva a buscar a minha melhor versão. Para mim o que não funciona é a comparação, acho que não é saudável. Eu vejo que cada um tem sua beleza, seu biotipo, seu corpo único e só seu. Para mim temos que valorizar nossa singularidade como pessoa e não tentar reproduzir outra”, comenta.

“Nas fotos tudo é ângulo, luz e um bom fotógrafo. Ninguém sai lindo em todas as fotos. Por trás de uma boa fotografia sempre tem várias que não foram postadas e isso é normal”

Isabela Fernandes Trucco,
maquiadora

Apesar de atualmente utilizar as redes sociais para divulgar seu trabalho, a maquiadora conta que tem um tempo limite para ficar conectada.
“O aplicativo que uso tem uma opção nas configurações que avisa o tempo que estou online. Assim é possível colocar o tempo que se quer utilizar e ele avisa quando a pessoa atinge o tempo limite. O meu é ativado para uma hora por dia. Quando recebo a notificação já evito o uso”, conta.

Determinar um período para ficar online pode ser umas das melhores maneiras de evitar os excessos na vida virtual.
“Na atualidade é praticamente impossível viver sem contato com o mundo digital. Porém é necessário utilizar essas ferramentas com responsabilidade e discernimento. Estabelecer um tempo limite pode ser interessante para algumas pessoas. Autocontrole é fundamental, tendo em vista que o excesso das ferramentas digitais pode causar impactos negativos na saúde do indivíduo. Destaco também o autoconhecimento, o qual ajudará na sua percepção do tempo dedicado às tecnologias, proporcionando uma reflexão e um limite do que para você é considerado tempo saudável de uso dessas redes”, explica a psicóloga.
Para a especialista o cenário virtual faz parte da contemporaneidade e está presente no dia a dia de todos, não podendo causar mal algum, desde que haja discernimento.
“Você pode seguir qualquer página, desde que tenha consciência de que a vida virtual é diferente da vida real. O problema está em viver como se a vida virtual fosse algo real, e é aí que a internet passa a ser uma armadilha. A tecnologia contribui para o avanço de muitos aspectos da sociedade. Afastar-se não é o melhor caminho, mas filtrar as informações faz-se essencial”, finaliza.

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