CAPA – Educação em Tempos de Isolamento

As aulas mal tinham começado em fevereiro e no mês seguinte, as férias precisaram ser antecipadas. O isolamento social provocado pelo coronavírus era o início de um afastamento sem data para retorno, mudança inesperada que pegou alunos, pais e profissionais da educação de surpresa. Começou aí uma corrida contra o tempo, para dar continuidade ao conteúdo e amenizar os prejuízos causados ao ensino, recorrendo como em alguns casos, às atividades extracurriculares que já estavam disponíveis em plataformas digitais, como complemento das tarefas diárias. Um meio utilizado principalmente pelas instituições privadas para envolver os estudantes, enquanto um novo planejamento de aulas era preparado e materiais didáticos para apoio, fossem confeccionados.

Quem imaginaria que escolas públicas e particulares estariam todas fechadas em pleno período letivo? Demorou um pouco para a ficha cair, mas “o novo normal”, estava apenas no começo e por um período indeterminado.

Tudo virou lição de casa

Um mês depois da suspensão das aulas presenciais, algumas instituições passaram a retomar o calendário escolar à distância, utilizando ferramentas multimidia como internet e tv, para realizar as aulas e se comunicar com os alunos. O ensino tradicional foi adaptado, remodelado e vem sendo repassado de forma remota. Nesta nova fase, o suporte dos pais ou de um responsável foi solicitado para ajudar as crianças menores por exemplo, ficando este então, com a missão de auxiliar nas dúvidas, de ajudar no repasse de atividades, provas e informações. De ser o canal entre o estudante e o professor, ajudando no cumprimento da nova rotina escolar, que entra para a história desta geração. Salas de tv, quartos, mesas improvisadas se transformaram em salas de aula de última hora, onde a interação com colegas e educadores passou a ser apenas virtual. Opção encontrada para não perder o ritmo, o ano letivo e espantar a solidão de quem está acostumado a ficar rodeado pelo movimento de um ambiente escolar. Fica até difícil imaginar que o primeiro semestre do ano está sendo concluído dessa forma.

Tecnologia que aproxima

Ingrid Vitória Latanzi Silva cursa o segundo ano do ensino médio em uma escola particular e conta que não gosta muito de estudar virtualmente, que prefere o contato ao vivo na sala de aula. Como a carga horária foi reduzida, se refletiu no conteúdo, ficando mais corrido para acompanhar, porém diz que a modalidade também tem suas vantagens, como a interatividade e maior aproximação com os professores.

“As aulas vem sendo bem mais didáticas e dinâmicas como forma de interação entre aluno e professor, o que torna as aulas muito mais interessantes. Sem contar o fato de mesmo à distância por incrível que pareça agora neste período de quarentena, pude me aproximar bem mais dos professores através de redes sociais, tirando dúvida e partilhando conhecimento”. A estudante relata ainda que tem tido mais tempo livre, e que tem ocupado esse espaço com projetos sociais e culturais, entre eles o envio de cartas para idosos que estão isolados em uma casa de repouso. Enquanto vive a expectativa do retorno à escola, segue se policiando para manter a disciplina nos estudos, fugindo da procrastinação e das tentações que tiram a atenção como o celular. “ Acredito muito na frase do Dan Brown onde ele diz que ‘o conhecimento é uma ferramenta, e, como todas, seu impacto está na mão do usuário’. Ou seja não importa a plataforma, nem o local, o importante é ter o professor detentor do conhecimento e o aluno para adquiri-lo”.

O acesso limitado no ensino público

Um dos maiores desafios dos estudantes, principalmente da rede pública, é ter acesso às aulas virtuais. Nem todos têm internet em casa e precisam buscar auxílio do Governo para ter o serviço gratuito e até mesmo o wi-fi  da vizinhança. O problema se estende à falta de aparelho móvel, computador e televisor que ofereçam transmissão com qualidade dos vídeos. A limitação se reflete no aprendizado e na motivação.

Nessas horas, os pais precisam se desdobrar em criatividade e dedicação com os filhos, para que eles possam se sentir inseridos no processo. Maria Eduarda, que está cursando o 3º ano do ensino fundamental numa escola estadual em São José dos Campos, tem enfrentado algumas barreiras, mas tira de letra as tarefas com o apoio da mãe. Marcela Moreira conta que a filha não tem conseguido acompanhar as aulas virtuais porque a internet que possui no celular não é boa de sinal para exibir vídeos e que ainda assim a menina passa a manhã toda fazendo as atividades repassadas pela professora via WhatsApp, onde ela já aproveita para tirar as dúvidas. A mãe tem reforçado a teoria com livros e colaborado nas atividades de artes e educação física. Uma maratona diária e necessária.

A preocupação com o Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio foi adiado em maio pelo Inep, após ampla mobilização de estudantes e autoridades. O instituto atribuiu a decisão à “demandas da sociedade” e “manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia”. A decisão representou um recuo diante da posição assumida inicialmente pelo então ministro da Educação, Abraham Weintraub, que insistia em manter o cronograma, com as provas em novembro. No fim de junho foi lançada uma enquete no site oficial do Enem, onde os participantes podem escolher as novas opções de data, a partir de dezembro de 2020. Mas nem esse tempo maior para o estudo, trouxe tranquilidade aos estudantes, que se sentem prejudicados com o EAD.

Sol Aquino de Oliveira, estudante do 3° ano do Ensino Médio da rede pública em São José dos Campos, relata várias difi culdades enfrentadas para estudar à distância, como o ambiente que não é adequado para os estudos, com barulho ao redor e a fragilidade da saúde mental dos mais jovens. Ela explica que fi ca sobrecarregada de trabalhos com conteúdo que não aprendeu e com temas que pouco caem no vestibular. “Esse formato que está sendo proposto de EAD acaba atrapalhando bem mais do que ajudando”.

Francisco Hennemanm, também estudante do 3º ano do ensino médio da rede particular em São José, acha que as notas do Enem 2020 vão cair muito. “Eu acho que poucos serão aqueles que estarão preparados para o Enem no fi nal do ano, o que é muito triste”. Para ele, a maior difi culdade encontrada durante os estudos na quarentena é o cansaço. “Parece que estudar tem sido muito mais cansativo comparado com quando o mundo era normal”, relata.

 

O LADO DO PROFESSOR

Para que o ano letivo prossiga da melhor forma possível, levando em conta toda a superação da nova ferramenta e o distanciamento provocado pelo inesperado, os profissionais da educação entraram em cena, se reinventando e encontrando uma nova forma de trabalhar. A tecnologia nunca esteve tão presente e se tornou indispensável para o ensino em 2020. Educar de forma remota é tão novo para eles quanto tem sido o aprendizado virtual para os estudantes. O professor de gramática, Michael Jones Botelho, e a professora de química, Marcele Cantarelli Nunez, que lecionam no ensino médio do Colégio Univap, compartilharam o dia a dia desta missão tão importante.

Metrópole Magazine – Como tem sido o desafio de manter a qualidade de ensino sem as aulas presenciais?

Marcele – É um desafio muito grande deixarmos o cotidiano de sala de aula que somos habituados e tanto gostamos. Acredito que um dos maiores é a falta de olhar nos olhos dos alunos. O olhar de um aluno diz muito para um professor. Através dele percebemos se entendeu a matéria, se ele tem alguma dúvida, se ele se perdeu em algum momento durante a aula, garantindo não só a qualidade, mas a aprendizagem.

Michael – Os educandos têm acesso à internet e às novas tecnologias, mas se centra no nosso próprio “reinventar-se”, no sentido de entendermos que a sociedade vive um tempo de grande mudança e nós também temos que nos lapidar, deixar para trás os métodos tradicionais de ensino e sermos inovadores. Outro desafio é saber lidar com o tempo, já que essa nova configuração exige um preparo maior e mais específico de nossas aulas, sermos mais concisos e práticos, sem deixar a qualidade e exigência de lado.

Metrópole Magazine – Como é a rotina do professor nesse período?

Marcele – Preparamos a aula, mas precisa ser diferenciada para atender as novas demandas, inclusive levando em consideração toda a carga piscológica que nosso aluno está enfrentando. Corrigimos atividades como antes, mas agora, tudo vem direto na tela do nosso computador. Gravamos vídeoaulas, o que confesso que é algo estranho na minha profissão. Falar para uma câmera e não para os alunos, sem interação é algo extremamente difícil , pois você não sabe se está conseguindo se fazer entender. Respondemos dúvidas de exercícios ou atividades, através de vídeos. As aulas realizadas de forma remota numa plataforma é a minha parte favorita da semana, essa interação com os alunos é algo que não tem preço para um professor.

Michael –  No meu caso, tive que aprender a manipular diversas ferramentas tecnológicas que antes eram totalmente desconhecidas para mim. Apesar de eu ser um professor jovem, tenho 29 anos, não costumava me aventurar muito nessas ferramentas virtuais disponíveis, mais pelo desconhecimento e falta de prática, do que por vontade própria.  Nas primeiras semanas foi bem difícil: saber como se portar, utilizar o meio de comunicação e aprender como seria essa nova forma de interação levou um tempo, mas hoje já me sinto adaptado e percebo que a cada semana tanto eu, como os educandos, nos sentimos mais confortáveis e criamos novas formas de interação.

Metrópole Magazine – É possível preparar os alunos da mesma forma para vestibulares e Enem?

Marcele – É algo difícil de responder, uma vez que estamos vivendo uma situação inédita na educação. O que posso afirmar é que estamos tentando oferecer as melhores condições para que nossos alunos se sintam preparados. Trabalhamos sempre para que os resultados de nossos alunos sejam os melhores, acreditamos muito no potencial deles.

Michael –  Não é possível preparar da mesma forma, visto que o ambiente e o contexto de aprendizagem não são os mesmos, neste sentido, a forma de treino e preparo também mudou. Penso que agora os alunos tiveram que aguçar a habilidade de serem mais autônomos nesse treinamento e, claro, a escola também oferece todo o suporte para que eles consigam atingir esses objetivos, tais como aulas específicas voltadas para o ENEM e outros vestibulares, oferecimento de simulados on-line e um preparatório, no contra turno, para os alunos dos terceiros anos que desejam ter um maior aprofundamento nas principais matérias cobradas. Se antes o nosso ensino e metodologias já eram voltados mais para o ensino prático, hoje essa forma se intensificou.

Metrópole Magazine – Como está se preparando para o retorno presencial caso, isso ocorra mesmo este ano?

Marcele – Acredito que será um retorno diferente do que estamos acostumados, sem abraços, por exemplo. Nesse contexto, procuro me manter atualizada, não só na minha área, mas em diversas outras. E destaco aqui, a área sócio-emocional. Nossos alunos já vêm trabalhando isso, mas vamos precisar acolhê-los com um olhar diferenciado, de forma empática. Logo o olhar e a fala do professor farão toda a diferença nesse momento de retorno. Eu realmente espero que o ano letivo não termine de forma remota, espero ansiosamente reencontrar meus alunos e meus colegas ainda esse ano. Isso, na nossa profissão faz muita falta.

Michael – Confesso que não estou me preparando ainda para as aulas presenciais. Hoje o meu pensamento, os meus estudos e a minha concentração realmente se centram apenas para que a cada aula remota eu consiga me reinventar, ser mais didático e claro para os alunos, pois sei que também para eles, não está sendo fácil assistir a tantas aulas por meio de uma tela de computador, fora a frustração da grande maioria em não poder estar no Colégio participando da rotina, dos eventos e da socialização, que sabemos ser tão importantes e primordiais nessa fase da vida que vivem. Recebo vários relatos dos alunos em relação a isso. Acredito que as aulas presenciais voltem esse ano ainda, mas não da forma como era antes. É muito provável que a escola tenha que passar por várias adaptações físicas e organizacionais para este retorno, assim como toda a sociedade também estão se adaptando.


O PAPEL DO PODER PÚBLICO NO ENSINO DIANTE DO IMPREVISTO

Em situações emergenciais, como é o caso da pandemia, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, permite que as escolas realizem as atividades na modalidade à distância, como já vem ocorrendo em escolas públicas e particulares.

Na rede municipal, cada prefeitura deve definir o próprio cronograma. Em São José dos Campos por exemplo, as aulas de forma virtual, retornaram no dia 3 de junho, com atividades disponíveis no site oficial do Município e no portal do Ledi (Laboratório de Educação Digital). Para isso, os professores precisaram voltar às escolas, para que o trabalho de monitoramento e pedagógico tivessem andamento, o que gerou reclamações por conta do medo do coronavírus, mas somente os que estão em boas condições de saúde ou não fazem parte do grupo de risco, foram convocados. A realização das atividades será contabilizada como carga horária do ano letivo.

Sobre o planejamento e andamento das aulas na rede estadual, nós conversamos com o subsecretário de Articulação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Henrique Pimentel Filho.

Metrópole Magazine – Como foi preparar todo o conteúdo e o sistema de aulas para atender aos mais de 3 milhões e meio de estudantes da rede estadual?

Henrique – Desde o princípio a gente já tinha clareza que era importante manter os estudantes com atividades pedagógicas durante o período de suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia, e a Secretaria se baseou no modelo já exitoso, advindo da Secretaria do Amazonas, que é o Centro de Mídias, que é uma plataforma que faz essa transmissão de aula online, e a gente conta ainda com a mediação dos professores do estudantes regulares. Então é uma junção da escola do modelo atual, mas a partir de uma sala de aula virtual, são aulas do estúdio da capital para todos os municípios. A gente sabe que na rede pública poucos estudantes têm acesso à uma conexão de internet de qualidade, computador, por isso o Centro de Mídias foi destinado para o celular.  Ele conta com uma tecnologia chamada dados patrocinados com tarifação reversa, que significa que o estudante ao acessar, ele não é tarifado, então quem paga a internet consumida é a Secretaria. Além disso a gente sabe que muitas famílias tem dificuldade de deixar o celular em casa, quando o pai tem que sair para trabalhar, então a gente disponibilizou o Centro de Mídias em dois canais na TV aberta, pertencentes à TV Cultura, que ficam transmitindo as aulas. Os alunos podem acompanhar e conversar com os professores por outras plataformas, mandando os exercícios. Uma outra ação foi a impressão de material didático focado nesse período, que foi distribuído.

Metrópole Magazine – Em relação aos resultados, vocês tem monitorado se os estudantes estão conseguindo acompanhar o conteúdo, principalmente os mais carentes?

Henrique – A gente tem monitorado pelo feedback da devolutiva das escolas, tem sido muito positiva a resposta. Que estão entregando as atividades, que estão conseguindo colocar em dia. A gente tem uma divisão, parte dos estudantes acompanham o Centro de Mídias pela tv e a outra parte pelo aplicativo. Também não podemos pensar que todos os estudantes vão ter o mesmo nível de aprendizagem, eles já não tem no regular, quem dirá nesse período. O que a gente tá pensando agora além do monitoramento atual, é estruturar o nosso retorno para as aulas presenciais. A gente está fazendo uma avaliação diagnóstica para entender bem, como os alunos vão chegar de volta às escolas e também um programa grande de reforço e recuperação.

Metrópole Magazine – Essa preocupação também envolve a qualidade do conteúdo? Alguns pais tem ficado preocupados.

Henrique – O conteúdo que está sendo trabalhado no Centro de Mídias, é o mesmo conteúdo das escolas. A gente tem o currículo que orienta toda a parte pedagógica da rede estadual de São Paulo, e partir desse currículo foi criada a programação, as atividade e aulas. São professores da rede que estão trabalhando e todas as aulas passam por uma avaliação criteriosa, inclusive em termos de conteúdo e sequenciamento. O professor elabora a aula, que passa por uma curadoria com um time de especialistas, para ver se está adequada, dinâmica, se encaixa no formato digital e isso nos garante uma maior qualidade e práticas inovadoras também com atividades como o “Mão na Massa”, em que os alunos tem que criar coisas dentro das suas casas, a gente tá conseguindo até fazer atividade de educação física, todos os conteúdos, todas as disciplinas são abordados. Uma coisa muito importante, é que pela primeira vez, os pais conseguiram virar espectadores das aulas que seus filhos têm. E isso é um desafio importante, até para o pai entender que a família não substitui o professor, ele é ali um agente que vai ajudar.

Metrópole Magazine – O governo vem estudando a possibilidade de aumentar um ano no ensino básico para ajudar os estudantes que precisam se preparar para vestibulares e Enem?

Henrique – Isso seria opcional, o estudante que quiser fazer o 3º ano do Ensino Médio novamente ano que vem, a gente vai poder abrir essa possibilidade pensando que eles tiveram um ano muito atípico e que isso pode prejudicar muitos deles. Tem toda uma questão da saúde mental do estudante, do nervosismo na hora da prova, fatores que podem impedir o ingresso desse estudante no enisno superior. Para esses casos, a gente tá desenhando uma proposta de um 4º ano do Ensino Médio como forma complementar.

Metrópole Magazine – Nesse período houve muita alteração no planejamento orçamentário da Secretaria?

Henrique – Houve grandes quedas de receitas como do Fundeb, que é calculado conforme arrecadação do país, que caiu bastante. Apesar da gente ter novos custos neste período, a Secretaria conseguiu fazer muitas coisas através de doações e parcerias. O nosso próprio aplicativo veio através de um chamamento público, foi doado e a gente manteve o salário integral dos professores, sem comprometer a estabilidade desses profissionais. Os demais investimentos que a gente fez foram entorno da garantia para manter o Centro de Mídias como recursos pedagógicos e tecnológicos, também em segurança alimentar, que é um programa emergencial para estudantes de baixa renda que trata de uma transferência de alimentos, para aqueles que estão sem a merenda escolar e dependem desse recurso. A retomada das aulas vai demandar ainda mais investimento porque a gente vai ter que ter infraestrutura, reforma, equipamentos de segurança, mas isso ainda é algo que gente está calculando e vamos contar aí com bastante parcerias.

AS AULAS PRESENCIAIS PODEM VOLTAR EM SETEMBRO

O Governador João Doria anunciou durante uma coletiva que a retomada das aulas presenciais em todos os níveis de ensino das redes pública e particular, está previsto para o dia 8 de setembro. Na primeira de três etapas, as salas terão ocupação máxima de 35%, com revezamento de estudantes durante a semana e sob rígidos protocolos de segurança, definidos no Plano São Paulo, que contém os indicadores de saúde.

“O Governo de São Paulo apresenta um plano consolidado, gradual, cuidadoso e seguro de volta às aulas. Todas as decisões serão compartilhadas com o Comitê de Saúde para garantir prevenção e segurança a alunos, professores e funcionários das redes pública e privada de ensino. Será uma volta gradual e responsável que tem como princípio fundamental garantir a saúde e a vida dos alunos e profissionais de Educação”, afirmou Doria.

De acordo com o governo, a retomada das aulas presenciais só vai acontecer se todas as regiões do estado permanecerem na Fase 3, a amarela, que é a terceira menos restritiva segundo critérios de capacidade hospitalar e evolução da doença, isso por 28 dias consecutivos.

O Governo do Estado estima que o sistema educacional paulista envolva 12,3 milhões de alunos da educação infantil, básica, superior e profissionalizante, além de 1 milhão de professores e demais profissionais. O programa para retomada das aulas presenciais foi detalhado pelo Secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, que se recupera em casa após ficar internado por complicações decorrentes da Covid-19 e fez uma apresentação via teleconferência.

“Especialmente após a pandemia, a educação será ainda mais importante em todas as suas dimensões, do ensino infantil ao superior e complementar. Por isso o plano de retorno é tão importante, com segurança e dentro do que é estabelecido pelas autoridades de saúde”, declarou Rossieli.

Evolução de etapas

Na segunda etapa, a previsão é que até 70% dos alunos poderão voltar às escolas. A meta será cumprida se ao menos 10 dos 17 Departamentos Regionais de Saúde do Estado permanecerem por 14 dias consecutivos na fase verde, com restrições mais brandas do Plano São Paulo. Para chegar à terceira etapa, que vai englobar 100% dos alunos, será necessário que ao menos 13 dos 17 Departamentos Regionais de Saúde estejam por outros 14 dias na fase verde. Se uma região regredir para as fases mais restritivas, a reabertura das escolas será suspensa em todas as cidades daquela área.

O DIÁRIO DE UM GRADUANDO

E no ensino superior? Como os universitários de cusos presenciais estão encarando a modalidade EAD? Nós conversamos com o estudante de nutrição Arthur de Andrade Borges, que dividiu com a gente um pouco dessa experiência e representa a rotina de muitos graduandos que em diferentes cursos, precisam acompanhar a modalidade e garantir a aprovação para o próximo semestre.

Metrópole Magazine – Como tem sido a sua rotina de estudo?

Arthur – Produtiva, apesar de um pouco cansativa. As aulas ocorrem no período da manhã e como me sinto mais bem disposto durante o período da tarde, começo a estudar por volta das 14h, vendo as prioridades do dia de acordo com matérias a serem estudadas e atividades a serem realizadas. Não tenho um horário fixo para terminar, tem dias que finalizo mais cedo, outros mais tarde. Mas em geral, por começar a estudar ‘’cedo’’, costumo ter um tempo onde posso relaxar e fazer outras coisas que não sejam relacionadas aos estudos.

Metrópole Magazine – Na sua opinião, qual a vantagem e desvantagem na modalidade à distância?

Arthur – Acho que a primeira vantagem que vem à minha mente é o conforto. Poder realizar uma prova, por exemplo, no conforto de casa, é bem agradável. De certa forma, é também a desvantagem, pois você vai precisar de muito mais disciplina e dedicação para manter os estudos em dia. Sem falar que diferentemente do sistema presencial, podem ocorrer falhas técnicas que prejudiquem o aprendizado.

Metrópole Magazine – Quanto a qualidade do conteúdo, acredita que é possível manter, como nas aulas presenciais?

Arthur – Seria ótimo, mas não acho que seja possível. Falando de ensino superior, existe uma tendência cada vez maior de inserção de atividades práticas na grade disciplinar, seja ela de qual área for; visando inserir o estudante naquela realidade específica e oferecer uma experiência prévia das aplicações profissionais. O estudo à distância pode ser extremamente produtivo considerando conceitos teóricos, mas considero a impossibilidade de aplicações práticas um fator limitante ao aprendizado. Em geral acredito sim que existam pontos positivos no ensino à distância; porém não acredito que substitua com a mesma qualidade o contato direto entre alunos e professores.

Metrópole Magazine – Na sua opinião, como tem que ser a disciplina do estudante nesse período?

Arthur – Acredito que mais do que no sistema presencial, precisa ser algo bem definido. É fácil se perder e deixar o conteúdo acumular quando se está o tempo todo no conforto de casa e você pode ‘’deixar as coisas pra depois’’. Vale a pena separar um tempo pra estruturar sua rotina em horários bem definidos; Soa ‘’chato’’ mas dessa forma você se protege de fatores como a ansiedade, stress e frustração com os estudos, além de poder reservar um tempo livre para fazer o que quiser e relaxar.

Metrópole Magazine- Espera retornar logo às aulas presenciais? Sente falta dos colegas e da rotina?

Arthur – Sem dúvida! Espero que a situação de saúde no país e no mundo seja logo estabilizada; para que possamos retornar à nossa rotina usual e possamos novamente compartilhar conhecimentos e experiências com nossos colegas, um detalhe extremamente positivo e enriquecedor na nossa formação tanto profissional quanto social.

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