Capa – Da RMVale para a lista dos 90 jovens mais inovadores do país

Lista da revista Forbes apresenta jovens de até 30 anos que mais se destacaram no país em suas áreas de atuação

Ousadia e talento podem ser dois dos diversos adjetivos que descrevem o perfil de integrantes da lista Under 30 da revista Forbes, que conta com a seleção de 90 jovens inovadores em diversas áreas . O espírito empreendedor e a vontade de sair do modismo fez duas pessoas da RMVale entrarem para a lista. João Miranda, CEO e fundador da Hash, e Renata Rebocho, fundadora da Quero Bolsa, são os ‘destaques’ da região.
A dupla, apesar de ser de áreas distintas, tem muito em comum: acreditou em uma ideia e lutou para concretizá-la. Os dois foram classificados nas categorias Finanças e Ciência e Educação, respectivamente. Miranda e Rebocho compartilham espaço com pessoas de renome nacional e internacional.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de outubro de 2018, apontam que 31,9% dos desempregados no Brasil têm entre 18 e 24 anos. No mesmo período, segundo o órgão, o índice de empregos informais chegou a 41,4% em todo o País. Com essas informações pode-se observar que as pessoas têm buscado cada vez mais criar seus próprios meios de gerar renda, ou melhor, buscar o sucesso.
A Metrópole Magazine, apresenta cinco cases de sucesso, incluindo os dois destaques da lista mais famosa do mundo business.

João Miranda
Natural de São José dos Campos, João Miranda começou sua jornada antes mesmo do que imaginava: em olímpiadas científicas na escola particular que estudava, por meio de uma bolsa. Sempre aplicado e curioso para assuntos voltados à programação, Miranda terminou o ensino médio, em 2013, entrando de cabeça em um projeto de dois colegas, que também faziam parte das olímpiadas.

“Apenas em setembro de 2019 fizemos a receita de 2017 e 2018. Esperávamos um crescimento de três a quatro vezes, mas tivemos uma atração muito maior e que nos surpreendeu”

João Miranda,
CEO e fundador da Hash

Aos 17 anos João já ocupava cargos importantes no Pagar.me., startup que simplifica a forma de pagamento online de pequenas e grandes empresas. Miranda conta que não possuía conhecimento aprofundado em programação ou empreendedorismo, mas que tinha vontade de fazer parte do desenvolvimento da empresa.
“Começar nesse segmento não é comum, mas para mim a história foi curiosa. Conheci duas pessoas que faziam parte de um campeonato estudantil e estavam criando uma startup. Estava terminando os estudos e fui convidado para fazer parte da empresa. Foi uma loucura!”, relata.

Um ano depois, João decidiu se especializar e começou a estudar ciências da computação na USP (Universidade de São Paulo), mas abandonou o ensino superior, pois estava em um impasse. Entendeu que precisava sair da startup por desencontro de ideais e que necessitava desenvolver um negócio próprio.
Em 2017, João fundou a Hash com o apoio de outras duas pessoas. Em oito meses conseguiu desenvolver sua tecnologia e fechou US$ 200 mil nos primeiros meses.
“O meu principal desafio foi manter a visão que eu tinha mesmo com o crescimento da empresa. Mas ao longo de 2018 consegui que minha ideia se concretizasse com a entrada de novas pessoas para o time e fechamos acordo com startups conhecidas. Em 2019 implementamos tecnologias que ainda não tínhamos e, com isso, crescemos 10 vezes mais do que o previsto. Apenas em setembro de 2019 fizemos a receita de 2017 e 2018. Esperávamos um crescimento de três a quatro vezes, mas tivemos uma atração muito maior e que nos surpreendeu”, contou.

Questionado sobre quando ocorreu a “troca de chave” que fez a Hash alavancar nos negócios, João informa que tudo aconteceu devido à empresa ser 100% autônoma sem depender de serviços de terceiros.
“A partir do momento que começamos a vender um produto inteiramente nosso e não depender de terceiros, obtivemos um retorno muito grande. É muito comum startups contratarem serviços de outras empresas. Desenvolver a sua própria tecnologia permite total controle sobre a experiência do usuário e nos dá uma autonomia muito maior”, revelou.

Todo o sucesso de João custou a ele, pelo menos no início do desenvolvimento da Hash, problemas de saúde. Ele lembra que por conta da ansiedade de conseguir concretizar suas ideias e fazer o projeto sair do papel teve taquicardia.
“Teve um episódio que mudou muito minha vida e me fez pensar sobre como eu queria as coisas. Eu tinha 21 anos quando comecei com a Hash e no final estava tão estressado que tive taquicardia e fique internato por três dias. Era muito novo, ansioso, queria que as coisas dessem certo e foi um momento em que percebi que sozinho seria mais rápido, mas acompanhado iria mais longe”, relembrou.

Renata Rebocho
Assim como na história acima, Renata também sempre esteve ligada ao empreendedorismo e desde cedo, aos 14 anos, já trabalhava como revendedora de roupas nas cidades da RMVale. Sempre bem aplicada nos estudos, Renata ganhou o prêmio de melhor aluna do ano no colégio em que estudava por algumas vezes. Até começar na Quero Bolsa, um marketplace que ajuda alunos a pesquisarem e se matricularem em cursos superiores de todo Brasil, ela não pensava em empreender, mas sim em seguir por muito mais tempo na área acadêmica.

“Tínhamos bem menos recursos financeiros que outras startups de sucesso ou até mesmo que os nossos concorrentes, que fomos superando um a um”

Renata Rebocho,
fundadora da Quero Bolsa

“Optei por cursar Direito por acreditar que advogando poderia impactar a vida das pessoas positivamente, contribuindo para uma sociedade e um mundo melhor. No entanto, no curso e nos estágios comecei a me desiludir com a prática do direito e com o sistema, ao ver como alguns profissionais da área atuavam sem propósito além do financeiro, e ver como pessoas de bem e empreendedores sofriam com o sistema jurídico injusto, burocrático e ineficiente do país”, desabafou Renata. “Então, para ganhar outra perspectiva de mundo, larguei meus estágios e comecei a me envolver na Quero Bolsa, a princípio de forma despretensiosa e com o único objetivo de ajudar meus amigos a organizarem o negócio”.
A jornada de Renata na empresa começou quando ela precisou decidir sobre uma proposta de trabalho em São Paulo. Aos 20 anos, em setembro de 2012, Rebocho tinha acabado de se casar e seu marido, que hoje é seu sócio, estava empreendendo na startup, mas os negócios não iam bem.

“Ele me disse que poderia ser um bom momento de fechar o negócio, que estava quase sem caixa e com poucas perspectivas naquele momento e ir para São Paulo comigo, onde ele também tinha algumas boas propostas, viver uma vida mais estável e confortável. Mas quando ele me contou sobre os desafios e problemas que estava enfrentando eu resolvi que, em vez de um novo emprego, tentaria ajudá-lo a não deixar o barco naufragar”, destacou.
Renata conta que poucos dias depois de começar na empresa, numa última tentativa de salvá-la, ela e seu esposo decidiram abandonar o principal produto da startup e focar num protótipo, que era o Quero Bolsa.

Um pequeno time foi criado para iniciar esta nova proposta da startup, com novos sócios e uma equipe mínima de atendimento aos alunos. O site foi todo atualizado e modernizado.
“Em outubro de 2012, nosso caixa estava se esgotando. Tínhamos só 4 meses, até janeiro do próximo ano, para sair de zero de receita até o ‘break even’, pois era quando o caixa da empresa, levantado por meio de investidores anjos, iria acabar. Chegou a nossa primeira alta, período de matrículas nas instituições de ensino, e o site bombou. Pareceu um milagre, mas funcionou! Tivemos um faturamento de R$ 30mil em janeiro e R$ 40mil em fevereiro. Desde então a empresa cresceu e em 2013 o faturamento passou de R$ 1 milhão”, exaltou.

Para Renata o sucesso da Quero Bolsa está na área mais importante da empresa, que é a gestão de pessoas e RH “área que eu assumi e me especializei a medida que fomos crescendo e trouxemos outros sócios e diretores. Tínhamos bem menos recursos financeiros que outras startups de sucesso ou até mesmo que os nossos concorrentes, que fomos superando um a um. Tenho muito orgulho dos nossos sócios e amigos, que construíram a empresa conosco: fui privilegiada em poder trabalhar com pessoas tão inteligentes, competentes e leais, e me sinto muito honrada de ter tido a confiança deles, apesar de ser tão nova e inexperiente. É muito mais deles do que meu o mérito pelo sucesso da Quero”, enfatizou.
Além dos dois jovens residentes na RMVale descatados pela Forbes, outros profissionais com menos de 30 anos vêm se destacando e trilhando caminhos semelhantes.

Breno Andrade
De família simples, Breno Andrade, de 29 anos, é sócio da WFlow Investimentos. Andrade cresceu na zona norte de São José dos Campos e foi uma criança fora do comum. Sempre gostou de fazer além do que lhe pediam e buscava ter estabilidade financeira ainda adolescente.
Breno trabalhou desde os 14 anos fazendo ‘bicos’ pela cidade a fim de juntar dinheiro. No ensino médio conseguiu uma bolsa de estudos em escola particular, onde se formou com o propósito de iniciar os estudos em uma faculdade. Cursou engenharia mecânica na Universidade Federal de Itajubá, no sul de Minas Gerais. Durante a graduação, Breno fez iniciação científica e conseguiu participar de programas de incentivo à inserção ao mercado de trabalho e conseguiu uma bolsa de estudo integral na França.

“Nessa época ainda não havia me formado na faculdade, mas já tinha a mentalidade de não ser conformado com o comodismo”

Breno Andrade,
sócio da WFlow Investimentos

No país europeu, conseguiu o seu primeiro contrato profissional por meio de um estágio na divisão de helicópteros da Airbus. Naturalmente, a soma disso com o currículo facilitou a entrada de Breno em outra empresa, em Itajubá.
“Nessa época ainda não havia me formado na faculdade, mas já tinha a mentalidade de não ser conformado com o comodismo. Eu sempre fazia muito mais do que me pediam. Tinha que me preparar para lidar com a questão financeira e também a relação com pessoas, porque eu sabia que um dia eu iria querer empreender”, disse.

Breno conta que quando adolescente seus amigos saiam para curtir a noite e ele trabalhava em buffet, já pensando em juntar dinheiro.
“Sempre pensei nisso, no intercâmbio já tinha essa ideia de ter um fundo de reserva com o valor que eu ganhasse da bolsa. Também convivi com muitas pessoas que sempre disseram sobre montar empresas. Na faculdade nasceu a ideia associada à empreender no ramo financeiro”, completou.
Depois de formado, como engenheiro, Breno conseguiu manter certa estabilidade e começou a estruturar suas ideias de consultoria financeira junto com seus amigos, mas não evoluiu. Em 2016, iniciou o processo de transição de CLT para autônomo. “Depois que conheci o universo de investimentos, de ter acesso à educação financeira e a WFlow soube que era nisso que eu queria depositar a minha energia”, afirmou.

“Eu precisava de duas coisas: dinheiro e conhecimento para empreender. Necessitava estruturar financeiramente o plano e se não desse resultado em dois anos não impactaria a minha vida. Então precisei da engenharia para fazer esse meu ‘pé de meia’”, contou.
No início da WFlow, foi desafiador para convencer os clientes e também pessoas a trabalharem com ele. “Quando a gente trouxe filial para São José, éramos em dois, passamos para três e depois quatro. Mas em pouco tempo dois desistiram do sonho. Isso aconteceu em meio a investimentos de ampliação do escritório. A nossa maior dificuldade era trazer pessoas que tivessem o mesmo sonho e que mantivessem a cultura, porque, assim, não desistiriam”, ressaltou.

Segundo Breno, a taxa de crescimento da WFlow no país entra na faixa de 80% ao ano, desde 2012. Em São José, esse crescimento foi superior a 200% ao ano. Atualmente, existem 700 escritórios espalhados pelo país e a unidade de São José faz parte da lista dos 20 maiores, desde a criação do ranking em 2013.

Gabriella Ferreira
Gabriella Ferreira, ou só Gabi Ferreira, de São José dos Campos, 21 anos, é influenciadora digital desde 2016 e atualmente é uma das maiores da RMVale com mais de 214 mil seguidores no Instagram.
Gabi começou cedo, aos 15 anos criou seu canal no YouTube e, com um olhar empreendedor, abriu e-commerce de roupas aos 16 anos. O negócio foi promissor desde o início, com faturamento de R$ 6.000 por mês.
“Aos 18 comecei a vender projetos de vídeos para grandes marcas, os famosos publiposts e meus negócios cresceram ainda mais”, conta.

“Aos 15 anos abri meu canal no YouTube, aos 16 abri meu e-commerce de roupa que faturava R$6.000 por mês”

Gabriella Ferreira,
influenciadora digital

Gabi ficou grávida aos 19 anos e foi muito criticada. Ela conta que começou e parou duas faculdades e isso também foi alvo de críticas. Enfrentando as dificuldades avançou e continuou buscando oportunidades de se manter em evidência no meio digital.
“Quando eu tinha 19 anos e estava grávida, ouvi que era uma decepção por ter repetido de ano e por ter desistido de duas faculdades. Mas a vida é sobre agarrar as oportunidades, sabe? Hoje em dia eu transformo vidas e carreiras e sou apaixonada por todos meus clientes. É acreditar em sonhos e colocá-los em prática, é isso que ensino nos meus cursos!”, afirma.

Superando as adversidades e com seu espaço já garantido no meio digital, a influencer iniciou um novo projeto para orientar pessoas que também desejam trabalhar com a internet: a Influencer Academy – uma das maiores academias de influenciadoras do Brasil. Hoje, trabalha como influenciadora para grandes marcas como Coca-Cola, Nestlé, Itaú e Universal Music. Em 2019, a jovem faturou mais de R$ 1,5 milhão com venda de produtos online.

“Aos 20 abri a maior academia de influenciadoras do Brasil e hoje, com 21 anos faturei, mais de um milhão e meio vendendo os meus produtos online, apartamento quitado, investimentos rendendo e dou suporte financeiro para minha família. Tudo isso com um computador, uma câmera e um wi-fi”, conta Gabi.

DJ GBR
O início de carreira de Gabriel Goulart, 17 anos, mais conhecido como DJ GBR, de São José dos Campos, também foi parecido com o de Gabi – em casa com um computador. Aos 11 anos, ele começou a produzir suas primeiras músicas.
“Fazia só produção. Comecei a montar umas músicas e fui me aperfeiçoando em produção. Depois de um tempo decidi que não queria mais só produzir, mas queria tocar também, queria mostrar meu trabalho”, conta GBR.

“A minha dica é persistência e buscar se diferenciar do que já existe. Se você já faz a mesma coisa que já esta no mercado, não vai fazer destaque. Diferenciar é a palavra certa”

Gabriel Goulart,
DJ

Após alguns anos, o músico passou a buscar oportunidades para tocar em shows. Para divulgar seu trabalho, GBR se apresentou em diversos bailes funk, casas de shows e festas, até mesmo de graça. “Meus primeiros shows foram todos em São José, fiquei uns 2, 3 anos tocando na cidade. Tocava até de graça só pra divulgar meu trabalho. Eu sempre tive muita ajuda do meu irmão, que ia comigo nos bailes”, conta.
Porém, para conquistar seu espaço ele ainda precisava mostrar que tinha algo que os outros MC’s do mundo do funk ainda não tinham.

“A minha dica é persistência e buscar se diferenciar do que já existe. Se você faz a mesma coisa que já está no mercado, não vai se destacar. Diferenciar é a palavra certa”, afirma.
Foi então que DJ GBR fez algo que impactaria todo o Brasil: criou um novo estilo musical, o rave funk. O estilo é uma mistura de música eletrônica com batidas de funk. Gabriel conta que teve a ideia quando foi no show de um amigo que é DJ de eletro.
“Sempre gostei de eletrônico, mas nem tanto. Fui a uma festa onde meu amigo ia tocar, aí ele tocou uma música que tinha uma crescente legal e pensei ‘dá pra colocar uma batida de funk quando o beat dropar’. A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi fazer a música, estava pronta na minha mente”, conta GBR.

Ele postou o som no YouTube e teve milhares de visualizações, a mesma coisa aconteceu com a segunda música desse novo estilo e assim por diante. Desde então, a popularidade de DJ GBR começou a subir até que explodiu nacionalmente em 2019.
Somente em dezembro, GBR fez 60 shows. Em novembro, tocou para mais de 30 mil pessoas em um dos maiores festivais universitários do Brasil, o Tusca. A agenda do carnaval 2020 já esta lotada com a previsão de 13 bailes em quatro dias. Suas apresentações não são simples shows, elas têm nome próprio: RAVE DO GBR. Assim como o bordão “Cê acredita?”, do MC Kevinho, nas maiores festas de funk do Brasil não há um funkeiro que não tenha escutado “Eita! É o DJ GBR!”.

O músico tem mais de 90 mil seguidores no Instagram e até a própria linha de camisetas. GBR fechou contrato com a GR6, uma das maiores produtoras de funk do país.
“Muita gente vai desacreditar do seu sonho, vai ter preconceito, ainda mais se você for um funkeiro, mas tem que ser persistente. Demorei cinco anos pra conseguir 1 milhão em uma música. Parecia que nunca ia chegar e chegou. Hoje estou com a GR6, maior produtora de funk do Brasil. Conheci pessoas que eu só via na televisão. Tinha pessoas que eu admirava muito e me chamaram pra fazer música” GBR superou dificuldades, preconceitos e chegou em um lugar de destaque. Ele conta que hoje, com apenas 17 anos, consegue dar uma vida boa para a sua família fazendo aquilo que ama. O músico conta que deve lançar muitas músicas e parcerias em 2020.

“Graças a Deus, hoje estou sustentado a minha família. Era uma coisa que eu sempre sonhei, dar uma vida melhor pra eles. Esse ano também vou comprar uma casa melhor. […]2020 vai ser o ano da diferença, não vou só lançar músicas no estilo que eu criei, o rave funk. ‘To’ com uma música com o MC Lan, já lançamos. Vou fazer bastante feat forte, um deles com o MC Livinho”, conta DJ GBR.

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