Capa

Empresas lideram corrida no mercado de tecnologia

A revolução das startups na RMVale

São José dos Campos, a maior cidade da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte), concentra importantes empresas, instituições de ensino e centros de pesquisa, além de abrigar o maior centro aeroespacial da América Latina. A cidade
é um importante polo tecnológico, influenciada também por sua localização entre as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Esses fatores favorecem para que
empresas se instalem no município em busca de rápidos resultados e crescimentos, como é o caso das startups. Para se ter uma ideia, o município foi classificado como o sexto melhor de todo o pais para se empreender.

A pesquisa publicada em 2015 pela Fachada do Parque Tecnológico Endeavor Brasil  apontou que São José fica atrás apenas das grandes cidades, como São Paulo, Florianópolis, Vitória, Recife e Campinas. O estudo avaliou 32 cidades em 22 estados do Brasil. Ao todo, foram analisados 55 indicadores em sete segmentos: ambiente regulatório,
mercado, inovação, acesso a capital, infraestrutura, capital humano e cultura empreendedora. Considerando os rankings por segmento, São José é o quinto colocado em capital humano, e o sexto em inovação e infraestrutura.

O Parque Tecnológico em São José, por exemplo, é o maior centro desse tipo no país que conseguiu reunir incubadoras de negócios, centros empresariais, laboratórios multiusuários, escritório de negócios e universidades. Atualmente, são 142 startups, 2 mil
pessoas, entre funcionários e fundadores, e 4 mil alunos que estão ligados ao Parque Tecnológico. A maioria das startups pertence ao setor de tecnologia e indústria 4.0.

“O parque conseguiu
fazer essas conexões
acontecerem e agora
é um facilitador para
o desenvolvimento,
consequentemente
atrai o interesse
de investidores e
novos negócios”

Alexandre Barros,
gestor de empreendedorismo e
inovação do PqTec

O Parque Tecnológico tem o conceito de conexão, esse é o principal objetivo, conectar a parte de academia, o poder público, as empresas e a sociedade. “O parque conseguiu fazer essas conexões acontecerem e agora é um facilitador para o desenvolvimento, consequentemente atrai o interesse de investidores e novos negócios”, afirma Alexandre Barros, gestor de empreendedorismo e inovação do PqTec. O Parque Tecnológico, que recebe investimentos de até R$ 14 milhões, conta ainda com o Nexus, o hub de incubação
e aceleração que funciona como um programa que acompanha empreendedores desde a ideia no papel até a consolidação das startups, em busca de um crescimento exponencial.

“O Nexus é muito importante nesse processo, pois o produto que ele entrega são empresas faturando. As empresas chegam aqui para empreender com suas ideias e saem faturando, assim transformamos a ideia em um negócio. No ano passado, por exemplo, tivemos duas startups que captaram R$ 500 mil de investidores anjos e esse ano foram R$ 5 milhões, divididos entre investidores anjos e fundos de investimentos”, destaca Barros.

São José dos Campos conta hoje também com o apoio da Lei de Incentivo. Criada pela Prefeitura, a lei proporciona subsídios para o Programa de Incentivo à Inovação Científica, Tecnológica e Sustentável na cidade. O objetivo do projeto é estimular e fomentar a criação de startups e iniciativas de desenvolvimento tecnológico, consolidando o município como uma das principais capitais brasileiras da inovação, oferecendo incentivos às atuais e atraindo novas empresas para a cidade.

“A Prefeitura tem um olhar dinâmico e acredita que as startups trazem agilidade e criatividade ao município. Então, o prefeito Felicio Ramuth procura incentivar a vinda de novas startups. O prefeito criou a Secretaria de Inovação justamente para dialogar com esse setor. Hoje, a pasta está dentro do parque e vive toda a dinâmica que lá existe e tem uma visão de muita importância: a formação e renovação depende dessas empresas para a
sustentabilidade econômica local”, destacou o secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico, Alberto Alves Marques Filho, o ‘Mano’.

“O parque hoje é
um componente
capaz de criar linhas
de ligação entre
empresas para gerar
serviços tecnológicos.
O futuro é isso! Isso
aqui tem que ser o
nosso Silicon Valley, o
Vale do Silício Caipira”

Daniel Gil Monteiro de Faria,
Proprietário das startups Engtelco e Anova Sistemas

Porque a RMVale é tão boa para empresas de Ciência & Tecnologia ?

O empresário Daniel Gil Monteiro de Faria é proprietário das startups Engtelco e Anova Sistemas, ambas estão instaladas no Parque Tecnológico de São José dos Campos. Ele fundou a primeira empresa em 2005 e se instalou no PqTec há 8 anos. Já a segunda empresa nasceu dentro do parque há dois anos. A primeira atua no ramo de telecomunicações e a segunda no desenvolvimento de software para o varejo.

“O parque hoje é um componente capaz de criar linhas de ligação entre empresas para gerar serviços tecnológicos. O futuro é isso! Aqui tem que ser o nosso Silicon Valley, o Vale do Silício Caipira”, aponta Daniel.

Daniel afirma que a Engtelco se desenvolveu bastante desde que foi transferida para o parque em 2011, por conta do ambiente. Isso inclui o “convívio” com outras empresas e proximidade de universidades.

“Uma empresa de tecnologia não vive só, pois precisa de tecnologias que muitas vezes não domina, mas empresas vizinhas dominam. Então estar em um ambiente tecnológico favorece”, afirma Daniel.

O empresário destaca também que o contexto em que a RMVale se encaixa é totalmente favorável ao empreendimento tecnológico por vários aspectos. Além de estrategicamente posicionada no eixo Rio-São Paulo, a região ganha a característica de polo científico pela
presença de centros tecnológicos como Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) – localizado em Cachoeira Paulista – Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), CTA (Centro Tecnológico Aeroespacial) e Ieav (Instituto de Estudos Avançados)   ambos em São José dos Campos.

“COSTUMAMOS FALAR
QUE, SE COLOCAREM
DINHEIRO NAS
EMPRESAS QUE ESTÃO
NO PARQUE, NÓS
COLOCAMOS O HOMEM
LÁ EM MARTE”

Daniel Gil Monteiro de Faria,
Proprietário das startups Engtelco e Anova Sistemas

Diversas universidades como Unifesp – SJC (Universidade Federal de São Paulo –Campus São José), FEG Unesp (Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá – Universidade Estadual
Paulista) e ITA (Instituto Tecnológico e Aeronáutica) em São José, são grandes formadores de mão de obra especializada.

“O parque está estrategicamente colocado nesse eixo Rio-São Paulo e criando mecanismos necessários para o desenvolvimento das empresas […] Outra coisa muito importante é que no nosso entorno temos universidades. Temos aqui 10 desenvolvedores que são da Fatec [Faculdade de Tecnologia] de São José dos Campos, que fica aqui do lado”, conta Daniel. Afirma também que o futuro é mais do que promissor e, com mais investimentos,
é possível potencializar ainda mais o crescimento tecnológico e científico da RMVale.

“Costumamos falar que, se colocarem dinheiro nas empresas que estão no parque, nós colocamos o homem lá em Marte”, afirma o empresário.

A região de oportunidades que gera pessoas que geram oportunidades

Natural da cidade de Pedralva-MG, que tem pouco mais de 11 mil habitantes (IBGE 2010), Gustavo Ribeiro, 26 anos, CTO da MeDescola, juntamente com Rubens Costa, 31 anos,
CEO da startup, criaram a plataforma que no próximo ano, segundo projeção da própria empresa, pode beneficiar mais de 10 mil estudantes do ensino médio em todo o Brasil.
Gustavo se mudou aos 14 anos para São José dos Campos – 165 quilômetros de distância de Pedralva – justamente porque há grandes instituições de ensino na RMVale.

“Sai de lá, fiz Senai e depois Etec. Morei no fundo da casa da minha tia. Fiz o Enem e ganhei bolsa na faculdade. Depois consegui bolsa no Ciência Sem Fronteira e morei nos Estados Unidos por um ano e meio”, conta Gustavo. O empresário Rubens Costa decidiu
inovar no ramo da educação para ajudar adolescentes a conseguir bolsas em escolas particulares para cursar o ensino médio. Rubens conta que foi bolsista em uma escola
particular de São José e que a MeDescola nasceu da vontade de transformar a educação no país e gerar mais oportunidades como ele e Gustavo tiveram.

A startup liga alunos do ensino médio com escolas particulares que oferecem bolsas de estudo. A grande novidade é que a plataforma da MeDescola faz uma avaliação do aluno
e oferece bolsas de estudo personalizadas de acordo com o perfil do usuário. “A bolsa é adequada a necessidade da escola, mas principalmente também tem a valorização da individualização, daquilo que entendemos que é intrínseco de cada pessoa e falamos
para o aluno que aquilo que ele tem vale muito para uma escola que está disposta a pagar por isso. E como ela paga? Dando desconto”, explica Rubens.

O estudante baixa o aplicativo e responde a um questionário. No mesmo instante o app mostra a quantidade de questões acertadas. A partir disso, a bolsa é gerada baseada no
perfil do aluno. Todo usuário pode fazer uma prova por mês. O app tem também um dispositivo de segurança através do reconhecimento facial que impede que outra pessoa faça a prova pelo aluno. Caso o aluno saia do aplicativo ou pare de olhar para o celular,
a prova também é encerrada. Rubens afirma que o objetivo da startup é impactar positivamente a educação no Brasil e gerar oportunidades de uma boa educação, principalmente para alunos da rede pública. No início de agosto, o novo app da MeDescola estará disponível para usuários de São José, no final de agosto para toda a RMVale
e a partir de janeiro de 2020 para todo o pais.

“Analisamos até quem são nossos investidores, porque queremos um dinheiro de transformação. Nós vamos escalar no ano que vem, de 2 mil alunos que temos, para 15 ou 20 mil alunos. Estamos falando em transformar a educação”, comenta o empresário.
O CTO, Gustavo Ribeiro, explica que, quando foram buscar os investidores descobriu que há muitas pessoas, empresas e escolas na RMVale com o mesmo anseio de transformar
a educação.

“As escolas abraçaram agente. Sempre mandam mensagem falando ‘E aí, quando a gente vai começar?’. Sentimos bastante empolgação por parte deles. As escolas compram bastante a ideia, porque atende uma dificuldade que temos hoje”, afirmou Gustavo.

Um futuro já presente

Lançado no dia 12 de junho de 2019, o loteamento Cidade Tecnológica em São José dos Campos foi criado para ser a expansão do Parque Tecnológico. O projeto prevê a criação
do primeiro distrito de inovação planejado do país. O investimento está estimado em
R$ 70 milhões e inclui todos os custos, como compra de terrenos, construção e incorporação. O distrito ficará em uma área total de 308.000 m² e contará com 116 lotes de aproximadamente 1.000 m².

A intenção da Exto Incorporação e Construção é criar um espaço que combine três fatores: vida, lazer e produção. Além disso, está previsto a criação de uma área de lazer pública,
com quadra poliesportiva, academia ao ar livre em um espaço de 42.000 m². Haverá ainda uma área de preservação permanente em um local de 30.000 m². Empresas de tecnologia  de todo o Vale do Paraíba, do Brasil e do exterior poderão se instalar no polo, incluindo
comércios e hotéis. O diretor de novos negócios da empresa Exto, Rodolfo Matos, afirmou no dia da inauguração que a empresa que se instalar no local, tem uma grande vantagem justamente por estar no distrito do Parque Tecnológico.

“Um convênio entre a Associação da Cidade Tecnológica com o Parque Tecnológico permitirá ao proprietário utilizar os laboratórios do parque […] São José dos Campos está em uma localização estratégica, às margens da via Dutra, próxima ao aeroporto de
Guarulhos e no eixo Rio-São Paulo. Além disso, a cidade conta com a primeira força de trabalho de tecnologia do País, ou seja, mão de obra qualificada”, ressaltou.
Taubaté também tem um projeto para a construção de um centro tecnológico. o Parque Tecnológico de Taubaté foi lançado em 2014 e oficialmente inaugurado em 2016, e
busca empresas para operação no local.

A ideia é que o parque, quando em funcionamento, seja voltado para diversas áreas,
como Engenharia Ferroviária, Engenharia Automotiva, Engenharia Aeronáutica (Asa Rotativa), Energia Verde, Engenharia Biomédica, Biotecnologia e Aplicações Médicas,
Águas e Engenharia Química. A área de 731.000 m² no Distrito Industrial do Una recebeu apenas algumas obras de terraplenagem, pórtico, infraestrutura, placas de sinalização e de identificação. Até agora, foram investidos cerca de R$ 4 milhões, sendo R$ 300 mil pela prefeitura e o restante vindo de três empresas em contrapartida pela doação da área.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here