Especial

País é o segundo maior território do mundo a realizar procedimentos estéticos e reparadores

De bem com o corpo, número de cirurgias plásticas cresce 114% no Brasil

A procura pelo corpo perfeito é um dos motivos que faz a cirurgia plástica crescer a cada ano no Brasil, o segundo maior mercado no mundo perdendo apenas para os Estados Unidos. Mão de obra qualificada, país tropical e custo do serviço favorecem para a realização dos procedimentos estéticos. A SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) aponta que comparado com 2014, o número de intervenções cirúrgicas do tipo tiveram alta de 114,24% em 2016, com 1.472.435 procedimentos executados. Tendência entre os jovens e adolescentes de 14 e 18 anos, a quantidade de cirurgias mais do que dobrou em quatro anos, saltando de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012. O número indica alta de 141%, segundo a SBCP. Ainda de acordo com o órgão, a partir de junho a corrida para a realização de cirurgias estéticas aumenta até 50%, devido às temperaturas mais baixas que oferecem mais ‘conforto’ no processo de recuperação dos pacientes. O aumento de procedimentos estéticos pode ser explicado pela mão de obra qualificada e serviço  barato, como informa o cirurgião plástico Juan Sánchez, de São José dos Campos, e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“O custo da cirurgia
plástica, como a
maioria das coisas da
vida atual, está mais
acessível. Apesar
disso, comparado
com o valor cobrado
internacionalmente
o preço exigido para
procedimentos no Brasil
são muito mais baratos”

Juan Sánchez,
Cirurgião Plástico

“O custo da cirurgia plástica, como a maioria das coisas da vida atual, está mais acessível. Apesar disso, comparado com o valor cobrado internacionalmente o preço exigido para procedimentos no Brasil são muito mais baratos. Além disso, os nossos profissionais são altamente qualificados e os resultados dos nossos trabalhos são muito bons”, destaca.
No entanto, o ‘brilho nos olhos’ pelos bons resultados e o fácil acesso aos procedimentos
também despertam outra questão: o número de cirurgiões plásticos e a popularização de trabalhos estéticos feitos por profissionais que não são formados em medicina e especializados no setor.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, enquanto nos últimos 10 anos a população brasileira aumentou 10% o número de cirurgiões foi elevado em 90%. “Nesse momento o Brasil é um lugar onde existem os melhores cirurgiões do mundo, mas o mercado já está segmentado. Em um ano, 500 cirurgiões plásticos se formam e, com isso, a qualidade do ensino cai e esse não é o único problema. Hoje médico e não médico oferecem serviços estéticos com um curso que fazem em um fim de semana. A chance de se encontrar um profissional muito bom dentre de milhares é muito pequena, então o paciente corre muitos riscos”, explica Sánchez.

“Em um ano, 500
cirurgiões plásticos se
formam e, com isso, a
qualidade do ensino cai
e esse não é o único
problema. Hoje médico
e não médico oferecem
serviços estéticos com
um curso que fazem em
um fim de semana.”

Juan Sánchez,
Cirurgião Plástico

 

 

As mais procuradas

Tanto no país quanto na RMVale, os cirurgiões plásticos realizam com frequência procedimentos como lipoaspiração, implante de silicone e mamoplastia; cirurgias de harmonização facial também são recorrentes entre os pedidos. Os valores variam, mas em
média o consumidor vai desembolsar de R$ 10 mil a R$ 15 mil para realizar as cirurgias.
Tirando a mamoplastia, não há explicação exata para a realização de tantos procedimentos. O cirurgião plástico Andrey Van Ass Malheiros, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, acredita que em relação às próteses de mama, por exemplo, existem alguns fatores determinantes. “Existe uma questão cultural muito
forte em nosso país. A brasileira sempre está em busca do corpo perfeito. Além disso, vivemos em um país tropical, onde tem muitas praias e essa é uma época em que as mulheres procuram bastante para se prepararem e já estarem recuperadas para o verão”,
considera. Uma tendência na RMVale é a lipoaspiração em alta definição, chamada
também por ‘Lipo Vaser HD’. O cirurgião plástico Andrey Van Ass explica que este procedimento é menos agressivo, oferece bom resultado e rápida recuperação.
“A lipoaspiração consiste em pequenos orifícios na pele, introdução de um líquido em baixo e depois o cirurgião plástico vai lipoaspirando a gordura com o líquido. Com o método a vaser,  antes de lipoaspirar você coloca uma haste de metal, que emite ondas de  ultrassom, que vai desmanchar todo o complexo de gordura. Com isso, você limpa mais fácil e não causa nenhum trauma”, descreve.

“A lipoaspiração
consiste em
pequenos orifícios
na pele, introdução
de um líquido em
baixo e depois o
cirurgião plástico
vai lipoaspirando
a gordura com o
líquido.”

Andrey Van Ass Malheiros,
Cirurgião Plástico

A advogada Graziane Avelar, 37 anos, de São José dos Campos, tem dois filhos e passou pela primeira cirurgia plástica mais por saúde do que por estética. Em 2009 ela fez uma mamoplastia redutora por uma questão funcional. “Foi o meu primeiro procedimento.
Eu tinha o seio muito grande, muito volumoso. Tinha muita dificuldade de encontrar sutiã adequado, que sustentasse de uma forma legal. Então eu resolvi fazer”, conta. Graziane conta que identificou apenas dois pontos contra quando fez a intervenção cirúrgica. O primeiro é que, na época em que fez a cirurgia no seio, ela ainda não tinha filhos, por isso não conseguiu amamentar. E o segundo ponto é que ela tem predisposição a queloide, o que faz com que suas cicatrizes geralmente fiquem destacadas. Segundo informações da
Sociedade Brasileira de Dermatologia, a queloide “[…] é um crescimento anormal de tecido cicatricial que se forma no local de um traumatismo, corte ou cirurgia de pele”. Graziane conta que, depois das duas gestações, ganhou muito peso e chegou a ficar obesa. Por conta disso, em 2016 fez a cirurgia de redução de estômago, a bariátrica. Após a intervenção cirúrgica, ela perdeu 41 quilos, o que causou um excesso de pele na região do abdômen. Foi então que, em abril de 2018, ela passou por uma abdominoplastia.

“Foi o meu primeiro
procedimento. Eu
tinha o seio muito
grande, muito
volumoso. Tinha
muita dificuldade
de encontrar sutiã
adequado, que
sustentasse de uma
forma legal. Então eu
resolvi fazer.”

Graziane Avelar

“Eu passei pela cirurgia bariátrica e em consequência disso, após todo o processo de emagrecimento, ganhei muita sobra de pele. Aí não foi nem uma questão estética, foi mais funcional mesmo”, relata. Nós próximos meses, a advogada deve passar pela terceira cirurgia plástica. Desta vez uma corretiva, para remover as cicatrizes da abdominoplastia.
Graziane afirma que não tem medo algum e que indica para quem tem vontade de fazer.
“Eu sou corajosa, não tenho medo. […]A gente só não pode ficar refém da beleza, essa obsessão pelo corpo perfeito, mas se for pra te dar um pouco de felicidade, te proporcionar mais qualidade de vida, eu super concordo e indico. É uma decisão libertadora”, afirma.

 

Precauções

Os especialistas orientam sempre procurar um cirurgião plástico que seja, no mínimo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Os associados cumprem diversos requisitos que os tornam profissionais minimamente preparados para realizar os procedimentos estéticos. Já no âmbito da psicologia, os pacientes também devem se atentar a alguns fatores. Ultrapassar o limite entre fazer um procedimento e mudar totalmente o corpo deve ser questionado. De uma forma geral, mudar a aparência
não é ruim, como o caso de pessoas que rompem com o sedentarismo e fazem atividades físicas ou adaptam a alimentação. Mas fazer isso considerando que só assim se é bonito ou atraente é reduzir diversas características humanas a uma só: a beleza.

“Realizar cirurgia
plástica tendo
como pano de
fundo obsessões
ou recorrentes
insatisfações com o
corpo real e humano
implica no risco de
agir apenas com a
finalidade de atender
exigências culturais.”

Patrícia Rivoli Rossi,
Professora na Unitau

 

“Realizar cirurgia plástica tendo como pano de fundo obsessões ou recorrentes insatisfações com o corpo real e humano implica no risco de agir apenas com a finalidade de atender exigências culturais. Comportar-se para ser quem deveríamos ser é diferente
de comportar-se como realmente somos e isso pode trazer prejuízos psicológicos. Outros contextos, que se distanciam da supervalorização da beleza ou do esforço em se adequar aos padrões, podem ser benéficos na medida em que possibilitam aumento da autoestima e do sentimento de pertencimento. Pertencer aperfeiçoando um ‘eu real’ é diferente de se pertencer na busca de um ‘eu ideal’”, conclui Patrícia Rivoli Rossi, professora na Unitau
(Universidade de Taubaté) e mestre em Psicologia Clínica.

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