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Estudo aponta que 76% dos investimentos na região foram feitos por 10 empresas nos últimos 7 anos

RMVale se consolida como uma das regiões com maior índice de investimentos em São Paulo

Samuel Strazzer e Bruno Castilho - RMVale

Seguindo a maré de crescimento econômico do Estado de São Paulo, a Região Metropolitana do Vale do Paraíba recebeu cerca de R$ 27,45 bilhões em investimentos
de empresas entre 2012 e 2018 segundo dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) – o equivalente a aproximadamente 5% dos aplicados no estado.
Os dados apontam que 141 empresas confirmaram investimentos na região no período estudado. Desse valor, R$20,99 bilhões – o que representa 76,44% do montante – foi aportado por 10 empresas. As aplicações desses recursos foram diversas, vão desde ampliação de parques fabris até melhorias em rodovias que cortam a região. Como era de se esperar, pelo histórico da RMVale com o setor aeroespacial, os dados do Seade revelam que a Embraer de São José dos Campos é a empresa que mais investiu na região.
Foram R$ 6,35 bilhões entre 2012 e 2018 – aproximadamente 30% de todo investimento. Atualmente a Embraer mantém cerca de 9.000 funcionários nas duas plantas que administra em São José. O setor aeroespacial tem mais um representante no ranking, a Visiona. A empresa, que é resultado da fusão entre a Telebras e a Embraer, entrou no
mercado em 2012 e ocupa o 8º lugar no ranking de empresas investidoras da RMVale. Foi  aplicado R$ 1 bilhão para a instalação da empresa de pesquisa aeroespacial que trabalha no desenvolvimento de tecnologia espacial.

Um dos mais recentes lançamentos da empresa é o nanossatélite Vcub, que tem 80 cm (contando os painéis solares abertos) por 30 cm de altura e pesa apenas 10 quilos. O especial em aplicações agrícolas e de combate ao desmatamento. Em segundo lugar no ranking das empresas que mais investiram na RMVale está a Novelis de Pindamonhangaba
que atua no ramo de laminação e reciclagem de alumínio. Segundo o Seade, a empresa investiu cerca de R$ 4 bilhões no período estudado para a expansão da planta – cerca de 19% do montante de investimentos na região. A expansão da fábrica aumentou a capacidade de produção para 680 mil toneladas de alumínio por ano e a de reciclagem para 450 mil toneladas por ano. Em Pindamonhangaba, a Novelis recicla cerca de 17 bilhões de
latas por ano. O plano de expansão da empresa conta também com a construção de
um sistema de captação de água e com a construção de um terminal ferroviário para facilitar o acesso aos portos de Santos (SP) e Itaguaí (RJ). Com a implementação do novo terminal ferroviário, a Novelis poderá reduzir em até 73% as emissões de CO2 no transporte de seus produtos em comparação com o transporte rodoviário. A expectativa é que as obras do projeto de expansão sejam concluídas em 2021. Em terceiro lugar está o Consórcio Litoral Norte com a aplicação de R$ 2,90 bilhões nas obras de duplicação do trecho de serra da Rodovia dos Tamoios que liga o Vale do Paraíba ao Litoral Norte.
A obra, que começou em dezembro de 2015, tem cerca de 22 quilômetros de novas pistas e é composta por oito viadutos, uma ponte, dois retornos e quatro túneis. São cerca de 12 quilômetros só de túneis, um deles será o maior do Brasil com 5,5 quilômetros. Até outubro, a obra estava 66% concluída. A Rodovia dos Tamoios também tem destaque na quinta posição do ranking.

A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) aplicou R$ 1,36 bilhãoequipamento tem foco na duplicação do trecho de planalto da rodovia. Segundo a Dersa, as obras, que foram concluídas em janeiro de 2014, adicionaram mais duas pistas com duas faixas na rodovia além de implantar 5,5 km de ciclovia no trecho de
Paraibuna. Cerca de 4.800 trabalhadores diretos e indiretos foram contratados para a obra.
Para Paulo Naressi, sócio diretor da Plátano Investimentos, escritório associado à XP Investimentos, o investimento na malha viária contribui diretamente para o desenvolvimento econômico da RMVale. “Um dos nossos maiores gargalos em qualquer cadeia produtiva no Brasil é o logístico, visto que temos um modal quase absolutamente
rodoviário, dependente de transporte em caminhões por rodovias país afora. Dessa forma, toda e qualquer melhoria em nossa malha viária é muitíssimo bem vinda e contribui imensamente para o desenvolvimento da região […]”, comenta Paulo. Uma das características que atrai os investimentos para cá é justamente a localização. A região está posicionada no eixo Rio-São Paulo e é cortada por rodovias importantes que dão
inclusive acesso aos portos do litoral como a Tamoios.

“Nosso estado não
age com paternalismo,
incentivamos o setor
produtivo, criamos
condições adequadas,
incentivando o setor
privado a produzir
mais, criar, remunerar
e gerar mais empregos”

João Doria,
governador do Estado de São Paulo

Por esses e outros motivos, Paulo aponta que a economia da RMVale tende a continuar crescendo. “Acredito firmemente que ainda passaremos por muitas novas rodadas de crescimentos, com as empresas já presentes aqui aumentando suas capacidades de produção e de prestação de serviços, bem como muitas outras aterrissando por
aqui. Creio que ainda teremos – no curto, médio e longo prazos – excelentes notícias com relação à nossaregião, tanto nos campos da indústria, bem como do comércio e do terceiro setor”, aponta. A máxima é que é necessário se investir para sobreviver. Uma empresa que não investe dificilmente consegue alavancar as capacidades produtivas e corre o risco de oferecer produtos obsoletos, uma vez que o mercado se evolui cada vez mais rápido. Sendo assim, investir é a chave para o crescimento sustentável e sucesso perene das empresas. A RMVale está em 6 dos 11 polos de desenvolvimento econômico anunciados pelo governo do Estado no mês de maio de 2019, que pretende incentivar a produção e fomentar a geração de empregos em determinadas áreas da economia. A lista, anunciada
na pelo governador João Doria envolveu a região nos polos Automotivo; Derivados de Petróleo e Petroquímico; Metal-Metalúrgico, Máquinas e Equipamentos; Químico, Borracha e Plástico; Bio-combustíveis; e o Têxtil, Vestuário e Acessórios. De acordo com o governo estadual, entre os benefícios, em fase de adequação, estarão um processo de simplificação tributária, financiamento competitivo e qualificação de mão de obra, que auxiliarão a
ampliação dos investimentos, aumentando a oferta de emprego e renda. Os municípios que integram os polos são Caçapava, Cachoeira Paulista, Campos do Jordão, Caraguatatuba,
Cruzeiro, Guaratinguetá, Igaratá, Jacareí, Lorena, Pindamonhangaba, São José dos Campos, São Sebastião, Taubaté, Tremembé. “Geração de emprego não é com programa de assistencialismo. Nosso estado não age com paternalismo, incentivamos o setor produtivo,criamos condições adequadas, incentivando o setor privado a produzir
mais, criar, remunerar e gerar mais empregos”, afirmou o governador João Doria. De acordo  com a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen da Silva, o principal objetivo é incentivar o aumento da produtividade industrial, ‘atraindo investimentos,
impulsionando a inovação e a geração de empregos e renda’. “Nosso trabalho, é reconhecer as vocações da RMVale e potencializar sua produtividade e a competitividade do  setor privado impulsionando e melhorando as políticas públicas não só nesta região mas em todas as regiões onde as cadeias produtivas estão instaladas”

Embraer, a nº 1 da RMVale

A Embraer iniciou um processo de fusão com a gigante mundial Boeing em julho de 2018. A joint-venture já recebeu aval do Governo Federal, do conselho de acionistas e aguarda a certificação de órgãos reguladores internacionais. Contudo, as negociações não impediram
de maneira alguma que a empresa investisse em crescimento. Segundo informações da Embraer, a companhia destinou cerca de 10% de sua receita na modernização de plantas
e tecnologias nos últimos dez anos, o que teria permitido o desenvolvimento de produtos de ponta na Aviação Executiva, Aviação Comercial e Defesa & Segurança.


Dentre os lançamentos da Embraer neste período estão os jatos executivos médio e super médio Praetor 500 e Praetor 600 que foram apresentados no final de 2018. Segundo informações da empresa, os jatos desta família têm alcance sem precedentes em
suas categorias. O Praetor 600 tem capacidade para 12 passageiros é o jato executivo de porte super médio mais avançado e versátil, que permite voos sem escala entre
Fortaleza a Madri. Já o Praetor 500 é aeronave de porte médio mais rápida do segmento, capaz de alcançar qualquer cidade da América do Sul, a partir de Brasília. Em agosto de 2019, a Embraer anunciou um investimento de US$ 30 milhões – mais de R$ 120 milhões  na cotação da época – para a expansão da unidade de Eugênio de Melo, em São José.

Com a construção das novas instalações, o local passará a ter capacidade para mais de 4.000 funcionários, quase o triplo dos atuais 1.500 profissionais na planta. Pelo menos 600 vagas temporárias foram criadas para a construção de quatro novos prédios.
A companhia criou ainda a EmbraerX, empresa subsidiária para negócios disruptivos. Em parceria com a Uber, em julho de 2019, a EmbraerX anunciou o projeto de um carro voador 100% para massas. A previsão é de uso comercial a partir de 2023.

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