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34º edição do Festivale aponta crescimento do setor, mesmo frente a crise ecônomica

O teatro resiste na RMVale

O Festivale, que acontece na cidade de São José dos Campos, é um dos maiores festivais teatrais do interior do estado e está em sua 34º edição. O evento movimenta a
economia local, fomenta a produção cultural da região e atrai os olhares das maiores companhias teatrais do Brasil. Neste ano serão 47 espetáculos, sendo que 20 foram feitos através de uma seleção e os outros 27 são grupos convidados que incluem peças produzidas nas oficinas da cidade.

O presidente da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), Aldo Zonzini Filho, conta que o número de apresentações deste ano cresceu cerca de 20% em relação ao ano passado.
Companhias de 85 cidades e 18 estados demonstraram interesse em participar do Festivale. Neste ano o festival bateu o recorde no número de grupos interessados com 412 inscritos – no ano passado foram 248.

“Nossa percepção é que o Festivale se sobressai. Passou a ser não somente um festival local, nem regional, mas nacional. O festival é um dos mais longínquos, são 34 edições sem interrupção”, aponta Aldo.

Para a abertura do festival, a FCCR trouxe a peça “Grande Sertão: Veredas”, dirigida por Bia Lessa com a participação de atores globais como Caio Blat e Luisa Arraes. Durante o
festival, como convidado especial, o grupo Maria Cutia traz a peça “Alto da Compadecida” dirigida por Gabriel Vilela.

“Trazer espetáculos de qualidade gera o interesse da população que muitas vezes não tem condição pra assistir peças como estas. […] Temos participantes de diversas cidades, isso
causa uma integração cultural que é muito importante”, diz o presidente da FCCR.”

O festival contará também com três mesas de debates, oficinas, apresentações nas casas de cultura, e cinco críticos farão avaliações das apresentações todos os dias. Para Aldo Zonzini Filho, essas ações são uma maneira de expandir o alcance do festival. “Com essa
ação nós levamos o investimento para toda cidade e não restringimos ao meio artístico, trabalhamos a cidade como um todo”, diz.

E o melhor de tudo é que todos os espetáculos são gratuitos. Os ingressos são solidários e devem ser trocados no local da apresentação por óleo de cozinha. Há também a possibilidade de reservar os ingressos pelo site da FCCR. Todas as doações serão enviadas para o Fundo Social de Solidariedade de São José dos Campos.

“Nossa percepção é
que o Festivale se
sobressai. Passou
a ser não somente
um festival local,
nem regional, mas
nacional. O festival
é um dos mais
longínquos, são
34 edições sem
interrupção”

Aldo Zonzini Filho,
Presidente da FCCR

Vander Palma, 46 anos, ator do Teatro D’Aldeia de São José, participará do Festivale com a o espetáculo “The bichos”, baseando na peça Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, mesmo conto que deu origem aos Saltimbancos. O ator afirma que o Festivale é uma oportunidade de crescimento para todos os grupos teatrais que participam.

“É uma oportunidade muita boa para trocarmos com outros grupos, fazer contatos e debater com outros artistas. É um momento importante também porque temos contato com os críticos, que através de seus comentários vão nos fazer crescer”, comenta Vander.

Já Henrique Sitchin, de 55 anos, diretor teatral da Cia Truks – Teatro de Animação de São Paulo, afirma que, em um período em que os investimentos em cultura estão em queda, o Festivale ganha um significado a mais para o meio artístico: resistência.

“Considerando o cenário em que estamos, o Festivale é importantíssimo porque ainda resiste. Atualmente, o Teatro tem perdido muito espaço. O Festival nos possibilita palco para as apresentações e a oportunidade de conhecermos o trabalho de outros colegas artistas. Para nós, que somos de outra cidade, é muito enriquecedor nos apresentarmos em São José e termos contato com o público da região”, diz Sitchin.

A Cia Truks Teatro de Animação apresentará o teatro de animação “Big Bang”. O espetáculo recria a história desde o seu momento inicial, o “Big Bang”, e passa pelos fatos mais marcantes da trajetória da humanidade. Além dos tradicionais bonecos, a peça também utiliza técnicas de Teatro Negro e Teatro de Objetos.

O Teatro na RMVale

A RMVale é uma das regiões mais importantes do interior de São Paulo e, mesmo com dificuldades financeiras por conta da crise econômica nacional, consegue manter sua relevância também em relação a produção cultural.

O orçamento da FCCR de São José dos Campos, organizadora do Festivale, foi
de R$ 28,8 milhões em 2018. A cidade tem oficinas teatrais para crianças a partir dos 6 anos até idosos. São cerca de 420 alunos em 24 oficinas que vão do amador ao profissional.

O diretor de Cultura e Patrimônio da FCCR, Washington B. de Freitas, revelou para a Metrópole Magazine em primeira mão que a fundação deve abrir em breve inscrições para um curso de empreendedorismo cultural em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

“A FCCR vai lançar o um edital em parceria com o Sebrae pra trazer curso de empreendedorismo cultural para São José. A intenção é trazer ferramentas para que esses empreendedores criativos possam crescer no meio cultural. Serão 25 vagas para o curso que vai ter a duração de seis meses”, afirma Washington.

São José conta também com o Fundo Municipal de Cultura que investe em projetos
de diversas áreas culturais como música, cinema e teatro. Os artistas inscrevem seus
projetos, e os profissionais contratados pela FCCR fazem a seleção. Neste ano foram
cerca de 300 inscritos e 34 projetos selecionados.

“O Feste é um
festival nacional e é
uma grande escola,
traz oficinas,
grandes mestres e
grandes jurados”

Adbailson Cuba,
Diretor Artístico da Cia Teatral Controvérsias

“Os dados mostram que São José dos Campos vai contra a corrente do que vem acontecendo no cenário nacional na área cultural. Muitas cidades tiveram a diminuição no investimento, mas nós fomos contra. Estamos trabalhando a cultura na cidade e direcionando recurso para essas atividades”, afirma Aldo Zonzini Filho, presidente da FCCR.

Vander Palma afirma que desde 2018 o número de incentivos reduziu bastante e
que muitas companhias teatrais fecharam em consequência. Os profissionais do teatro
acabam tendo que ter outros empregos para complementar renda e não conseguem
se dedicar totalmente a produção cultural. Porém, a cidade de São José se destaca por resistir a essa onda de cortes e continuar investindo em arte.

“A maioria dos atores em São José, assim como eu, tem outros trabalhos para se manter […] Muitos espaços de companhias teatrais estão fechando, mas em São José temos uma lei de incentivo que tem funcionado bem, o fundo municipal de cultura que tem
nos ajudado muito”, relata Vander.

A potência cultural da RMVale não está concentrada somente em São José. Adbailson Cuba, 38 anos, é Diretor Artístico da Cia Teatral Controvérsias que atua desde 1997 em Pindamonhangaba. O artista conta que existem dois festivais importantes que fomentam o teatro na região de Pinda. O principal deles é o Feste – Festival Nacional de Teatro de
Pindamonhanga, que está na 41ª edição. Neste ano o festival será realizado entre os dias 7 e 17 de novembro.

“O Feste é um festival nacional e é uma grande escola, traz oficinas, grandes mestres e grandes jurados. Nós tivemos a possibilidade de participar algumas vezes e ficamos em segundo lugar em uma edição”, conta.

O outro evento teatral forte na região é o Festil – Festival Nacional de Teatro Estudantil que está em sua 22ª edição. O “Festil” é um festival de teatro estudantil que tem como objetivo estimular a atividade cênica em escolas e revelar novos talentos.

“Desde que o
teatro foi reaberto
a parte cultural
em Ubatuba
cresceu muito. O
apoio do poder
público ainda não
é o ideal, mas
tem caminhado
pra isso. Já a
participação
popular é o
melhor”

Luu Chaer,
Diretora dos Menestréis

“O festival estudantil é muito forte, inclusive foi lá que eu surgi, onde montei minha primeira peça e ganhei meu primeiro prêmio. O Festil é uma sementeira, uma incubadora de novos artistas fazedores de teatro”, afirma Adbailson.

O Litoral Norte também tem representantes de peso no que diz respeito à produção teatral. Há nove anos, a Oficina dos Menestréis, método de teatro musical criado pelo cantor e compositor Oswaldo Montenegro, atua na cidade de Ubatuba. Além da oficina principal,
o Espaço dos Menestréis de Ubatuba é casa de um projeto social que atende jovens de 13 a 18 anos que fazem o curso totalmente gratuito.

Nos dias 5 e 6 de outubro, os Menestréis apresentarão o espetáculo “Vale Encantado” no Teatro Municipal de Ubatuba. A peça conta com mais de 50 artistas de 11 à 65 anos. O espetáculo é uma representação dos sonhos das crianças e é considerado “um musical
infantil pra gente grande”.

Luu Chaer, 46 anos, Diretora dos Menestréis de Ubatuba, comenta que o investimento em cultura ainda não é satisfatório, mas está melhorando ao longo dos anos. Para a diretora, a participação popular nos cursos é muito boa, isso seria um sinal de que a arte está crescendo.

“Desde que o teatro foi reaberto a parte cultural em Ubatuba cresceu muito. O apoio do poder público ainda não é o ideal, mas tem caminhado pra isso. Já a participação popular
é o melhor”, afirma Luu Chaer.

Teatro Municipal de São José dos Campos

Número de poltronas: 497
Palco: 8m x 13.20m = 105.60m2
Endereço: Rua Rubião Júnior, 84 (Shopping Centro) – Centro, São
José dos Campos
O prédio onde atualmente funciona o Teatro Municipal de São
José dos Campos foi inaugurado em 1978 e abrigou, até 1989,
um cinema que tinha o nome de “Cine Center”. Em 31 de julho de
1989, a Prefeitura Municipal de São José dos Campos permutou o
imóvel com os antigos proprietários e entregou-o à administração
da Fundação Cultural Cassiano Ricardo. Em 2001, a instituição reformou
o local para que ele pudesse receber espetáculos.

Teatro Colinas em São José dos Campos

Número de poltronas: 324
Palco: Tipo Italiano
Endereço: Shopping Colinas – Av. São João, 2200 – Jardim das
Colinas, São José dos Campos
O Teatro Colinas foi reinaugurado em 2011 quando começou a ser administrado pela Sinapse Produções Culturais. O espetáculo que marcou a reinauguração foi a peça “Cruel” com Reinaldo Gianechini. Depois disso, o teatro já recebeu grandes espetáculos,
tais como: Adultérios, O Libertino, Bem-Vindo Estranho, entre
outros.

Teatro Municipal Mario Covas de Caraguatatuba

Número de poltronas: 613
Palco: 12m x 29m = 348m2
Endereço: Avenida Goiás, 187 – Indaiá, Caraguatatuba
O espaço “Governador Mario Covas” – Teatro Municipal de Caraguatatuba, uma das  nidades da Fundacc (Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba), foi inaugurado em 15 de dezembro de 2004. Seria construído apenas um centro de aperfeiçoamento e  treinamento de professores, contudo, durante a construção iniciada em 2001, percebeu-se a tempo que o prédio de quase o mesmo porte da Secretaria de Educação, no bairro
Indaiá, poderia abrigar o Centro e o Teatro Municipal.

Teatro Metrópole em Taubaté

Número de poltronas: 565
Palco: 13m x 6m = 78 m2
Endereço: Rua Duque de Caxias, 312 – Centro, Taubaté Construído em 1919 e inaugurado em 21 de junho de 1921, o Teatro Metrópole inicialmente era chamado de “Cine-Teatro
Polytheama”. Contando com diversos estilos arquitetônicos como Art Noveau e Neoclassicismo, após um período inativo o prédio foi reinaugurado no ano e 1939 como Cine Metrópole. A casa passou por uma reforma em 2008, quando adicionou banheiros
e acesso especial para cadeirantes. Em 2014 o teatro teve pequenos reparos, foram consertados os ares condicionados e foi refeita a pintura da fachada.

Teatro Municipal “Pedro Paulo Teixeira Pinto” de Ubatuba

Número de poltronas: 445
Palco: 12m x 12m = 144 m2
Endereço: Praça Exaltação à rua Santa Cruz, 22- Centro, Ubatuba
O Teatro Municipal de Ubatuba foi reinaugurado 9 de abril de 2017 após ficar por quatro anos fechado. O teatro recebeu o nome do ex-prefeito Pedro Paulo Teixeira Pinto um dia depois de seu falecimento no dia 25 de julho de 2019 através de um decreto – Teixeira
morreu aos 79 anos. Em 1987, durante seu mandato, que nasceu a FundArt (Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba). Teixeira vinha presidindo a Fundação desde 2017.

EducaMais Jacareí – Sala Ariano Suassuna

Número de poltronas: 700
Palco: 14m x 7,5m = 105 m2
Endereço: Avenida Engenheiro Davi Monteiro Lino, 3.595 – Jardim
Marcondes, Jacareí
Projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, o espaço EducaMais foi inaugurado em 19 de setembro de 2014. O prédio ocupa uma área de 6.445 m e tem incluso em seu complexo a Sala Ariano Suassuna. O teatro tem um palco com 90 m² de área útil e capacidade
para 700 pessoas. O EducaMais Jacareí conta ainda com 11 salas multi-uso e espaço externo para mais de 8000 pessoas.

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